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sexta-feira, dezembro 30, 2005

Iª EPÍSTOLA À TERRA


Amigos meus que ficastes. Graça e paz e votos de que abram os olhos. Eu, por cá, na carne vosso irmão e kamba do munhungo, estou na área intermédia entre o inferno e o paraíso, onde se fazem os julgamentos. Convivo todos os dias com um espírito que teve na carne o nome de Feliscesco Dicopai. Contou-me que tem vários amigos, ainda no activo, na terra, sobretudo por aí onde estais.

O Dico, um dos primeiros a ser julgado, contou-me que fora em vida terrena pobre e filho de um homem beberrão que nem dera conta do seu nascimento, foi por isso criado pela mãe e pelo irmão mais velho já que o pai fora mobília de bar onde gastava tudo.

Vós que andais ainda como ele estejais atentos para que o vosso julgamento não comece na terra.

O Dico, também conhecido por Ditador, contou ainda que na sua primeira audiência com o meritíssimo juiz, que sempre teve ambição pelo poder e que quando o conseguiu jamais o largou até ser despachado.

Tão desavergonhado como eu, em vida terrena, o Dico contou ainda que fez amizade com chinese e coreanos aos quais ele e Paulina sua Esposa imitaram o mando e controlo.
Digo isso porque sei que vós ainda gostais de ser controlados. Mas não contem mais com o Dico que está por conhecer a sentença.

Avisem também a todos os distraídos do munhungo que aqui a vida é boa. Mas custa saber em que bairro se está a viver. Por isso, enquanto estiverdes naquela vida, não vos esqueçais de erguer as vossas casas e que não deixeis que as troquem por vivendas urbanas públicas como as do meu novo amigo Dico.

Quanto aos que se apressam na vida terrena, avisai-os que ainda é cedo. Deixem que os muros se desfaçam por si. Comprem computadores, façam cartas e gritem alto aos Dicos.

Também vos falo sobre o alimento. Comais carne e não bebeis mais vinho que vos aliena. Da cevada aproveiteis apenas a farinha porque está escrito num livro qualquer. Do vinho te embriagarás e não mais te levantarás.

Amigos meus que estais nas terras de kassanje, irmãos na liamba e no Kapuka, não mais perguntem quando termina a independência que roubou as benesses da idade média. Trabalhais e orais sem cessar porque assim fizeram os romenos nos seus templos para que possais ver um novo dia de sol e chuva abundantes.

O Dico que comigo vive em zona intermédia conta bons exemplos de dias longos em que todos trabalhavam sem nada exigir e noites frias sem luz nem transportes. Conta exemplos de despachos que ficaram no papel e de visitantes que substituíram os doentes no leito por causa da doença contraída nos próprios hospitais. Fala também de homens que pensam para outros dizerem e de mulheres coroadas sem honra. O Dico pede também que quando estiverdes no munhungo lembrai-vos das vossas obrigações. Lembrai-vos de que a terra permanecerá para sempre. Sem demora é a nossa vinda.

Amados irmãos amai a fidelidade e quando não poderdes abstenhai-vos da luta corporal.
Abraços de vosso irmão e kamba na carne, Felito So-Bra-do-Caixão.

Luciano Canhanga

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Cânticos anónimos VI

A minha nguvulação

Lembro-me de ter lido, ainda nos meus tempos de undengue, uma coluna sobre os chefes ou chefiação a que os angolanos estão sujeitos. Crónica ou artigo tão bem escrito, dele resta-me apenas a exactidão do colunista em enumerar quantos chefes tinha; uma vintena.

Classifiquei de imediato o jornal como “documento" e escrevi no topo "Não retirar da K”. Mas, quis alguém dar-lhe um destino por mim indesejado.
Busquei e rebusquei tudo quanto pude e não encontrei pista alguma que me permitisse citar com exactidão o autor do texto sobre os chefes. Disseram-me alguns próximos trata-se do Ismael ou Salas. Seja quem for, o meu reconhecimento pela "chuva que provocou o rio".

Quis agora que é chegada a minha vez de nguvular e de ser nguvulado descrever também até que ponto vergo o joelho para reverenciar.
Começo então pela casa da minha mãe que tem por hábito tratar o primeiro Neto saído do filho varão por chefe. Este rapaz de apenas oito anos é quem mais manda em mim. Ora cadernos, ora livros, ora BD, ora concerto de bicicleta, ora computador que ainda não dei, ora etc., ora vídeo game, enfim. Está descrito o meu primeiro chefe, o meu filho.

Ainda em casa tenho a chefe do governo que me exige sempre que quer o reforço do OGC. Entenda-se orçamento geral de casar. A chefe Elsa.

Fora do lar, mal saio, tenho na porta ao lado o chefe da célula e o chefe do núcleo. Se for cinco ruas mais adiante, no Comité Municipal, encontro outros dois chefes: O da Juventude e o do partido. A estes se juntam os chefes da província e seus adjuntos nos dois escalões. Ainda no partido, vou para o escalão nacional e encontro vários chefes. Os chefes dos meus chefes.

No campo académico, tenho o chefe de sala ou delegado e o chefe da associação de estudantes. Como frequento duas universidades, tenho quatro chefes, tirando aqueles que por mérito demonstrado ao longo dos anos de coleguismo ou consideração não deixam de ser chefes.

No serviço, tenho superiores hierárquicos que até ficam chateados quando não se prefixa a expressão chefe ao seu nome. Gostam do epíteto como se de nome próprio se tratasse: Chefe Amélia, Chefé Bibi ou chefe Dê. A estes se juntam o chefe de secção ou editor, o chefe de sector ou Editor-chefe, o director de Informação, e os demais directores que são três.
Ao nível de Estado tenho o chefe grande, a quem todo o país verga o joelho, aliás parte o joelho para a vénia.
Feitas as contas, tenho mais de trinta chefes entre os directos e indirectos.
Posto a reflectir, notei que cada um de nós tem um número exagerado de chefes a quem presta subserviência e sem poder reclamar. Apenas nos cânticos anónimos se ouve algo relacionado à chefiação, sendo o nome do Chefe grande o que mais soa nas canções.

Lembro-me que no tempo do Carnaval da vitória quase todas as canções levavam o nome do chefe. Em Calulo, no Carnaval escolar lembro-me termos cantado “Zuzéduardoé uol’ótuma kiambote, kolenu povué tuondó kina kiavulo...”.
Talvez uma cópia mal feita de um cântico original, talvez não.
Hoje, no candongueiro da Mutamba ao Rangel, um jovem introduziu na conversa ocasional o tema “chefe grande”.
Dizia o cidadão anónimo que “o Chefe inaugura demais”.
Uma senhora da casa dos vinte, mas com aparência de muitos partos pelo caminho, perguntou se “o quê que o presidente inaugurou e que não seria para ele”.

A resposta inesperada pela assistência de doze camaradas de viagem veio do cobrador: “os três bebés”. Levou tempo para me aperceber que o gerente do Hiace se referia ao edifício AAA inaugurado num dia em que o Primeiro Ministro teve de adiar o corte de fita do Instituto de Património Cultural para não chocar com o chefe grande que tinha um dia completo de “tesoura, fita e prato”.

Na conversa de candongueiro que geralmente não tem dono cada um foi apimentando do seu jeito, sempre na ânsia de puxar o auditoria para o seu lado. Já na paragem da cidadela entrou uma jovem que não deixando o “caldo” esfriar rematou:
-Sabem quem inaugurou as casas de banho (urinóis públicos) da Mutamba e do Porto? - O chefe!
Mais gargalhadas e mais banalização do papel dos chefes. Fiquei apenas sem conferir o desfecho da questão sobre “o chefe da casa de banho”, porque para mim a Cáritas tinha sido o fim da viagem.
Fiquei porém, com a lição de que é importante fazer-se uma boa nguvulação e boas inaugurações, porque enquanto for chefe lá em casa, da minha mulher, do meu filho e do minha irmã com quem partilho os cantos da casa, pode acontecer que me deêm champanhe e tesoura para cortar a fita no dia da troca da sanita que já não tem cor.
Por: Soberano Canhanga

terça-feira, dezembro 20, 2005

Cânticos anónimos V

A verdura da kamanga


Hoje, (03.12.2005) a minha viagem até que foi de avião. Preferia que fosse de candongueiro para ouvir os inúmeros cânticos anónimos possíveis somente em casa de ninguém. Desta vez não. A distância que separa o Atlântico do nordeste do país tirou-me o gostinho que criei pelos mujimbos.
Fui ao terminal da SAL onde um trabalhador de uma diamantífera “despacha” os seus colegas e visitantes da empresa.
Um manifesto em lista dá acesso ao talão de embarque. Até aqui nada mau. O meu espanto foi, porém, saber que o abandono da sala de espera nunca é anunciado. Os passageiros têm de cercar “o homem da lista” para não perder o voo porque o "mwata" pode, quando quer, pôr outros nos lugares dos distraídos. E aconteceu mesmo com alguém que até conheço.

Quando comentei o que vi com um frequentador da Lunda-Sul a resposta seca foi:
_“Aquilo não é Angola, é muito concorrido e não se avisa ninguém”. Fiquei buamado.

Uma vez próximo da “mina”, já em território katchokue, deparei-me com um outro espanto.
- Um enorme planalto a esbanjar o verde.Um verde selvagem composto apenas de capim e árvores. Não se via, quer pelo ar, quer por terra, uma bananeira sequer.
Mais uma vez perguntei o porquê da incultura dos campos, e, novamente ríspida e pronta a resposta dos habitantes não se fez demorar:
-“Habituaram o povo a viver da kamanga e já ninguém quer esperar pela colheita”.

O canto que se canta em qualquer canto das Lundas é a kamanga, a ocupação das terras ancestrais pelas empresas e garimpeiros nacionais e estrangeiros, a extinção da agropecuária e a condenação à fome dos idosos, deficientes e mulheres que têm na prostituição e no comércio informal o único ganha-pão.
Vivi os dias que vivi, comi o que comi, mas tudo de fora. O pior é que nem uma pedra vi.
Ouvi no cântico dum idoso ovimbundu que “quando eles chegavam destruíam as lavras e até os bairros para cavar kamanga… quando acabavam deixavam tudo assim (aberto), mesmo quando íamos longe e eles descobriam que tem kamanga vinham de novo… até que parávamos também”.
Noutro refrão captei que “aqui escola para os filhos não tem, hospital também não. Medicamentos, mesmo, é tudo na praça da cidade. A pessoa pede emprego no governo também não tem. Se não tem filho que trabalha na kamanga, você fica só assim mesmo”.
No mercado paralelo de Saurimbo (Saurimo) vozes desafinadas desafiavam o sol e a chuva, que cai sem avisar, com outros cânticos à memória das filhas.
_"Assim que está a escurecer, daqui a pouco vão já começar a chegar das minas. É assim todas as sextas e sábados. Se trouxessem ainda comida era normal. É só mesmo disbunda e SIDA. É só mesmo assim…”.
Como o fel que inadvertidamente se mistura à jinguinga, em hora de fazer contas com a lombriga, sorvi o desabafo e deixei-o comigo. Somente comigo.
Uma vez no ar, de regresso a Luanda, deparei-me novamente com o verde que se espreguiça num vale sem que alguém se lembre em botar-lhe um machado, uma enxada ou uma catana para dar outro verde que pinte e encha os pratos vazios. "Tanto verde para tanta fome é realmente muita kamanga".

Por: Luciano Canhanga

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Cânticos anónimos IV

“Hoje não há escola”

Há muito que não desafiava a distância numa viatura. Viajei, esta semana de carro Luanda/Munenga/Lussusso, mais de 290 km.

Zangado com os solavancos na picada, o carro gritava ao vento no seu roncar a angústia que lhe provocavam as crateras no moribundo asfalto. O serpentear do caminho multiplicava com o andar as indignações.

Antigos bairros abrigam fantasmas e nas cantoneiras da junta de estradas, feitas escolas no calor da revolução, resta apenas o soar do chicote largado pela mão do professor de quarta classe e sem pedagogia. Tentei a pergunta sobre o paradeiro das carteiras e tal como na descuidada infância, na PRÉ, a resposta veio gritada:
-“Hoje não há escola”.
Frase que já não ouvia há muito, desde que deixei a iniciação escolar ou pré Kabunga, quando desabituados ainda com a vida escolar festejávamos as ausências do professor, cantando em coro e correndo os dez quilómetros que separavam a escola da casa.

“Hoje não há escola” é também estrofe dum cântico anónimo solto pela garganta duma angolana iletrada que na inauguração do país ficou sem os filhos nos afazeres agrícolas, e ela mesma, sem tempo para o jantar do marido, gasto na alfabetização. Desse tempo apenas a nostalgia das primeiras lições do a, mbê, cê, ndê naquela garagem da fazenda Israel do Libolo.

Vinte e cinco anos passados, já não é fazenda aquele campo de ananazes, girassol, laranjeiras e bananeiras. Tudo desapareceu.
Os pais de outrora transformaram-se nas tumbas neófitas que ladeiam o caminho. E o pior é que hoje “não há escola” de verdade. Não é apenas a ausência da educação formal com o professor Jorge Kaconda, o Giz e o Chicote para a burrice na matemática, mas também a escola informal do Velho Chica Yango no ndjango.
Desapareceram os idosos e com eles as anedotas, as canções, as fábulas, as Estórias e a História do meu povo, o nosso povo. O livro das linhagens escrito na memória e assim reproduzido sem tinta e papel.

Visitei o largo que acolhia os nossos serões à volta da fogueira quando fossem boas lenhas. Hoje só fumaça. Lenhas que não fogueiam, conservando apenas nas cinzas o lume para o amanhã incerto, sem isqueiros de fricção, nem gasóleo dos tractores queimados pela guerra.

Desesperado, recuei para Munenga, a sede comunal. Ali, onde em Setembro de cada ano se juntavam todos os “comunas” para o exame final da quarta classe. A antiga sede do posto administrativo reclama reconstrução e já não é cerâmica a casa da montanha. O sangue Frio desapareceu com o seu bar e o Ferreira, ai que pena! Do Ferreira ficou apenas o nome.

Procurei então pelo administrador para que me indicasse a escola geral. Queria saber se restavam ainda retalhos da minha infância escolar. Novamente a resposta duma anciã:
-"Filho, hoje, já não há escola".

Conclui então que os ditos do passado não morrem. Conservam-se apenas noutros estados, noutras falas do mesmo povo, noutras vestes do mesmo corpo. Não há, realmente, escola que chegue para tanta maternidade!

Por: Soberano Canhanga

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Cânticos anónimos III

“Ai ué, me tarracha só...”, “Fica só comigo, só mais um pouquinho...”,etc. São cânticos conhecidos e que geram outros Cânticos anónimos quando reproduzidos de forma ensurdecedora a céu aberto e dançadas em hasta pública como a ignorância ordena.
Passei hoje, depois de uma aula de moral, no meu bairro, pelo largo adjacente à Emissora nacional. Notei que é um lugar onde as campanhas de civismo sonoro gritadas na rádio, televisão e nos jornais continua a encontrar o seu mais directo violador.

A céu aberto e com robustos altifalantes virados a todos os ventos, os homens do civismo que promovem nos media o uso apertado de “decibês” em casa, fazem na rua o pior. E pior ainda porque promovem também a bebedice.

Há muito que assisto à cena e oiço anónimos reproduzindo as músicas e outros cânticos de teor atentatório à moral pública.

Decidi então avançar. Para as bandas do Catambor ver um velho amigo. O Velhinho. Dois passos depois, cruzei com as preces de um idoso na casa dos setenta, mais ou menos. O meu cálculo é apenas pela forma trôpega que não evitou o desabafo perante ao que assistia.
_ “ Perdoe-me Deus, mas estes homens já não ouvem mais”.

O ancião anónimo olhava para as cores conhecidas dos promotores do civismo, as mesmas que revestiam o largo barulhento. E não era só na baixa. O Muceque todo estava inundado de maratonas ruidosas.
-“Que civismo meu Deus, afinal estes homens são assim?”
- Outra interrogação duma beata que se dirigia ali ao lado, no Reino de Deus Rico.

Casada com o barulho a promoção cívica estende-se à tarracha, a dança do esfrega-esfrega, exercitada no descampado, também conhecida por irmã gémea do strip tease.
_“Esta dança pornográfica ganha corpo e ninguém move palha?”- "Issunji!" Conclui a beata anónima.


No meu andar e ouvir despreocupado soube depois que um jornal Capital(ista) lhe tinha dedicado páginas de reflexão que aguardam ainda pela mão leve do “quem de direito”.

À boca da Igreja idosas conservadoras suplicavam se “ vamos continuar a ver nossos filhos e filhas a se aquecerem o “matrindindi” à nossa frente ou se vão indicar locais apropriados para a moda deles”?

Sem chatices, o jardineiro do hotel Estrelas Lavadas cantava o seu canto, cachimbando malambas e recordações de um tempo bom que o tempo levou.

_“É Revolução, kota”, gritou um rapaz que respondia ao amigo sobre o título do filme em exibição na casa de vídeo, ali naquele Muceque insular do Alvalade.

E eu, sem tempo ainda para a reflexão dos cânticos ouvidos, segui o meu caminho até à casa que o Velhinho me tinha mostrado. Felizmente, já lá não vivia. Estava empregado numa petrolífera.

Por: Soberano Canhanga.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Canticos anónimos I

Cânticos anónimos I

Ontem mesmo andei num autocarro, (transporte público urbano). Há muito que já não o fazia, pois tinha um carro velho que dava para as minhas curtas saídas.

O meu espanto foi que nos autocarros cobram-se valores mas não se passam os bilhetes de passagem. Ainda ontem (27.11) andei num candongueiro (espécie de táxi com destinos predeterminados, mal conservados e com pessoas enlatadas). Todos os passageiros, dos mais variados extractos da sociedade, reclamam o andar inverso das coisas em Luanda e no país.

Ruas feitas pocilgas neste tempo chuvoso, lixo nas ruas e mercados paralelos, aos olhos cegos dos governantes, delinquência aberta nas "barbas da polícia", e pior, ninguém faz nada porque ninguém vê nada! Os que deveriam ver e fazer, andam em carros luxuosos e com vidros fumados onde nem o cheiro nauseabundo penetra, nem os saltos os incomodam. O resto é Selva!

Parece-me que vivem duas categorias de pessoas em Angola. Os Homens (governantes e clientes) e os Selvagens (nós os simples mortais).

Uma coisa parece ser certa, já ninguém suporta a degradação da vida em Angola!!! Todos os dias há novos contratos de concessão de exploração petrolífera. Mais kimberlitos descobertos. Mais carros luxuosos dão entrada nos portos de Luanda, Namibe e Lobito. Porém, mais sem tecto nascem, mais desempregados, mais crianças morrem na pediatria por falta de medicamentos e camas, mais jovens se entregam à prostituição e äs drogas.
É absurdo notar que entre as jovens já é lema "prostituir-se pelo menos uma vez para subir na vida".

Estas são as crónicas de viagens ou canticos anónimos do povo, gritados aos ventos soltos nos autocarros públicos, nos candongueiros, nos bares, nas casas de liamba, enfim, onde o povo desabafa...
Essas crónicas que pretendo ver transmitidas ao grande público, sao a descricao de tanta anormalidade a que assistimos todos os dias. Quem as quiser ouvir é só meter-se num autocarro, num candongueiro ou num prostíbulo.
O caricato é que os próprios "louva corte" também já reclamam.

Por: Soberano Canhanga

quinta-feira, dezembro 01, 2005

CÂNTICOS ANÓNIMOS II


Tenho andado agora nos candongueiros (táxi), nos autocarros públicos e a pé. Não porque me apraza, mas porque fiquei sem o meu “rolante”, cansado de tantos remendos. Andar a pé e de candongueiro até dá gozo. Vive-se a vida verdadeira do povo.

Cruzo todos os dias com zungueiros, gatunos de telefones, estivadores em mercados paralelos, biscateiros de toda a sorte, Doutores de todas as áreas, caídos na desgraça, militares, polícias, enfim, todos os que não andam em carros luxuosos e com vidros fumados.

Oiço todos os dias músicas, ou melhor cânticos, alguns alegres, bafejados pelo vinho entorpecente. Outros de angústia causada pela vida que não anda.

Hoje, do aeroporto para o meu local de serviço, meti-me num azul e branco (táxi) onde o cântico era sobre as estradas que dão acesso à baixa.
"Muitas obras, estradas sempre estreitas, muito “engarrafamento” e notícias que só falam sobre milhões na comunicação social, quando o povo definha".

Vi também um coronel na conversa e conclui que os generais só não falam porque ainda não os ouvi. MAS QUEM SABE…

Do Hospital militar ao mercado dos “congolenses” (assim se diz ao contrário de congoleses que seria ideal) andei num autocarro da TCUL. O cântico foi sobre a vida difícil que “o povo leva”. Ouvi homens e mulheres a reclamarem a destruição pelo governo (?) do mercado do ASA Branca*, no Cazenga.

Ouvi dizeres como:
-" O povo vai morrer de fome".
- " A vadiagem e a droga vão aumentar".
-" Os assaltos vão piorar ".
-" Esse governo vai nos matar", etc.

Ouvi também argumentos como:
-“se eles passavam a vida a biscatear, vender qualquer coisa ou mesmo indicando o caminho para a compra disto ou daquilo em troca de um cem ou cinquenta, agora que acabaram com o mercado, a coisa vai ficar complicada”.

Ouvi ainda interrogações várias no mesmo cântico tais como:
- Como é que vamos fazé?
-Onde é que vamos cume?
-etc.

Ouvi outros cânticos anónimos na viagem, também de táxi, dos congolenses ao mercado da Estalagem e deste à Boa fé, ida e volta.

Ouvi apelos a “quem de direito” em expressões como:
-Mas quê que anda então fazé o quem de direito?
-Mas o presidente tá então a fazé só o quê, que não toma ja medida?

Ouvi depois argumentos como:
“o próprio presidente sabe”, e insinuações como:
“Deixa-lá, no Zaire também foi assim, mas chegou o dia”.

Um jovem demonstrando atrevimento ainda rematou:
-“ Isso só muda mesmo quando o kota bazar. De velhice ou de eleição”

*O mercado do ASA branca chamava-se "Ajuda o Marido" e foi assim rebaptizado em 1987 quando a TPA passava a novela brasileira Roque Santeiro. Na sua missão de ajudar o marido naquele tempo da ração planificada, ombreava com o também extinto " Tira biquini" ou "Cala a boca" e a praça das Corridas, actual "Tunga-ngo" (em kimbundu = constrói só). A extinção do Cala a boca deu lugar ao surgimentos dos mercados dos Kuanzas e do Roque santeiro.

Luciano Canhanga

terça-feira, novembro 01, 2005

SiLêncios que Gritam

Visitei o blog
http://desabafosangolanos.blogspot.com
e li com atenção um apontamento que rezava. "..os angolanos pensam no silêncio, até o político Lopo do Nascimento acredita que a maioria dos angolanos assim o faz"...

É... Realmente pensamos no silêncio.

Porque tenho certeza de que "Os gritos do silêncio ensurdam elefantes" e tombam.

Convido-o a ver o filme que retrata a Ditadura de Nicolay Ceaucesco na Roménia e a revolução que se lhe seguiu.

Um pouco por dentro...

Os polacos durante muito tempo foram proibidos até de comer carne... As máquinas de escrever foram confiscadas para cercear a liberdade de imprensa... muitas agruras foram cometidas... As casas, propriedades privadas foram demolidas e substituídas por prédios urbanos... o povo fingiu que não via nem sentia...Pensava no silêncio no que fazer. Agiu no silêncio até que chegou a hora.

Quando o povo pisoteado abriu a Boca fê-lo para não mais a fechar, e Nico Ceaucesco foi o último a saber que já ninguém mais morria de amor por ele. Até os próprios militares juntaram-se à população e o fim foi catastrófico para o ditador e esposa que viraram assaltantes de carro para tentar uma fuga inglória...

Há outras Histórias semelhantes. A revolução Francesa e a Revolução Bolchevique também foram pensadas e começadas no silêncio.

Passem pelos cafés, praças, mercados, escolas, tabernas e até pelas maratonas e oiçam o que o silêncio do povo diz.

É tempo...

Balumukeno!

Soberano

segunda-feira, outubro 17, 2005

Hojé é hoje

É hoje, é hoje, é hoje!

Já ninguém pensa em mais nada há pelo menos 8 dias! Ruanda X Angola na passada para o Mundial.
Nem me aguento de expectativa. De repente todos os elementos que para cada um de nós querem dizer “País” sem sequer darmos conta disso, ficam muito fortes! Já comprei uma T-Shirt com a bandeira nacional, acordo a cantar o “Angola tu és capaz”, e até fervo de vontade de ir ao Ruanda ver o jogo…Como se o facto de estar mais perto a gritar “Força Palancas”, mudasse alguma coisa.
Bom, para além da ansiedade podemos fazer pouco mais a não ser controlá-la o que é difícil se tudo os que nos rodeia diz que é preciso “ganhar ou ganhar”.Tentamos, Nelson
Traquina com o livro “A tribo dos jornalistas” tem ajudado; Beto e Cigala, um DVD chamado “El negro e el blanco”, que junta um pianista Cubano e um vocalista espanhol, enche as noite de muita qualidade musical e dá para relaxar. A Internet…também ajuda.
Em pleno surf cibernáutico, apanhámos a onda do “olho atento”, com informação sobre Angola. (http://olhoatento.blogspot.com/)
Se quiserem considerar publicidade, estejam à vontade.Nas calmas pois conhecíamos pouco as ondas em que navegávamos, fomos lendo o que nos davam de informação mas, sobretudo, de opinião. Temas para debate que, me parecem, fazem falta.
Encontrei um questionamento interessante sobre os critérios de noticiabilidade, ou seja, a eterna pergunta sobre o que transforma um facto em notícia.
Os argumentos podem ser debatidos sob novos pontos de vista, questionáveis, aprofundados mas a conclusão é a que nos é dada pelo b-a –bá do jornalismo: “O interesse do público sobre um determinado assunto transforma-o em notícia.”Pelo menos, dizem os livros, é assim que deve ser.
Bom, queríamos apenas situar a conversa em torno da obra de Wiza! Ao que tudo indica o cantor está na moda e, como estamos numa coluna de opinião, podemos acrescentar “ainda bem”!Pelo que pudemos perceber lendo o “olho atento” deve andar por aí um diz-que-diz-que sobre o sucesso de Wiza.
O articulista do blog, questionava no seu artigo se se pode considerar que a projecção de Wiiza se deva à ” máquina promocional da Maianga produções, ao fanatismo dos jornalistas ou ao interesse que o público tem pela originalidade e diferença de sua música?” e dava a resposta concluindo que por muita forma que tenham as máquinas promocionais ou os jornalistas é “o interesse que a originalidade e a qualidade da música despertam no público (...) é o próprio público que o valoriza. Os jornalistas neste caso apenas seleccionam e oferecem ao público aquilo que este quer ouvir ou gostaria de ouvir. “Exactamente.Perdoem esta conversa tão cheia de citações mas de facto pareceu-me importante partilhar o que li no “olho atento” (ouvido atento também, pelos vistos).
É que em todos os países do mundo se fala muito na “construção das mentalidades” que os meios de comunicação social acabam por fazer. E é, em grande medida, verdade. Noam Chomsky, um autor norte-americano, linguista que se dedicou também a analisar os fenómenos da comunicação, proporcionou-nos, há muitos anos atrás, um documentário intitulado “manufacturando o conhecimento”.
Nesse documentário defendia-se o argumento de que a comunicação elaborada pela imprensa acaba por ter um efeito de construção de uma maneira de pensar! Dependendo do tipo de sociedade em que vivamos, constrói-se uma ideia de certo e uma ideia de errado e ficam de lado as imensas hipóteses alternativas de raciocínio. A comunicação social acabaria por resultar mais condicionadora que libertadora das mentalidades.
Uma tese interessante e com a qual concordamos embora este espaço de conversa seja curto para aprofundarmos o debate. Mas em paralelo a esta perspectiva, recordo também Pinto Balsemão, um nome conhecido pelo império de comunicação social que ergueu em Portugal. Professor, há uns anos atrás na Universidade Nova de Lisboa, Balsemão defendia que contra a tirania dos média, a liberdade do receptor está no telecomando, ou seja, no seu poder de decisão.
É verdade que, no que à televisão diz respeito, as opções em Angola são nenhumas, mas se falarmos de rádio e jornais a decisão final é, realmente, do público. Não tem qualidade? Muda de frequência, ou de semanário! Parece fácil demais e poderíamos agora entrar em considerações sobre o nível de formação desse público, uma formação que o torna mais ou menos poderoso em relação ao conceito de qualidade das suas opções.
Deixamos isso para outras conversas.Hoje por hoje o aplauso ao “olho atento”, que nos proporciona o debate e nos deixa mais uma vez claro que no fim, por muito que se procure “construir uma maneira de pensar”, é sempre o cidadão que escolhe. Wiza tem qualidade e por isso o aplaudimos também.E já agora proponho que oiçamos com mais atenção a voz de Jandira.
A Pérola anda por aí, tem um disco gravado ao qual nunca tinha restado muita atenção mas quando a pude ouvir cantar, ao vivo, senti “temos futuro”. Se a Pérola quiser, claro, e não se deixar cair nas malhas da venda fácil de discos iguais que vendem muito por um tempo e depois deixam no esquecimento o nome de quem os gravou.
Nunca reparámos quanta atenção os jornalistas ou as máquinas de propaganda deram à Jandira, mas quando a garganta de Jandira solta e se arrisca, está aqui uma jornalista que sentiu que aquela voz é o facto pode vir a ser notícia. Só depende da cantora.…Pronto…agora, se nos leu antes do jogo, leia mais e controle a ansiedade.
Até p’ra semana.
BY: Paula Simons in "A CAPITAL"
tchilunga@yahoo.com

quinta-feira, outubro 06, 2005

Crónicas para minha Mana I

Crónicas para minha Mana

Kota. Perguntaste-me na tua mensagem como estávamos.
‘Tamos a viver. Com os nossos mortos que choram todos os dias, menos chuva que lhes molha e menos gatunos que lhes roubam os caixões e até vestimentas.

‘Tamos também a trabalhar com toda danificação possível da alma e do espírito. Parece que me enganei. Não são mesma coisa alma e espírito. Sei que a kota entende.

Aqui em Luanda José Educa já disse ao Soma kurva "fica só calmo põe mais mulher na lista e vou já tirar Libertina Ama kuacha da Nguvulação". José Educa disse também no Soma kurva para não lhe “ameaçar” mais porque vai já remodelar outros kwachas que não lhe estão agradar mais no poder.Então, ou Soma kurva aumenta mulher na lista para José educa tirar Ama kwacha da saúde ou no gurn da UNITA não se toca mais.

Na UPA também o velho Colder ‘tá pedir mais dinheiro. É isso mesmo, mais massa, kumbú.
Quer já pensão vitalícia para não se meter mais no “viva, viva ou abaixa, abaixa”. Parece vai mesmo se retirar. O comité nuclear dele já elegeu também o burro-ó político. E Sanzala é chefe de Educação e quadros. Há outros nomes desconhecidos.

Mana também ainda não te contei que o irmão do mano Samuel Avenida me ameaçou.
Entrujaram-me que ele viria para ler o comunicado da diáspora e quando um Fenula desconhecido estava já a ler com bué de palmas que lhe estavam a bater, fui perguntar ao Velho Paulo quem era. Ele mentiu-me mais que era o Samuel Avenida. Foi aí que irmão dele que ouve a nossa rádio mais do que a directora, ficou já foribundo porque meteram nome do kota dele na confusão. Até escapou mesmo já se meter no ringue com Kizembo. Mas era só no telefone. Quando cheguei contei-lhe toda verdade verdadeira do entrujamento que me meteram no congresso do "bilo" e ele ficou manso, mansinho, calmo que nem cãozinho com frio. Era só truque dele.

E a propósito mana, esses irmãos da Fenula gostam mesmo do "bilo" Era todos dias. Porrada, mais porrada, até mesmo decisão não estavam a tomar bem. Até que Wilma Tontém da intermediação lhes propôs um Nguvulo só de dez meses para o Velho Colder e fazer outra reunião de eleição. Lucas Ngoné ficou Primeiro adjunto e Angola Kabou ficou segundo. No lugar de secretário-geral meteram lá Chico Mentes. Dizem que cargo dele era igual no governo de Lucas Ngoné. Este, continua mesmo bué Ngoné porque quer ganhar, mas parece estava para perder com aqueles velhos todos a seguir no rasto do Colder.

Perdeste, mana, esses bilos todos da Fenula, mas estás ‘mbora a ganhar com as ele-sons da América. Conta-me depois, mana.

Tchau e diz-me agora onde estás, mana, para eu saber também. E depois guarda esta carta para me dizer quê que a mana está a achar da minha brincadeira. Aliás, desculpa-me, mana, porque com kota não se brinca, a menos que a mana diga que posso brincar.

By: Soberano Canhanga
Novembro 2004

O QUE VENDE O JORNAL (Inflexao)


Muitos comerciantes se perguntam como é que suas lojas que possuem prateleiras melhor arrumadas e mais apetrechadas que outras registam menor clientela.
_Não será a forma como os proprietários e ou os funcionários soltam o pregão (1) a razão que as diferencia?

Há no comércio uma máxima que reza: “Vender todos podem, porém vender muito só os mais hábeis”. Tal acontece também com os órgãos da comunicação social.

Muitas rádios, muitos jornais, muitas televisões, mesmos assuntos de reportagem e ás vezes mesmos profissionais no caso das grandes empresas de comunicação (2) porém as vendas e as audiências são diferentes. Porquê?

Talvez disséssemos que os recursos humanos são peça importante. O grau de instrução, nomes ou não sonantes, experiência profissional, etc. _Mas que tal de mesmos profissionais que trabalham para mesma Holding?

_Quantas boas e grandes notícias ficam por ler ou ouvir porque foram mal tituladas? _Quantos jornais voltam à casa, para o museu ou arquivo não por serem mal escritos ou por não possuírem boas notícias, mas porque estas foram mal publicitadas?

A forma como veiculamos a notícia e como os órgãos se relacionam com o seu público constituem-se nos grandes pregões. São como a peixeira que lança o seu pregão e contacta todos os dias os seus clientes sobre eventuais necessidades. O cliente gosta de ser surpreendido com o que quer, mas é preciso saber anunciar o que se tem. -Diz um velho livro de marketing.

Em rádio bons títulos e bem geridos levam o ouvinte, por mais pressa que tenha, até ao fim do noticiário. Tal acontece também em televisão onde as imagens falam mais do que as palavras. Na imprensa um bom título ainda que isolado, oco ou mal suportado no seu interior vende o jornal.(3)

Titular, porém, não se afigura como tarefa fácil. Porque todos podem ser excelentes repórteres e exímios redactores, mas titular é uma especificidade do jornalismo moderno. Aqui são chamados ou deveriam ser chamados os mais hábeis e experimentados, já que “é o pregão mais forte quem mais vende”. Na ausência de especialistas, o ideal seria ouvir as sugestões do conjunto de jornalistas da redacção. _Quantas vezes um bom título é sugerido pelo motorista?

_Sem nos esquecermos da “relação de pertença ou de cumplicidade”(4) que se estabelece entre os órgãos da comunicação social e os seus receptores, ”Criar interesse e levar à acção”, como aconselha a publicidade, deve ser tarefa do indivíduo que titula. Se assim acontecer HÁ COMUNICAÇÃO.


1-Pregão é aqui entendido como a forma como são geridas as relações com o público e a forma como é feito o marketing.
2-Há conglomerados como a Media Capital ou Impresa em Portugal que por si só juntam rádio, imprensa e televisão, reproduzindo as mesmas matérias nos diferentes órgãos que compões a holding.
3- Há títulos únicos que vendem o jornal por inteiro. Também há títulos que falam mais do que as notícias e aqueles que não dizem o que anunciam.
Sobre estes dois últimos aspectos deve ler: o artigo “Títulos que dizem mais dos que as notícias” desta série.
4- É importante que órgão tenha o feedback e saiba na medida do possível satisfazer a expectativa dos seus ouvintes, leitores, telespectadores que são ao fim ao cabo os seus clientes.

Soberano Canhanga

sexta-feira, setembro 30, 2005

InFlexões VI "Até que enfim...estamos lá!"

Até que enfim…estamos lá.

Depois da vitória da selecção nacional de futebol no Ruanda por 0-1, resultado que serviu para o apuramento de Angola ao Mundial de Junho na Alemanha é agora a vez da reflexão.

Reflexões em torno do “Day After” marcaram a manhã da LAC de Segunda-feira, 10 de Outubro, com entrevistas a conhecidos dirigentes desportivos como Rogério Silva que já dirigiu por mais de uma década o Comité olímpico Nacional, economistas como José Cerqueira conhecido pelas suas análises e pelo SEF de que foi pai, e empresários da praça Luandense.

Cada um à sua maneira, com as habilidades que tinha, com os conhecimentos possíveis ia analisando e reflectindo apanhando um canto do “globo”. Os jardineiros e lavadores de carros por sua vez, analisavam as fotos do acto de recepção dos campeões chegados a Luanda no Domingo, dia 9 de Outubro, e não era despropositado que tal tivesse acontecido entre os homens da higiene: Na véspera tinha faltado energia eléctrica em muitos bairros da capital e nem todos puderam, ver na televião a chegada dos palancas Negras. Há que servir-se das fotos publicadas no Jornal de Angola.

Aqui, no diário nacional com o título “Bravo!”, apresentava-se o presidente da república e sua esposa de um lado e o capitão dos Palancas Negras Akuá, de outro lado, todos sorridentes.

Na expressão facial a Primeira-Dama parecia dizer "parabéns" a Akuá e o presidente a dizer “Bom Trabalho” elogios a que o capitão correspondia com semelhante sorriso e alegria.

Porém, à medida que vamos baixando reparamos que falta correspondência (pelo menos é o que parece numa primeira impressão) nos “apertos de mão”. O Presidente da República segura com a mão esquerda o braço direito de Akuá, mas mantém o braço direito esticado e a mão a “apertar vento” pois o capitão da selecção de futebol já a tinha soltado (depreende-se) e “a caminho” de apertar a mão de Ana Paula dos Santos.

Foi aí que um dos “lava-carros” chamou-me a perguntar:
_ "Kota Canhanga! Já viste esta foto? Parece que Akuá ‘tá ‘mbora a dar um corte no presidente". Porque? - Ironizou o rapaz.

Ao questionamento do rapaz seguiram-se várias análises de carácter técnico e outras meramente intuitivas. Um debate que não ficou pela LAC onde jornalistas perderam cerca de vinte minutos a olhar para foto e a colocar vários “ses”.

Se o presidente avançava para outra pessoa, se a Primeira-Dama apressou-se a esticar a mão e Akuá foi forçado a largar a mão do presidente, se tal, se…

“Ses” que foram parar ao curso superior de comunicação social do ISPRA e que continuaram a ser “ses”.

Construíram e desconstruiram a mensagem, no caso a foto, tentando enquadrá-la em vários cenários e mesmo assim continuaram os “ses”.
-Se o fotógrafo tivesse tirado exactamente o momento em que “cara-a-cara e Mão-a-Mão” o presidente e Akuá trocavam saudações não teria a foto sido melhor expressiva?

Uma pergunta que continua no ar apesar de mais de uma hora de discussão entre estudantes do terceiro ano de Comunicação Social.

“Olhoatento” já sabe que a foto foi tirada no momento em que o presidente se preparava para saudar o jogador que vinha atrás do Akuá, porém nada melhor do que ver a foto no Jornal de Angola e Jornal dos Desportos, ambos do dia 10 de Outubro de 2005, e criar a sua opinião em relação à mensagem.

By: Soberano Canhanga

OS TERRORISTAS, OS INSURRECTOS E OS RESISTENTES (inflexao)


Especialistas em comunicação calculam em mais de mil e quinhentas mensagens que nos chegam todos os dias aos ouvidos ou aos olhos.
Destas apenas dez por cento são percebidas com clareza ao passo que um por cento tem retorno, ou seja são reenviadas ou respondidas.

De igual forma, das milhentas mensagens que nos chegam via órgãos da comunicação social, muitas são palavras e outras tantas palavrões, ou seja, termos e epítetos que nada nos dizem ou que não têm qualquer enquadramento na nossa semântica e até mesmo ortografia do português usado em Angola.

"Palavrões" como Terroristas e insurgentes para caracterizar elementos que num determinado país lutam para se livrarem de invasores levam-nos realmente a uma reflexão por mais curta e despercebida que seja.
-Quem são os insurgentes, os terroristas e os resistentes?

Nos dias que correm marcados pela publicitação do americanismo, seus feitos e defeitos, na imprensa internacional através das grandes agências e jornais de grande tiragem internacional, é difícil passar-se um dia, uma hora, ou senão mesmo um minuto sem uma informação que fale sobre a guerra no Iraque. E é no que toca à designação ou denominação dos iraquianos que lutam com todos os meios contra a presença anglo-americana que começa a bronca.

Não sei, confesso, se os iraquianos são terroristas como os chamam os americanos e seus pares que ocupam o país alheio sem motivo plausível, insurgentes como os tratam os brasileiros ou resistentes, termo usado por alguns jornalistas que procuram não alinhar com os dois primeiros adjectivos.

Folheando o dicionário reparamos que: Terrorista: É todo aquele que comete o terrorismo definido como: Conjunto de acções violentas contra o poder estabelecido cometidas por grupos revolucionários, envolvendo em regra atentados contra pessoas e propriedades.
Insurgente: é um termo brasileiro que deriva de insurgir ou seja rebelar-se ou revoltar-se contra...
Por sua vez Resistente é definido como: defesa própria de quem luta contra movimentos externos, que opõe resistência, membro ou combatente da resistência aos invasores.

Ponderados os porquês, e não sendo os jornalistas partes de conflitos geo-políticos nem estratégicos de países ou Estados, mas apenas transmissores de realidades concretas, sou de opinião de que é a terceira designação mais adequada ao nosso "linguajar" ao mesmo tempo em que incentivo meus colegas de profissão a enveredarem por termos que não estejam colados aos equilíbrios e desequilíbrios da política externa, pautando por uma terminologia que se adeqúe a todas as circunstâncias políticas e geográficas.

Já que nós fazemos a História, quero com isto dizer que o "terrorista" iraquiano que luta hoje pela sua pátria pode ser o herói de amanhã tal como o foram os vietnamitas. Como também os mesmos "terroristas" com quem nosso país não tem hoje relações nem políticas nem económicas podem tornar-se amanhã os nossos melhores amigos.
- Seremos nós amigos de terroristas?

Lembremo-nos de que já amaldiçoamos os Imperialistas do Ocidente que são hoje os nossos "amigos de copo".
Tratar os iraquianos por Resistentes não fica nada mal. O resto que fique para os políticos e os militares!

Soberano Canhanga

terça-feira, setembro 27, 2005

No aniversário só vaias

Nem mexida ao subsídio de sangue, nem prémio para jornalistas

Aos treze anos entra-se para a adolescência. Os pais esperam mais do menor a caminho de se tornar maior, os professores exigem mais, e a sociedade também. Porém, connosco tudo na mesma.
Treze anos com uma festa obrigatória, muitos discursos ao vento, muita blasfémia e blá, blá, blás... que não encheram sequer um saquinho.
Obrigados a comer e alienados mais uma vez pelo alcool distribuido propositadamente em catadupas, a fome em casa continua. Aos subsídios de sangue nem um tostão, e nem prémios levamos.
O destinado a jornalistas no valor de Usd 2500 oferecidos pela SAL foi parara às mãos de um analista, os técnicos foram "obrigados" a "se organizarem", igual "despacho" dado aos administrativos que há dois anos vinham subtraindo inexplicavelmente Usd 500.00 do bolo dos jornalistas.
À Kieza vencedora da edição passada do prémio LAC/SAL de jornalismo coube uma menção honrosa, sei lá por quê, quando ao grosso de jornalistas que acorda há cinco anos às cinco horas da manhã que não vê os filhos porque deixa-os a dormir, e os encontra também a dormir, sequer uma palavra de apreço foi dada.
A Nguvulação, esta burguesia, que se esqueceu de que um dia trabalhou como nós, parece apostada numa exploração rígida e cruel pensando não termos outro sítio para onde cairmos.
Se considerarmos que um ano comercial para as empresas é o espaço que intermedeia uma festa e outra, então estamos a mais um ano, sem um kuanza sequer de acréscimo ao Subsídio de Sangue. E como "ninguém merece aumento" pela "desgraça" que lhes causamos que é aumentar a riqueza deles, também ninguém teve direito aos prémios.
Caso contrário, no mínimo teriam pensado em quem faz o comentarista falar, quem recria os factos e dá-lhes valor, endoçando-os aos comentaristas.
Sem demérito para o Victor Aleixo que na sua condição sénior até merecia um Maboque, verdade seja dita: Não faz jornalismo na LAC e não é merecedor de um prémio para jornalistas da casa a menos que se crie um prémio para comentaristas ou outra forma de compensação que não a encontrada.
Mais ainda, o Víctor a quem todos nós reconhecemos qualidades jornalísticas quando exerce de facto o papel, é comentarista da TPA e da RNA para além da LAC.
Quanto à nossa colega Kieza, não tem culpa pelos caprichos da chefia e talvés seja até a forma encontrada para colocar o mundo contra ela. Quem sabe?
À Kieza Silvestre os meus parabéns pela tão "merecida" menção honrosa que (des)honra a todos nós que damos o litro todas as manhãs e tardes nesta rádio.
Dar "a César o que é de César" e aos jornalistas o que se disse ser deles, seria ideal, porque
-Mais trabalho, nunca aumentos e sem prémios é realmente um homicídio voluntario e colectivo.

Soberano,LC.

sexta-feira, setembro 23, 2005

O QUE FAZ UM FACTO TORNAR-SE NOTICIA ( Inflexao)

Muitas vezes perguntei para mim mesmo e aos colegas da redacção o que transforma um simples facto em notícia. Se a carga publicitária sobre o mesmo ou o interesse que suscita no público a que se destina. A resposta nem sempre foi a mais consensual.

Ordenar matérias jornalísticas é "uma faca de dois gumes". Uma operação que pode atingir os efeitos desejados ou provocar efeitos inesperados, diz o livro de estilo do "Público".

A elaboração da pirâmide de importância noticiosa é por si só objectiva quanto subjectiva.

Objectiva no sentido em que o jornalista é por si só um elemento social, conhecedor da realidade circundante e das necessidades informativas dos seres com quem partilha ideias e sentimentos, ou seja, a sociedade no seu todo.

Subjectiva porque é o jornalista de forma isolada ou o conjunto de jornalistas de uma redacção que hierarquiza as notícias conferindo-lhes uma suposta importância a partir de critérios internos sem que os destinatários fossem consultados na feitura das manchetes.

Entretanto, quer queiramos quer não, "o tempo que não perdoa" obriga-nos a tomar decisão. _Há que hierarquizar as notícias a difundir e é isso que nos leva ao debate.

Uma pré-conclusão:
É o interesse do público em relação a um determinado assunto que transforma esse facto em notícia. Ao jornalista cabe ordenar os factos em função da avaliação que faz do possível interesse público, criando uma "pirâmide de interesse". Porém, este ordenamento não deve ser imposto na medida em que se o jornalista pretender transformar em notícia um facto que não suscita interesse, jamais o conseguirá, já que :

- Se o ouvirem (facto) ninguém o perceberá visto que a ninguém interessa senão ao seu autor.

-Se o perceberem ninguém reagirá.

Note-se que a comunicação pressupõe a chegada da mensagem e a reacção do receptor em função do recebido. Só assim se poderá dizer que a comunicação foi efectuada sem ruídos.

Tenhamos como exemplo o músico Wiza*. _Quem o faz ser notícia na rádio, televisão e imprensa?

_A máquina promocional da Maianga produções, os fanáticos jornalistas ou o interesse que o público tem pela originalidade e diferença de sua música?

Se for o interesse que a originalidade e a qualidade da música do Wiza despertam no público, então é o próprio público que o valoriza. Os jornalistas neste caso apenas seleccionam e oferecem ao público aquilo que este quer ouvir ou gostaria de Ouvir. Isto é COMUNICAÇÃO.

* Wiza: é um músico da nova vaga surgido do nada. Era empregado de limpeza numa editora que reconheceu nele dotes para a música tendo investido no rapaz.

Soberano Canhanga, 10 de Fevereiro de 2005.

sexta-feira, setembro 16, 2005

A FOTO E O SOM NO JORNALISMO (Inflexao)

A apresentação de testemunhas sempre acompanhou os grandes discursos desde os oradores homéricos da idade clássica aos dias hodiernos. Juntar uma foto num texto jornalístico é para além de complementar a informação nele prestada, também uma forma de testemunhar. De dizer estive lá. É o mesmo que se passa na Rádio quando se entrevistam intervenientes de um facto.

Um dos debates actuais ao nível das redacções é sobre a relação existente entre a Foto e o texto jornalístico nos jornais e o texto e os registos magnéticos nas Rádios.

A nível da imprensa, jornalistas e editores de fotografia questionam-se sobre o papel da Foto como complemento do texto ou até como substituto da palavra escrita.

"Há Fotos que 'matam'. Imagens que revelam aquilo que a palavra nunca seria capaz de descrever"1. Porém, há aquelas que contradizem a narração e é esta contrariedade que cria o debate.

Na imprensa ainda é válido o provérbio chinês que reza que " Uma boa imagem diz mais do que mil palavras", que dizer, porém, do papel e da força da palavra falada (registo Magnético) na Rádio. _Chegará esta um dia a substituir o clássico texto herdado da imprensa?

A resposta é obviamente Não. Na Rádio o texto sem palavra* é oco, tal acontece com o som sem texto. Daí que o debate actual ao nível das redacções de Rádio centra-se no papel do RM (Registo Magnético) numa peça jornalística.
Elemento credibilizante da narração, como a Foto num jornal, o RM deve ser usado com parcimónia. Sons longos desviam a atenção. Porém, sons curtíssimos mutilam a percepção.

_Que tal situá-los entre os trinta segundos e um minuto, a contar com a importância do assunto ou de quem fala? O mesmo que se passa na imprensa onde se recomenda a evitar a Foto como "tapa-buracos" na Rádio o som não deve servir para "encher". É um elemento imprescindível à "feitura de Rádio" cuja missão é testificar, credibilizar os textos e confirmar.

Se assim for, HÁ COMUNICAÇÃO.


Luciano Canhanga


1-Wemans- in "O público em Público, pag. 37
* Palavra no sentido de Registo Magnético.


quarta-feira, setembro 14, 2005

TITULOS QUE DIZEM MAIS DOS QUE AS NOTICIAS (Inflexao)

Títulos que dizem mais do que as notícias e títulos que não dizem nada são uma constante no jornalismo, i.e, nos órgãos de imprensa, quer nos audio-visuais.

Para os escritores começar pelo título em vez do texto é um exercício pacífico. Esta operação é porém complicada para jornalistas que têm de titular depois de escrita a notícia, correndo os riscos de se atrasarem na sua divulgação, já que para além da preocupação com o conteúdo da matéria têm de encontrar a melhor forma de vendê-la.

-Quantas vezes se escreve uma notícia e não se sabe qual o título a atribuir?. Esta é uma das minhas constantes preocupações.

Titular é realmente coisa difícil e só os verdadeiros artistas o conseguem num abrir e fechar de olhos porque há titulos que dizem mais do que o texto e títulos que não dizem absolutamente nada.

Há poucos dias cheguei á Faculdade em que estudo comunicação social e deparei-me com um caso que tinha passado escapado `a nossa mania de comentar "as fortes do dia".
Tinha acontecido de véspera o fim da primeira ronda do Girabola ( campeonato angolano de futebol, primeira divisão9 e o título do principal jornal desportivo era exactamente este:

-"Proletários vencem com ajuda do árbitro".

Bom pregão para vender o carapau. Porém, aberto o jornal em nenhuma de suas páginas se fazia referência ao nome do suposto árbitro que terá ajudado a equipa do Primeiro de Maio de Benguela a vencer o jogo, nem as circunstancias que levaram "o artista" a escrever tão chamativo título. Pior ainda porque nem a equipa adversária se queixou da suposta má arbitragem.

O pregão pegou porque foi forte e o jornal estava em quase todas as carteiras dos apreciadores do desporto-rei ( futebol em Angola). Só que o peixe comprado nem era peixe. Um sardão, talvez, dada a desilusão criada naqueles que o adquiriram para conhecer o árbitro " batoteiro".

Quantas vezes nos deparamos com exemplos como este ou desiludimos os ouvintes, leitores e outros com títulos que dizem o que não se escreve nas notícia, ou que dizem mais do que estas?

Jorge Wemanas, antigo Oubundsman do Público, aconselha a propósito que entre " um título descritivo e sóbrio, mas vigoroso, e outro que se reduz a um mero jogo de palavras, o primeiro será a opção correcta".

Vamos pois titular com sobriedade, procurando não esconder conteúdos nem dizer mais do que aquilo vem expresso no nosso texto jornalístico!


Soberano Canhanga

sexta-feira, agosto 19, 2005

Nos anos da Mana só uma cor...a amizade


Nos anos da Mana* só uma cor. Amigos sem pele, sem protagonismos escondidos em gravatas ou sexo. Amigos sem idade, sem terra, sem arrogâncias dos gabinetes e sem dicionários a desfilar sabedoria. Amigos só.

Valeram os anos da Mana, uma tchoko-indo-luso-angolana ( que origem!) que juntou libolenses, luandenses, lisboetas, santomenses e gente doutras "enses" em grito único e cordial.

Nos anos da Mana, não se fez refrão doutra estrofe que não fosse a amizade. Até Cuecas e Boxers cantaram.

E foi em nome dessa amizade que políticos inabraçáveis num passado de memória fresca ajudaram a Mana a apagar as velas em amena cavaqueira. Sorrisos e abraços só...

Todos sem óculos disfarçantes dançaram em pista multi-estilos, representando outros amigos tocados pelo critério da representatividade. Juntando areias em montes ou moendo farinha, espalhando mobília ou tocados pelo frio de nunca terem aprendido sequer um toquinho todos cada um do seu jeito dançaram pelo menos com a alegrioa de lá ter estado.

Até fugitivos dançaram ao ritmo da amizade nos anos da Mana que irradiou exemplos de ser e de estar numa sociedade onde não se conhece o puro ou o natural.
_Que venham os oitenta e Sempre sem Raça!

*Uma homenagem a Paula Simons a propósito do seu último aniversário.

Soberano Canhanga

segunda-feira, maio 30, 2005

" Olho Atento" Edição nº 19 de 30 de Maio 2005

Nesta edição
Reprodução do que pensam os sócios


Caro Director do "O olho"
Desatento e cheio de caricias foi abrindo cada porta na vida de um
sonho...O de olhar para além do que o "o olho" olha..."O ollho"
ganhou e vai ganhando espaços nos nossos corações...Estou a lê-lo
hoje uma semana depois das nossas separações e lembro-me das fugas
das 10 horas do Canhanga para a sala de internet...Vizinho muito
obrigado por este espaço que vou tentar aproveitar ao maximo...
Abraços e carinhos...
Helmer Araújo

quarta-feira, maio 18, 2005

"Olho Atento" Edição nº 14 de 18 de Maio

Dinheiro para livros
A reclamação do Bochecha


Bochecha é um jovem escritor da África Negra Portuguesa.
O jovem é participante a um curso em Portugal oferecido de borla a homens de sua carreira vivendo de 41 Euros/dia, com alojamento e lavandaria pagos.
Bochecha tem almoços ao custo máximo de 4,5 E. e possibilidade de jantares que lhe custem 10 E.

Atendendo que ao longo da sua estadia fora de casa tem necessidades de comunicar com a família num gasto médio diário de 5E., Bochecha pode gastar até 20 Euros/dia o que pressupõe uma poupança diária de 21 Euros que chegariam para dois ou um bom livro.

Contrariamente ao que se espera, ver e ouvir o Bochecha a pedir dinheiro para poder carregar os livros para casa, o nosso "coleccionador de divisas", mais não fez senão pedir dinheiro para livros!

Se atendermos que Todos os colegas de Bochecha têm salários intactos nos órgãos de procedência e que a bolsa recebida é somente para sustentar a formação que inclui, acesso à Internet fora da Universidade, frequentar bibliotecas e outros locais de investigação, somos a apelidar o nosso Bochecha de coleccionador de divisas.


O fim do Curso*

Frase do dia
" Sei que muitos dos meus colegas não vão gostar mas tenho que dizer..."
Salvador Gomes

Frase da Semana
" Confesso que não fui às visitas, mas gostei do curso...."
Helmer Araújo (G_Bissau)

*Por:Ouri Pota

NA HORA DO ADEUS**

"....Sei que muitos não vão gostar mas tenho que dizer..." Esta é uma frase que faço plágio a um colega do curso" Salvador Gomes (G_Bissau).

Na Hora do ADEUS, as verdades e as saudades são o prato forte, sendo assim confesso que durante muito tempo o Blog "OLHO ATENTO" não pautou pela imparcialidade pois descobri que o accionista maioritário é o senhor FERNANDO BORGES, também proprietário da empresa FUBU, razão pela qual nunca foi citado no Blog.

Um outro homem que nunca será citado pelos seus feitos, é o General Alves, este que na primeira edição do Olho em formato A4 ameaçou virar o OLHO para zarrolho em um só minuto...confesso que nada é fácil, como se pode ousar falar contra um pai, ou melhor contra um doador.

É o sinal de que ainda estamos sobre uma dominação, neste caso O" OLHO" é um olho Zarolho quando se trata de assuntos relacionados com os accionistas ( "Madre Tereza" Nancy, ALves, Fernando Borges)
**Pota

terça-feira, maio 17, 2005

"Olho Atento", Edição nº 13 de 17 de Maio


A Crónica do “olho”
O subir da crista do galo.
Viviam com o seu criador uma gata e um galo. Todos em idade jovem.
Despreocupado com assuntos caseiros, o dono, fazia de sua vida o mais belo possível. Praias, cinema, convívios festivos, namoradas, enfim.

Uma dose de hobbies preenchiam os espaços em branco da sua carregadíssima agenda.

Não eram porém descuidados os “pets”. Comiam, era limpos e assistidos sanitáriamente. Até educação sobre como se comportar em caso de recepção de visitas em casa isso tinham.

Sempre que se encontravam a sós, e como eram dois animais em idade púbere, a ausência de um parceiro de mesma espécie levava-os a partilhar momentos “íntimos”, talvez.

Aí surge a violência da gata. Sempre na sua arrogância felina eriçava os pelos, puxava unhas e em gestos simples atirava-se contra o galito.
-“pernas e asas para que te tenho”, pensava e desaparecia fazendo morada a figueira do quintal. Seus semelhantes, os beija-flores e Maria celestes faziam-lhe companhia.

Ao aturar intenso de situações constrangedoras, embora à cegueira do criador, o galo puxou coragem e decidiu não mais brincar, o que constituiu outra tristeza para a gata que aliou a violência física à verbal. –Puro engano.

Lembrou-se o galo de que tinha uma crista que quando agitada era capaz de amedrontar o mais violento dos felinos e um esporão.
Ao primeira retorno à moda antiga, o galo não mais fez e,...
Violência gerou violência. Desta vez a vítima foi a gata.

Qualquer semelhança com um caso real é pura coincidência.

NR: enviada por: Preto Gentio ao email verdades1@hotmail.com


As piadas do “Olho”

Num WC.

A Pubicidade de uma companhia telefónica rezava:
- Envie uma mensagem com a mão livre.
Que estará a fazer a mão ocupada no caso masculino?
E se for uma mulher?
_Quem foi a Vodafone viu e ouviu.

O médico e o diabético
Francisco vai ao médico e lhe é diagnosticado o excesso de açúcar no sangue. Qual a reacção do homem?.
_Dr. Já sei. Por isso é que a Maria, lá em casa, está sempre a dizer. Ai Francisco está doce!

Quem o diz é a bola

- Pai pobre é destino. Sogro pobre é burrice.
- Sabedoria quando demasiada vira bicho e atira-se contra o dono.
- Amigos nós os fazemos. Família o diabo dá.

Linguas

Sogra é:
Em Russo = Sostrova
Em Japonês= Atura-tú
em Kimbundu=Ngal’ótunda kiá
Em árabe= Al-vibora

O sexo do padre

Canhanga convida os directores para uma foto e aparece o Pota que é afastado.
Depois é a vez da Josina pedir uma foto só de mulheres. Quem tinha ela abraçado para a foto?
_O padre Bemvindo!

Nota dez

Na avaliação final sobre o III Cursos de jornalismo destinado aos PALOP em Portugal, promovido pela fundação Gulbenkinan, um dos pontos pedia a indicação de três aspectos positivos do curso e três negativos.
Resposta de uma das folhas
1-Possitivos:
1.1.-Comida barata e muita "massa"
1.2. –Não intromissão em sexualidade alheia
1.3.- os livros de borla
2. Negativos
2.1-O sono de um dos santomenses
2.2.-As desaparições de um dos angolanos
2.3.-A pronúncia de um dos cabo-verdianos e o golpe do Kumba.

Inacreditável
João nunca usa o bacio. Terça-feira vai ao médico e lhe é pedida urina para exames médicos. Ao amanhecer faz urina no bacio que inadvertidamente a mulher entorna na sanita. À hora de partida e com o frasco na mão, João pergunta à mulher onde estava a urina que era para o exame.
Esta, aflita vai à casa de banho, substitui-a pela sua e dá ao marido.
Qual o resultado da análise?
- Gravidez!

sexta-feira, maio 13, 2005

"Olho Atento", edição nº 11 de 13 de Maio

"Olho Atento", Edição nº 11 de 13 de Maio

Visões Breves do "Olho"
A chegada triunfal
O "Marujo" esteve ausente por alguns dias. Assuntos pessoais ou profissionais o terão posto fora do relvado. Quando os apregoadores do"Diabo" faziam passar falsa mensagem de que o Marujo apenas no primeiro dia da semana se faria presente no D.Manuel I, ei-lo gordinho, careca e fumegante. Marujo é realmente um homem de surpresas. Valu, meu mano.
Fim "Di Curso"1
Para uns o fim do curso será a 19 deste mês para outros "o curso já era". Aguardam apenas pelo diploma. "O olho" sabe quem são e eles também o sabem. Só que não divulgamos nomes.o nosso apelo é desde já para o regresso aos "sermões". Vale apenas aprender ou fazer passar alguma mensagem.
"Fim di Curso" 2
Quanto à tese os Angolanos já vão a bom passo que tal dos outros. "O Olho" sabe que os manos do índico estão encravados porque os academicistas querem fazer vincar o principio de construção científica de trabalhos( Intrudução, desenvolvimento, conclusão, bibliografia) que não encontra eco na força da tarimba. Ao ser verdade, " O Olho " apela ao equilíbrio. Alguém tem de ceder. E que tal dos Santomenses?-Se estiverem sem soluções que se juntem aos bons. "Sempre foram nossos filhos"_dizem os sete angolanos.
A Guiné é mesmo um caso perdido?
-A equipa está reforçada. Que venham as críticas, o Helmer responde.
E os cabo-verdianos?.
-Bons filhinhos, querem comer e beber no club dos pais ( União europeia). Será que dará certo?Já há quem diga quem mudem de continente. ( Já viram africanos na Europa comunitária?)
Notícias Finais
"O Olho" vai à consulta oftalmológica Sábado e Domingo. Segunda-feira volta a ver.
......
Atenção ao dinheiro para o cavalo do "Sem Medo". Promessa é dívida.Cada deve contribuir E.50.00.
E Olhem! O "cda" ficou sem um casaco.
_Ao dono o que é seu. Já cristo dizia para que se desse a César o que era do César e ao Sr. o que lhe pertencia.
Anedota para dizer o significado
uuuuu obdc UUUUUUUUU.

quarta-feira, maio 11, 2005

"Olho Atento", Edição nº 9 de 11de Maio

Editorial

Hoje.

Concretamente passam 30 dias do início do III curso de jornalismo destinado aos palop, uma promoção da Fundação Gulbenkian e da Universidade Católica Poirtuguesa.

Também hoje "O Olho"assinala 11 dias. A contagem do tempo é já regressiva, a saudade dos que ficaram começa a ser substituida pela saudade dos homens e mulheres com os quais convivemos e conviveremos ainda até 19 de Maio.

E é a pensar nos laços cimentados e nos desencontros a acontecr que a saudade se fundamenta. Para tal, " O Olho" assume-se como elo de ligação.

Todos estão convidaddos a deixar aqui suas "marcas", suas lembraças, seus sentimentos e afectividades.

Continuar a ligação à distancia e fazermos dos sentimentos que nos unem uma eternidade.

Que falhem os telefones, que haja desencontros, mas a net e o http://olhoatento.blogspot.com , o nosso blog, estará sempre activo para matar saudade e trocar ideias.

Nesta hora em que a contagem é realemnte regressiva, vale também dizer, olá Dra. Nancy, Valeu.
By:LC.


Adeus à hora da largada.

Um poema conhecido que nos remete à poesia libertadira aqui evocada apenas para retratar a saudade que nos fazem os colegas que se ausentam por períodos preocupantes.
Não citaremos nomes, porque cada um é responsável pelas suas ausências.
Aliás, cada tem seus motivos. "Todos viemos pela confiança particuilar depositada em nós pelos organizadores". Não nos faça-mos de "julgadores de Judas".
Queremos tão somente dizer que já preocupa a ausência de alguns camaradas.
Não sendo "mujimbeiro de corredores" nem de conversas ocas de autocarro, o "Olhoatento" quer apelar ao bom senso.

Apeguemos-nos à nossa afectividade com os "camaradas em falta" sem que nos convirtamos em detractores.

Bem haja!



BREVES( do Pota)
SEGUNDA FRACÇÃO, da Madre tereza de Calcuta "Nancy"
Já se esperava a hora do anuncio da segunda fracção. A Madre Teresa começou por anunciar os moldes como deveriam ser feitos os trabalhos da mesa redonda. Nenhum sorriso aparecia, dado por triminado, um sorriso práctico e conhecedor das crises financeiras para os paises africanos, Madre Teresa optou por um" tchaa, tcha, tchaaaaaaaa...." e informou a segunda fracção esta aqui....de seguida a face de cada um dos cursantes mostrava um sorriso de como haviam ganho o EURO MILHOES ou ainda teriam recebido ordens da Madre para dizer palavras como"WHISKY", ALFACE", SALADA", "PHALAFENI", GULBENKIAN para que a máquina fotografiaca regista se alegria....Valeu a pena.

2ª FRACÇÃO nÃO À ÚLTIMA FRACÇÃO
Não trouxe sorriso para os cursante, mas também reativou a Rádio Boca que dentro de dias poderá transmitir via Internet em banda larga, mas contudo noticias da Fundação indicam que existe um mal entendido pelos cursantes, uma vez que depois de receberem a segunda fracção optaram por abandonar as aulas pensado que tudo acabou... sendo assim uma equipe da Fundação esta à controlar os cursantes atraves de uma camare que posteriormente será entregue a coordenação do curso para atribuição de futuras bolsas de estudo....atenção as faltas.

DEPOIS DA TRISTEZA VEM A BONANÇA
5 de Maio - entrega da segunda Fracção - 12: oo Horas
6 de Maio - 13:00 H - Dia de Africa na UCP - almoça da comunidade africana a custo Zero, menos 5 Euros na Cantina.
6 de Maio - Zé dos Santos convida me meia centena de copos e papo a maneira.
6 de Maio - 22 H - Festa na UCP, Discoteca , 5 Euros entrada, cerveja a 50 centimos (ate quando esta iniciativa, quero cá estar)
7 de Maio - 16 H - Deslocação Lisboa à Coimbra paga por um Moçambicano que a mais de 30 anos não vai a Moçambique
7 de Maio - TMN oferece chamadas gratuitas para os aderentes desta Rede durante 24 horas.
8 de Maio - Noite das Queimas em Coimbra, cerveja, caipirinha a um custo reduzido.
Resta nos apenas o dia 19 de Maio, um convivio a custa da Fundação.

Confesso que não era apenas a falta de dinheiro, mas estava apenas a espera da segunda fracção...logo depois de à receber, nada mais que escolher os locais de visita. Várias publicidades sobre viagens me cativaram, Jamaica cerac de 600 Euros, Etiopia cerca de 300 Euros, Londres 25 Euros, era chegada a hora de dizer fim da conteção...mas a melhor publicidade foi, Festa do dia de africa na UCP comida, gasosa a custo Zero. Ao cair da noite uma boa cerveja a 50 Centimos, belezas ao redor dos donos, TMN aajudando a ligar a custo zero para a mesma rede levou a receber uma chada de Coimbra onde passei a NOITE DAS QUEIMAS, vendo assim MILTON de Nascimento a um preço de 7,5 Euros...sendo assim sugeria que o proximo curos fosse nas proximidades das noites das queimas, para ser uma melhor forma de despedida, pois o que vi , só é visto uma vez por anoAs publicidades indicavam
NR: A reprodução é na íntegra. Lavamos as mãos quanto a eventuais deslizes gramaticais ou gralhas.

segunda-feira, maio 09, 2005

A POBREZA QUE O "TUGA" NÃO VÊ (Inflexão)

Nos meses de Março, Abril e Maio Portugal e concretamento Lisboa é uma cidade muito iluminada.

Não porque noutras estações do ano falte luz ou energia eléctrica como aqui. Não.
É o sol que se prolonga, para além do raiar que é madrugador.

E quando o sol não se põe ao Atlântico, o angolano ou africano recém-chegado às teras de Vaz de Camões tem dificuldades em buscar a quentura dos colchões e lençõis que o aguardam no hotel ou noutra albergaria.

No centro da cidade, o El corte Inglês, Praça de Espanha, Fundação Gulbenkian e outras paragens que incluem restaurantes, bares e tascas para frascos e cafés são referências quase que obrigatórias para visitas periódicas e diárias.

Há porém quem pretenda viver um feriado visitando os eneormes centros de compras ou mesmo vestido à paisana enfrentar a enchente na Praça do Relógio (Um ROque Santeiro Organizado). Só que não tarda, a repetição mata o espanto e a preferência começa a ser a cidade sub-terrânea.

O metropolitano de Lisboa com a sua grandiosiodade crescente que nos remete há alguns séculos de atraso se não corrermos a bom passo. Aqui surge então a importância do mapa de Lisboa, ou seja dos transpostes públicos da cidade.

O Metro com as suas quatro linhas a vermelha-Alameda/Oriente; a verde -Cais do Sodré/Telçheiras; a azul -Baixa-Chiado/Amadora Este e a linha Amarela que vai do Rato a Odivelas, é o mais procurado quer por nacionais ou turistas, levando-os aos mais recôndidos sítios da capital lusa, às vezes com o spréstimos do comboio de superfície, das carreiras, do táxi e até de amigos.

É para tal que existem quanto mais não seja para por a "fofoca" em dia.-Comué na banda, tá-se?-Yá! vive-se. Há crescimento. E o teu regresso?_Daqui há nada. É só tempo de reunir uns farrapos e completar a mobília.

Esta é a conversa dos cafés e doutras andanças entre os que vão à Portugal em missão turística, estudos ou de trabalho e os que lá estão nas bumbas. Na pedreira ou nos bares.

Os que erguem terras alheias a troco de migalhas, que dizem ser bem maiores do que aquilo que nos vai ao prato aqui no país.

Mas é no metropolitano de Lisboa que a africa se casa com a europa civilizada. Em cada paragem o modo poético de estar europeu é sempre cortado ou pela brutalidade de um homem do leste que ignora a leitura jornal preferindo a fala ou pelaarmónica de um pedinte qualquer.
Homens de todas as idades e sexos.

Na linha azul é presença obrigatória a de um cão kabiri nas suas dez semanas viajando em ombro forte dum rapaz também nos seus dez anitos. O silêncio corta até o múrmúrios dos africanos sem,pre dispostos a debates.

O rapaz faz chorar a armónioca com o farfalho de seus dedos. Não tárda chovem moedas no copo descartável amarrado ao instrumento musical.

A cena se tranfere para a carruagem seguinte a a pobreza ruma até a morte. Os africanos mudam de linha e a estória continua. Agora são dois adultos de grandes músculos e sentidos compeltos. Um leva no colo uma guitarra e outro uma armónica.

Soa um fado e os portugueses são os primeiros a alienar com moedas.De repente irrompe uma voz incómoda entre os africanos.
-Não há por cá subsídio de desemprego?à pergunta se segue o silêncio e só as moedas falam no copo.

A moda antiga de dar pão ao pobre ou uma sopa morreu. Era uma vez. Passou à história.
Ao menino que se devia dar uma escola, pois o pepino ainda pode ser torcido dão-se moedas e todos aderem até Padres.

A formação profissional é negada aos jovens desempregados a troco de um fado barato e ainda dizem que problemas como estes só estão em África.

Todos vêm , mas fingem não estar atentos ao que lhes queima a barba, porque só Marburg em Angola é preocupação, Só Dengue em Timor ou Colera em São Tomé mata.Ninguém quer ver e lá se vai o Metrropolitano com uma estória que já e história.

Todos os dias em todas as paragens, o mesmo cão no ombro do mesmo rapaz, o mesmno fado na mesma carruagem e o mesmo dinheiro.

NB. Na foto José Anibal Cavaco Silva Presidente eleito de Portugal

Soberano Canhanga

Lisboa, 4 de Maio 2005

"Olho Atento", Edição nº 3 de 3 de Maio

Folha de actualidade sarcástica
Director: Soberano, LC.
Edição nº: 3
Preço: E.1
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O sapato ideal para o jornalista
Canhanga e Alex são exemplos.
Conta-se que a pastagem em terrenos espinhosos e acidentados e ainda caminhadas sob o sol ardente, quando ainda não existiam estradas asfaltadas nem passagens subterrâneas, terão levado o homem a “vestir” o pé.

De tempos imemoriais aos nossos dias são também imemoriais os progressos que a sapataria obteve e os tipos de sapatos à disposição do homem para o tipo de exercício que desenvolve, área de residência ou habitação, entre outras finalidades e especificidades.

Entre nós jornalistas, há também inúmeros tipos de sapatos. Uns conseguidos na feira, outros em lojas de calçados como “o Guimarães” e outros ainda directamente de um sapateiro de esquina, ou mesmo um aventureira de couro na mão.

O tipo de calçados a expor numa possível amostra iriam do "suja-alcatifa" do Canhanga, à sola seca do Borges. Do desportivo do Helmer, às sandálias da Hulda, aos canos do Alex.

Um caso para se dizer que “há na turma bué de sapatos”. Mas é sobre este último tipo que quero falar.

Também se conta que o clima gélido do norte terá levado à fabricação de botas. No Brasil e América dizem que foi motivada pela pecuária. Ou seja a prática de “Cow boyísmo”.

Será o nossso Alex um Cowboy? -Se for, então, "O olho" pede a contribuição de todos quando chegar a segunda tranche que contribuam Cinquenta Euros cada um para que o colega possa ir cavalo a Cabo Verde

Dormir
Talhados para mesmo destino
Carol e Teutónio parecem terem sido talhados para um mesmo destino. Dormir à vontade durante as aulas.

Não é que não se durma. Mas de forma tão velada só o Dênde e o “director da boca” que já têm no diploma de participação uma observação: “Especialistas em dormir ao longo das aulas”.

Carol e Teutónio fizeram-se quarta-dfeira de substitutos legais do “lavra de algodão” quando este fuga às aulas.

“O olho” elogia o exemplo e apela que passem a dormir em vez de 45% das aulas o equivalente a 50% das mesmas.

Nota dez!

PSP no D.Manuel I
Angolano pode ser indiciado por perturbação de sono

Um dos sete angolanos residentes no Hotel Dom Manuel I pode ser indiciado por crime de desordem pública, ou seja por perturbação de sono. O também radialista de uma privada luandese optou por instalar uma "discoteca e sala de vídeo" no quarto do hotel, ignorando os apelos de vizinhos que são "obrigados a não pregar o olho".


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