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sábado, dezembro 22, 2007

QUANDO A "MINHA PESTE" SARAR...


Desde Outubro último que muitos me vêem como "verme", como infectado por uma peste transmissível e mortal. Tudo devido a uma cabala que me foi montada por gente bem conhecida.

Mas é certo que quando a "minha peste" sarar, e porque sempre terminará, muitos virão procurar-me.

Só espero que não venham com conversa fiada e lágrimas de crocodilo à mistura.


Não tarda volto a ser HOMEM.

Canhanga

terça-feira, dezembro 18, 2007

SE A POLÍCIA NOS DEFENDE DOS BANDIDOS QUEM NOS DEFENDE DELA?



Comandante-geral da Polícia Nacional

ANGOP, 18/12 - O comandante geral da Polícia Nacional, comissário-geral Ambrósio de Lemos, criou hoje, terça-feira, uma comissão para averiguar o registo de incidentes registados em Luanda, que envolveram a utilização indevida de armas de fogo por parte de alguns elementos afectos à Polícia Nacional.

Segundo uma nota do Comando-Geral da Polícia Nacional, como resultado dos incidentes, que chocaram a sociedade e provocaram dor e luto em algumas famílias, dois elementos da corporação alvejaram mortalmente, segunda-feira, dois jovens que se encontravam a encenar, tendo um terceiro ficado ferido.

Hoje, refere o documento, dois outros agentes atingiram mortalmente um jovem ambulante no Mercado do Roque Santeiro, situado no município do Sambizanga (Luanda).

Em ambos os casos, os quatro agentes foram imediatamente detidos e tudo está a ser feito para que se constituam os competentes processos-crime, que transitarão para o tribunal, através do Ministério Público para serem julgados em função dos condenáveis actos por eles praticados, adianta a missiva.

Nesta senda, a comissão ora criada deverá apresentar os resultados do seu trabalho no prazo de oito dias, estando a Polícia Nacional, com essa atitude, a procurar demonstrar o seu compromisso com a legalidade, transparência e com a sociedade, pautando assim pelos princípios elementares presentes num estado democrático e de direito, em que a liberdade da pessoa humana se afigura como um pilar da democracia.

"É apanágio da Polícia Nacional garantir a segurança do cidadão, pelo que acções contrárias a este princípio devem ser oportuna e exemplarmente combatidas", lê-se no documento.

Os trabalhos da comissão não invalidam todos os outros trâmites em curso no sentido de apurar responsabilidades individuais, pelo que, devido a gravidade da infracção, está igualmente em curso um processo que poderá resultar na expulsão dos infractores dos quadros da Polícia Nacional.

No documento, a Polícia reitera a sua missão de continuar a tomar medidas para o rigoroso cumprimento das regras básicas de actuação policial, no sentido de acabar com este tipo de atitudes.

S.C.

sábado, dezembro 15, 2007

NIEMEYER: CEM ANOS DE CONCRETO


"Se a recta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito”. Esta é uma das frases mais célebres de Oscar Niemeyer, arquitecto brasileiro que completou 100 anos no dia 15 de Dezembro 2007.

A agência do Rio de Janeiro escreve que Niemeyer “criou prédios que poderiam ser considerados esculturas, entre eles, os prédios de Brasília”.

Para além da arquitectura, Niemeyer é também uma grande enciclopédia histórica. Basta notar que viveu a I Guerra Mundial, o surgimento do primeiro Estado comunista do Mundo (URSS), a morte da Sociedade das Nações, o surgimento dos ultra-nacionalistas (Nazistas), a II Guerra Mundial, o nascimento da ONU, a Guerra Fria, as guerras para as independências das antigas colónias europeias na África e Ásia, a ruptura do Socialismo e vários outro acontecimentos. E note que Niemeyer assume-se como um comunista…

O projector da “nova” capital federal brasileira (Brasília) é também tido como um possível arquitecto do que se espera ser a nova capital angolana, ou no mínimo, a nova Luanda.

Mais anos se desejam a Niemeyer e mais sonhos em concreto (cimento).

sexta-feira, novembro 09, 2007

A MORTE NÃO LEVA OS IMORTAIS


MOÇAMBICANOS assassinos, malditos assassinos. Calaram a voz, mas ficou a música. "Nobody can stop reggae because reggae is strong". Cantou Lucky Dube, o astro sul-africano do reggae, morto a tiros em Johannesburgo, na África do Sul.


A morte assassina chamou-o aos 43 anos, mas é sabido que Luky não morreu porque os imortais nunca vão.


A sua música de intervenção contra a segregação racial, e mais tarde apelos à unificação, como "different colors one people", imortalizaram-no.


Lembro que o seu primeiro álbum chama-se "Rasta Never Die". Seguiram-se Slave, Prisoner e Together as One, entre outros que o imortalizam.


No total 21 álbuns, sendo o último Respect. Um respeito que os bandidos não tiveram.


A morte não leva os imortais

Long life Lucky Dube

Long Life Reggae


Let's live together as one


domingo, outubro 21, 2007

terça-feira, outubro 02, 2007

QUANDO AS FAPLA CHEGAR(EM)...


Hoje vivi um daqueles dias que ninguém quer ter.
O esforço e o cansaço já vinham de ontem, porém hoje foi o atingir do pico.
Confesso que se fosse máquina estaria a fumegar. É também hoje dos poucos dias em que tento chamar a veia imaginadora e não consigo. Geralmente quando estou cansado islolu-me. E Sempre que me isolado reflito e ou abstraiu-me. Hoje nada!
Apenas lembrei-me de uma antiga canção, daqueles tempos do "Angola Combatente" da RNA, e que rezava:

C- "Quando as Fapla's chegar(em) é melhor desaparecer"
R- "Bandido"

De Bis em Bis vou tentando "me recompor".

Foto: MIG das Fapla na Batalha do Cuito Cuanavale 1988

Luciano Canhanga

domingo, setembro 23, 2007

OUTROS TEMPOS IX


São 7h e 21 de Domingo, dia 23 de Setembro. Naquele tempo era o período da retomada das aulas no ensino geral (primário). E lembro-me do ingresso na OPA que era simultâneo à entrada na escola do povo. Minha estreia (na pré-kabunga) foi em 1981. E cantávamos.
- Bom dia camarada professor. Pioneiro de Agostinho Neto na Construção do Socialismo, Tudo pelo povo.
E eram bons tempos para aquela infância despreocupada. Sem Games, tão pouco Ply stations e outros inventos de agora. Computador? - Quem ouvia falar nisso?- Ninguém (na buala).
E vieram em 1983 os confrontos entre os Cdas das Fapla e a unita. E fomos recuando, recuando. Antes só se recuava não haviam deslocados como se diz agora. Éramos recuas. Acompanhávamos os (des)avanços das gloriosas Faplas.
Tanto recuamos, minha mãe, minhas três irmãs e eu (pois já éramos órfãos de pai desde 1982) que chegamos a Luanda. Cidade grande e alheia. Tínhamos que ser "baptizados". A mãe nos negócios do género (comida da loja), eu o mais velho a ajudá-la e às vezes fazendo o meu próprio negócio para suportar a compra de cadernos e roupa. Mais à vontade as minhas irmãs, "zerando", ou seja, jogado ao zero.

E voltei para a escola. Sem documentos tive de recomeçar na segunda classe, quando no Libolo já trilhava a terceira. -Que fazer???
Estávamos em Setembro de 1984. Entrei na Sala 18 da escola 518 do Rangel. Era professor da turma o meu primo Arnaldo Manuel Carlos. Enquanto professor (da brigada Comandante Dangereux) tinha conseguido se reenquadrar em Luanda, pois, naquele tempo se dizia "O Professor é um combatente da linha da frente para acabar com o obscurantismo e criar o homem novo". Hoje é Primeiro Superintendente da Polícia.

No Baptismo os bandidinhos de Luanda não deixaram de exercer sua influência. E na Quarta classe perdi os documentos ficando sem realizar o exame final. O Destino foi um avanço. Regresso à terra para ganhar juízo. E ganhei. O meu regresso à "Metrópole", em 1990 já era um adolescente e com a sexta feita e foi motivado por um outro recúo. A guerra piorou. Os professores doutras terras tinham ido embora e não haveria em 1990 o terceiro nível na Escola Nkuame Krumah.
Posto em Luanda, já não éramos nós que nos despedíamos com o _ Até manhã Cda professor, se Deus quiser amanhã viemos mais... eram outras crianças. E o ciclo estava no fim.

Olhando para a degradação de valores em todo o país, penso hoje que tipo de homens constitui a minha geração. O Homem novo sonhado ou um homem até um pouco ultrapassado?

Na foto o meu filho Soberano Canhanga. Juntamente com o Fernando, a Argemara e o kota deles Mociano espero que sejam os "homens" novos.

Luciano Canhanga

domingo, setembro 09, 2007

PARTILHAR ALEGRIA SUADA


Um pouco de exagero, se calhar, no título, mas quero partilhar esta alegria de um amigo, um kota das lides profissionais, que me liga 18 meses depois para anunciar o nascimento da Twene.

Está o meu amigo na casa dos quarenta e tal. Quase quarenta e cinco se não me engano. É unigénito sendo igualmente esta Twene a sua primogénita.

Quis, somente, o meu kota/amigo, saber se na língua do meu berço, o Kimbundo, ou noutras que tenha conhecimentos básicos não representava ofensa.

Primeiro em Kimbundu: juntando a raiz pareceu-me que não. Pois o prefixo tw (indica Plural). Exemplo: twana (filhos). ene (eles)?

E comuniquei com emoção que pode ser palavra vazia. Surgida apenas da junção de dois nomes (paterno e materno) e com alguma queda para a fonia Kimbundu, porém de uma coisa tenho certeza; Nesta língua não é asneira.

Quanto a outras línguas o meu arriscar seria diminuto na medida em que Matuba que em Kikongo é agradecimento e Matondo que é louvor são respectivamente em Kimbundu e Umbundu testículos.

Espero, com esta alegria contagiante, não ter induzido o meu amigo a erro e que a Twene continue a nos dar muitas alegrias.

Na foto: Eu e Argemara Princesa Canhanga ao colo.

Luciano Canhanga

terça-feira, setembro 04, 2007

NÃO DIREI NADA!


Nunca fiz nada
Contra a vossa Pátria
Mas vós
Apunhalastes a nossa!
...
Quero, hoje, 4 de 7mbro homenagear o "poeta maior" e recordar um trecho de sua obra.
Neto faria a 17 de 7mbro 85 anos de idade. Aos 10 de 7mbro completam-se 28 anos da sua partida.

Quanto à actualidade, continuarei a dizer.

imagem "roubada" do blog da Ana Mathaya
Soberano Canhanga

sábado, agosto 25, 2007

DITO E FEITO: ANGOLA CAMPEÃ





Dito e feito: Nos textos que antecederam este eu profetizei: “O jogo será a doer mas é certeza de que a taça, a nona, é nossa”!!!

Vinte horas e 53 minutos. Soava o apito final do árbitro grego da partida entre Angola e Camaões. Mostrava o placard 86;72, 14 ponto de diferença num jogo que conheceu um empate nos primeiros 10 minutos a dez pontos, com 33-31 ao intervalo.

A partida foi testemunhada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que viveu os últimos segundos em pé. Angola conquista o Afrobaket2007, a sua nona taça continental desde 1980, ano em que se estreou na competição.

Olhemos para a trajectória: Final; Angola – Camarões (86;72);

Meia-final: Angola-Cabo Verde (93-60);

Quartos de final: Angola –Rep. Cent. Africana (78-51).

Angola na 1ª fase:

Angola-Rwanda (109-66); Angola-Cabo Verde (100-44)

e Angola-Marrocos (108-58)

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

3º Cabo Verde e 4º Egipto (53-51): 5º Nigéria e 6º Tunísia (83-82)

7º República Centro-Africana; 8º Côte d`Ivoire; 9º Senegal;
10º Marrocos; 11º Mali;
12º Rwanda; 13º África do Sul; 14º Moçambique;
15º RD Congo e 16º Libéria.

O Afrobasket 2007 realizou-se, pela 1ª vez na história da organização, em 5 cidades, nomeadamente: Grupo A – Benguela: Angola, Rwanda, Marrocos e Cabo Verde. Grupo B – Huíla: Mali, Senegal, Egipto e Cote d’Divoire. Grupo C – Huambo: Libéria, Nigéria, RD Congo e R.Centro Africana. Grupo D – Cabinda: Camarões, Moçambique, África do Sul e Tunísia. Luanda recebeu os jogos da 2ª fase e da final.

Na foto: PR JES

Luciano Canhanga

JOGOS A DOER...



-Será que Cabo Verde trava Angola? Essa foi a pergunta que me foi colocada no dia 22 de Agosto pela Jornalista Rosa Bengui do Jornal dos Desportos para a edição do dia 23. Na íntegra o texto retirado da página on line do referido jornal.
""AO TELEFONE COM * Luciano Canhanga*

Houve na primeira fase, realizada em Benguela, equipas que definiram bem os seus objectivos, concretamente a passagem à fase seguinte, que agora decorre em Luanda. Foi o caso de Cabo Verde, que tinha vencido apenas o Marrocos e Rwanda. Assim planeado, assim feito.

Com Angola, disse-o o seu treinador, Trovoada, “não interessava gastar 'munições' para não vencer a guerra”. E, Cabo Verde fez o seu jogo, preservando os seus trunfos para aquele que seria o embate decisivo contra o Rwanda.

Já na fase seguinte, em que cada jogo é uma final, as equipas menos dotadas ou menos conceituadas tentam aplicar-se ao fundo para surpreender as grandes. Foi o que assistimos no jogo entre Cabo Verde e Nigéria.

O lema das equipas tidas como menos favoritas tem sido tentar vencer ou então vender a derrota o mais caro possível. Assim também fez a RCA, que tentou surpreender, sem efeito, a Selecção Nacional, pois, veio ao de cima a experiência e maturidade no nosso "cinco" nacional.

Voltando ao jogo da meia-final contra Cabo Verde, julgo que teremos (dia 23/07) uma partida muito disputada. Desta vez a selecção insular não terá trunfos para guardar. Aliás, vai usá-los todos no seu máximo. Então, teremos de pensar em como contornar o "atrevimento" dos cabo-verdianos e também guardar algumas energias para o jogo da final diante do Egipto ou Camarões.

De duas coisas devemos estar certos: A taça é nossa, mas os dois jogos que faltam serão a doer"".

E, dito por mim, feito pela selecção. Hoje, dia 25 de Agosto, termina o campeonato africano de Basquetebol sénior masculino. Angola defronta os Camarões que vieram discretos e sem a fama de candidatos ao título. Tal como Angola os camaroneses não tiveram derrota e o jogo será a doer. Mas retomo o que dissera: O jogo será a doer mas é certeza de que a taça, a nona, é nossa!!!

Luciano Canhanga

Fotografado pelo Mohamed Mociano Canhanga

quarta-feira, agosto 15, 2007

HOJE PÁRA O PAIS


Desde tempos imemoriais que o desporto fez casamento com a política, Sobretudo em tempos de crise.

Os mais experimentados políticos aproveitam grandes eventos desportivos para abafar "incómodos" da política rotineira ou das reclamações dos governados e fazem grandes publicitações dos eventos desportivos, dada a sua vertente unionista e galvanizante.

Hoje que começa o AFROBASQUETE com o jogo Angola/Ruanda, ninguém quererá ouvir outra coisa que não seja sobre a bola ao cesto. Até o Kota Pepino que aos 87 anos se desloca numa bicicleta de Benguela a Luanda fica ofuscado. Assim é o desporto das grandes multidões.

O pais está mobilizado e moralizado para contar os pontos. Os 2 e os 3 pontos à cesta. Nada mais.
Para o esquecimento temporário ficam as malabarices dos candongueiros, os assaltos dos bandidos, os tios das 14zinhas e outros assuntos domésticos.

Assim foi em tempo de guerra. Assim será agora e assim sempre será.

Quem quererá ouvir hoje conversas sobre coisas que não seja o Basquetebol?

-Com certeza que poucos ou ninguém. E assim será até ao erguer da taça, caso tal desiderato seja conseguido.

Caso contrário, os heróis de hoje serão os vilões de amanhã, até retomarmos o nosso dia-a-dia.

E lá, sim. Voltaremos a dar atenção ao gás que queimamos e não temos na cozinha, ao marido que gasta o dinheiro com os amigos na bebedeira, à vizinha desempregada que "comprou" um Prado, aos assaltos dos bandidos, às promessas dos polícias em apanhá-los, aos salários de fome pagos por uns e aos de luxo não trabalhados por outros. Enfim, voltaremos à nossa "guerra social".

Enquanto durar o AFROBASQUETE, até lá, que viva a bola ao cesto!

Soberano Canhanga

quinta-feira, agosto 09, 2007

LÁ SE FOI O "MALOGRADO" HOLDEN

Volto a falar de "idosos malogrados"... Com gente incorrigível o melhor seria é não gastar latim. Já assim fora apelidado o finado Mesquita Lemos, aos 94 anos de idade. Cansaram-se de apregoar que lá se tinha ido o "malogrado"... que teve bons planos que ficaram pelo meio...

Agora é a vez de Holden Roberto. Já apelidado, em vida, de "velho Holden Roberto", o finado foi rebaptizado "jovem", agora na morte, já que só aos jovens que morrem, deixando planos por executar, vida cortada subitamente, se deve tratar de malogrados.

E volto ao dicionário para recordar que Malogro é terminar a vida prematuramente. Nesse caso morte prematura é que é malogro.


So não sei se por ter sonhado ver a FNLA reerguida, como também se apregoou, que ele mesmo dividiu ao não fazer renovação de mandatos em mais de 40 anos, se possa dizer que a morte de Holden tenha sido um malogro. Ou dito de outra forma, os autores do malogro talvez pretendessem que o Velho morresse somente aos 200 anos depois de reunificar a FNLA.

Pelo contributo que teve na luta pela emancipação do pais, ele merece, e como mereceu, honras de Estado. Aliás, devia tê-las ainda em vida. Mas malogro não foi... não.

Pena é que a Rádio e televisão do Estado e também a ANGOP se tenham cansado de apregoar a morte do Velho Holden como um malogro, como se a nossa esperança de vida fosse até aos 150 anos... quando o "Velho" até já tinha vivido duas vidas e tal, se termos em conta que a nossa esperanca de vida anda aí aos 42 anos, que só com muita sorte também se alcançam.

Pronto, ficamos a engolir esses malogros da RNA, TPA, ANGOP e Cia, quando o verdadeiro malogro é a falta de vocábulos para descrever uma dor que a todos directa ou indirectamente atingiu.

Soberano Canhanga

terça-feira, julho 31, 2007

DIA DA MULHER AFRICANA


Ei-la Mulher africana alimentando pelo peito a futura mamã.
É o melhor que há para os recém-nascidos. -Dizem os pediatras e nutricionistas é algo frequente só mesmo no continente berço.

À Irlanda o meu encorajamento pela alimentaçào rica à bebé e à Argemara Princesa Canhanga bom apetite!

E parabéns pelo vosso dia, mulheres africanas.


Soberano Canhanga

quarta-feira, julho 25, 2007

VIVER LUANDA




Em Luanda desde 2 de Julho vou assistindo a "cenas" que só a uma cidade como esta, a capital do país, se podem atribuir.

-Um candongueiro que ultrapassa à direita e mata um oficial da polícia sem que se tivesse dignado em socorrer o sinistrado. O assunto é tema diário da vox populi.

- Um congresso da UNITA em que a TPA e algumas rádios falham a cobertura do encerramento,passando, por isso, imagens de arquivo do congresso anterior. E pior:

Acordou-me no dia 21/07/07 uma chamada telefónica de um amigo que sabe que já não estou no jornalismo activo.

-Epá! vi-te no congresso da UNITA, mas parece que são imagens de 2003.

Ainda bem que legendaram. Porque eu não sou jornalista no activo e membro deste partido nem pensar...- desabafei.

-Assisto tb. a cenas de terrenos revendidos. Outra vez essa?

E desta vez a vítima, quase vítima fui eu mesmo. A minha possessão na Kamadeira II/Viana foi "invadida" por um suposto dono que afinal de contas nem sabia onde comprou... Coisas de Luanda.

Também nesse periodo. A Princesa que se tornou facto. Lá brilha no colo da Landinha desde 17 de Julho.

A completar a alegria de estar em Luanda as recepções calorosas que me foram brindadas nas redacções centrais da RNA, LAC, Jornal dos Desportos e Eclésia. Afinal de contas sou um jornalita que foi ver velhos e recentes amigos de caminhadas.


Muito agradecido, companheiros.

Luciano Canhanga

domingo, junho 17, 2007

NOMES QUE IDENTIFICAM AMIGOS


Acrescentou-me a Manú a uma lista de amigos dela a quem enviou uma mensagem particular. Que não tem nada a ver com o serviço.

E é a partir desta mgs que me vou debruçar hoje, nesta "viagem", falando dos diversos nomes e alcunhas que tive e tenho.
Em qualquer época da minha vida tive ou me deram sempre um nome. Em Casa fui sempre o Luciano e na década de 80 os meus amigos tratavam-me por Zurik.

No Início da década de 90, no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), os meus amigos e colegas tratavam-me por Star (de estrela/barra).

À saída do IMEL criamos um grupo de amigos/contemporâneos do Instituto e tratamo-nos até agora todos por Mussunda (alusão ao poema Mussunda Amigo de A. Neto).

Os meus amigos do Bairro Rangel chamam-me por Cabão ou General (fui sempre "líder") das “frentes”.

Nas lides jornalísticas e académicas (no ISCED e na UPRA) os colegas passaram a tratar-me e até agora por Canhanga.

De 2005 a esta parte, devido ao meu Blog
http://www.olhoatento.blogspot.com/, os amigos da blogsfera e outros tratam-me por Soberano, nome que acabei por atribuir ao meu Caçula, o Soberano Elsiano Canhanga.

Soberano Canhanga (estou com camisa amarela)

domingo, junho 03, 2007

O VALOR DA IMAGEM INSTITUCIONAL


A Imagem é o conceito que as pessoas têm e/ou formam sobre as coisas. Tal acontece com a Empresa cujo maior património é a Imagem.

É imporgtante criar e manter a imagem positiva da Empresa junto dos seus públicos prioritários, através da divulgaçãao das suas filosofias, políticas e atitudes.
Tendo um planeamento da Comunicação Institucional, o acompanhamento constante da imagem percebida pelos públicos da Empresa é feito de forma organizada, profissional e com resultados efetivos...

Acesse também o link:


Soberano Canhanga

sábado, junho 02, 2007

LÁZAROS DA CIDADE E DA SOCIEDADE

Ocorreu-me hoje reflectir convosco sobre a história do rico e do pobre Lázaro; uma história famosa e que foi contada por Lucas no capítulo 16 do seu Evangelho: na terra, o pobre Lázaro sofria de fome à porta do rico avarento que nem as migalhas lhe dava. Depois de mortos, Lázaro foi para o céu e o rico para o inferno. Atormentado, o rico pedia socorro e intercedia pela misericórdia do Pai Abraão para que enviasse Lázaro afim de molhar, em água, a ponta do dedo e refrescar-lhe a língua, já que estava "aquecido" pelas chamas.

A resposta de Abraão é sugestiva: "Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida, e Lázaro somente males. Agora ele é consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, entre nós e vós foi estabelecido um grande ABISMO, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão pouco vir daí para junto de nós.)".

Nos Dicionários, a palavra "abismo" tem dois significados: «fosso profundo ou escuro de que se desconhece o fim; disparidade, diferença ou distância extrema entre pessoas ou coisas».

Ora, a história de Lázaro e do rico é sempre antiga e sempre nova, pois as relações entre lázaros e ricos, ainda hoje, são reguladas por uma série de "abismos" que distinguem uns de outros .

No seu livro "África Renascida", Dom Francisco da Matta Mourisca estabelece bem a diferença entre os ricos: há os ricos-ricos, desprendidos, os ricos de facto e de afecto; e os ricos-pobres, os ambiciosos, ou seja, os ricos de facto, mas pobres no afecto. O rico de que nos fala São Lucas é desta estirpe.

Hoje, se olharmos para a sociedade e entrarmos na cidade, facilmente nos damos conta da disparidade, ou seja, dos "abismos" que caracterizam as relações entre os lázaros (e as lazarinas) e os filhos de certos ricos.

Atentem às diferenças:

*Enquanto o filho do rico, além de nascer já rico, recebe brinquedos automáticos; Lázaro beneficia dos serviços de uma parteira do bairro porque nem sempre encontra lugar na maternidade e corre, asvezes, o risco de ser roubado para ser vendido (ou trocado). 2007 registou a história da mãe de um dos Lázaros que teve o bebé nas escadas de uma maternidade por falta de 3 mil kwanzas;

*Enquanto o filho do rico é matriculado no melhor colégio do país ou do estrangeiro, e lida com o computador desde pequeno; Lázaro nunca foi à escola porque a sua casa é na rua onde aprende a roubar e a se defender.;

*Enquanto o filho do rico dorme numa cama confortável, protegida por um mosquiteiro tratado; Lázaro dorme no papelão, ao lado do contentor e lá convive com os mosquitos e baratas com os quais partilha (aliás, disputa) a refeição, que são os restos de comida deitados pela empregada do rico;

*Enquanto o filho do rico foi registado e tem um nome, Lázaro não tem nome: seu nome é Lázaro e é filho de uma mãe ignorante, sofrida e de pais que morreram na guerra ou que o abandonaram no contentor, como se de um "desperdício humano" se tratasse.

*Enquanto o filho do rico tem a formação intelectual e humana asseguradas e, por isso, será um dos futuros líderes da nação com grande cultura, bom comportamento e uma grande reputação social; Lázaro é o futuro líder dos delinquentes, um réu que será vítima do peso da lei e da força da justiça.

Lázaro é um vagabundo, um errante que caminha para o cárcere! Aliás, um dos pontos de encontro entre os dois, é exactamente o tribunal: o filho do rico como Juiz de Direito e Lázaro como réu delinquente, esfarrapado, humilhado e abandonado; coisificado, banalizado e maltratado...

Estes são alguns dos "abismos" que, ainda hoje, regulam a convivência entre filhos de "ricos pobres" e os lázaros, vítimas do "empobrecimento da cidade e da sociedade".

POR ANTÓNIO ESTÊVÃO

sábado, maio 26, 2007

Long life África! LONG LIFE CANHANGA!


Eu e África há 32 anos juntos nessas comemorações.



Não era ainda, eu, sequer projecto, quando líderes africanos se reuniram em Adis-A-Beba para constituir a Organização de Unidade Africana OUA, aos 25 de Maio de 1963.

Quis porém o destino que 11 anos mais tarde eu fosse trazido à luz e com o meu continente comemorar a data no mesmo dia.

Volvidos agora que foram 33 anos desde o meu surgimento, três festas me foram brindadas. A minha com os colegas e amigos de serviço, aqui em Catoca, a das minhas famílias na metrópole (Luanda) e a geral, a festa do Continente.

Long life África!
Long Life Canhanga!

sexta-feira, maio 11, 2007

NASCEU O SOBERANO!

As 5h05 do dia 11 de Maio/07 recebi a notícia sobre o nascimento do meu mais novo filho. Chamem-no por Soberano Elsiano Francisco Canhanga.

Repousa neste momento junto a mãe na Clínica Espírito Santo em Luanda, na rua da Liberdade (Vila Alice).


Um à parte à "avó" Vitina e à madrinha Lami: liguem 912337570, o telefone dele. A mãe responderá por ele.


Aos demais: Contactem o pai ou a mãe nos terminais já conhecidos.

Os melhores votos,
Soberano Canhanga (pai)

segunda-feira, maio 07, 2007

OUTROS TEMPOS VIII


“Na Namíbia, na Rodésia e na África do Sul está a continuidade da nossa Luta”. Valeu o Slogan de A. Neto.

Primeiro o Zimbabue conseguiu a sua independência em 1980. Já não estava vivo o Cda. Neto.

Depois, a Namíbia em Março de 1990, também se livrou da África do Sul que viria a assistir, quatro anos mais tarde, a queda do regime de segregação racial.

Valeu Kota manguxi, mas,

-Que tal dos Congos?

Soberano Canhanga

sábado, maio 05, 2007

SAURIMO: PRIMEIROS PASSOS PARA DESENVOLVIMENTO

Se a guerra e o isolamento por ela provocado justificavam o atraso no desenvolvimento da Lunda Sul em geral e da cidade de Saurimo em particular, o mesmo já não se pode dizer agora com a paz reinante no pais. É grande o impulso económico que se espera do arranque da barragem hidro-eléctrica de Chicapa aprazada para o Junho, o mais tardar.

Fruto da implementação pelo governo local do Programa de Oferta e melhoria de serviços sociais Básicos à População e do empenho de empresários que actuam na região, a Lunda Sul é hoje uma província que pode ombrear com as demais no que toca aos desafios para o desenvolvimento.


A título de exemplo a Transportadora aérea nacional, TAAG, retomou quarta-feira dia 18, as suas carreiras regulares para Saurimo depois de mais de dez anos de paralisação motivada pelo mau estar da pista que já recebeu trabalhos de melhoria. Ao longo da semana cinco carreiras vão fazer a rota Luanda/Saurimo/Luanda fazendo concorrência a Air gemini, única que voava para Capital da Lunda Sul.
No que toca à indústria, novos passos começam a ser dados.

A firma Lumege inicia ainda este ano a construção, em Saurimo, de uma fábrica de cerveja e água mineral, fruto de um financiamento de quatro milhões de dólares norte-americanos disponibilizados por um sindicato dos bancos de Poupança e Crédito (BPC), Comercial Angolano (BCA) e de Comércio e Indústria (BCI) rubricado há dias em Saurimo entre as partes. Mais de cem empregos directos podem ser criados com a instalação da fábrica.


Outros desenvolvimentos ganha também o sector de Hotelaria e turismo. Na cidade o Hotel Luachimo (na foto) ganha novo rosto com a aplicação de Dez milhões de dólares norte-americanos disponibilizados pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC) ao grupo Chicoil para a sua reconstrução em 12 meses podendo proporcionar outra centena de empregos aos saurimuenses e não só.

Ainda em Saurimo outras infraestruturas hoteleiras ganham corpo numa cidade que não possui sequer um hotel ou mesmo pensão de referência há mais de 20 anos.

A pouco menos de dez quilómetros da cidade de Saurimo, no Luari, cresce o complexo hoteleiro Txisseque que para além de uma esplanada e casas de repouso vai contar ainda este ano com uma pousada já em construção.
São os passos tendentes ao desenvolvimento de Saurimo, que no dizer dos seus habitantes pode ser uma terra ideal para se viver.


Soberano Canhanga

quarta-feira, maio 02, 2007

SAUDADES DOS FEITOS E DOS OUVINTES


Apenas estas palavras (do título) para traduzir o que me vem na alma e aquilo que tenho ouvido de ouvintes (ex-ouvites) e amigos dos tempos em que militei na LAC de Janeiro de 1997 a Março de 2006.

Foram Nove anos que deram muita experiência a que foi apelidado de “o bombeiro”, -uma espécie de pau para tudo que fosse obra. E foi o “bombeirismo” que me tornou homem.

“Dicas da cidade” foi o programa em que nos iniciamos na comunicação estereofónica.

Leda Cristóvão, Stella Marisa, Marlene Pinto (Amaro), José de Assunção, Rossana Miranda, Paulo Muhongo, Francisca Pacavira, Antónia Bartolomeu, Agostinho dos Santos, Isaac António, entre outros nomes que ficaram menos tempo, foram os meus companheiros de partida. Constei dos seis que foram cooptados para estagiar na redacção de notícias no segundo turno, juntamente com o Assunção e o Paulo. Em 1997 era editor do turno, 9h00/12h30, o Mário Inácio.

Lembro-me, como hoje, dos berros que "nos passava" e do calor que o inundava na hora da edição do noticiário.

Na rádio, acolhida por contentores, me fui afirmando, aos poucos, é claro. De início apenas a redacção e depois, também a locução, alimentando as “Frentes Informativas” e depois o “Giramundo” e os noticiários das 9h e 12 horas, sem me esquecer daquele que foi o meu forte, a reportagem, de que guardo grandes lembranças e saudades.

E se tudo o tempo levar, não me esquecerei das condolências escritas por políticos para lamentar a morte que não me levou em Junho de 2005.

Grandes amigos, os políticos!

Luciano Canhanga

terça-feira, abril 24, 2007

EM DEFESA DA MULHER ADÚLTERA: Estratégias de um advogado!

Depois de muita insistência do Jornalista Luciano Canhanga, teimoso e de OLHO sempre ATENTO, decidi partilhar convosco a minha reflexão a respeito da estratégia de um Advogado que vocês conhecem bem; e que veio em defesa da mulher adúltera. A história é famosa e sobejamente conhecida: Jo 8, 1-11.

Com efeito, a Lei de Moisés recomendava que toda a mulher apanhada a cometer adultério devia ser apedrejada. Ora, aquela mana apanhada em flagrante foi trazida diante de Jesus para o castigo preceituado pela Lei. «De acordo com a Lei de Moisés, esta mulher devia ser apedrejada», sentenciaram, os Fariseus e Escribas a espera que Jesus ratificasse a famosa prescrição!...Até aqui, tudo bem. Só que, depois, o Advogado da adúltera entrou em cena. Sigam o meu raciocínio e atentem à estratégia de Jesus Cristo:

1. Reparai que, com essa história, os Fariseus e os Escribas quiseram colocar Jesus entre a espada e a parede. Eis o grande dilema: Se Jesus dissesse que a mulher poderia ser apedrejada, como perceber a doutrina sobre o Amor ao Próximo que Jesus vinha pregando? Se pedisse que a mulher não fosse apedrejada, os Escribas e Fariseus acusariam Jesus de violar a Lei de Moisés. Foi nesta altura que o Advogado deu a famosa resposta que desconcertou e atrapalhou os juízes: «Quem nunca pecou -disse Jesus- que seja o primeiro a atirar a pedra!». Pois, é! E agora?...

2. Na verdade, o Único a atirar a pedra, seria o próprio Jesus Cristo já que, como sabemos, “nunca cometeu pecado algum”;

3. Quando Jesus disse que quem não tivesse pecado, fosse o primeiro a atirar a pedra, os juízes que montaram o tribunal, passaram a réus! É que depois de um rápido exame de consciência, os homens decidiram retirar-se um por um a começar pelo mais velho (se calhar, é o que mais pecados tinha!), deixando a pobre mulher com o seu Advogado!

4. Com o tribunal em debandada (porque os juízes passaram a réus em fuga), o Advogado Jesus teve Ele mesmo de pronunciar a sentença, depois de um diálogo com a sua “cliente” de ocasião!

5. No novo diálogo com a mulher, Jesus não aprova o pecado por ela cometido; mas manda-a para casa com fortes recomendações de nunca mais tornar a pecar...Eis, um Advogado que veio condenar não o pecador, mas o pecado, ao contrário do que era comum na cultura judaica.

6. Mais ainda: a cultura judaica era profundamente machista. Ora bem: não tendo a mulher cometido adultério sozinha, onde esteve o homem que com ela cometeu tal pecado? Sabemos que, de acordo com a mesma Lei, o homem poderia repudiar a sua esposa infiel, ao contrário da mulher que sofria as mais hediondas sevícias: estava-se, como era óbvio, diante de uma lei opressora, que violava os Direitos Humanos e a dignidade da mulher...

No seu livro “África Renascida”, Dom Francisco da Matta Mourisca diz que as mulheres pecadoras eram desprezadas até por aqueles que as prostituíam, a exemplo da Mulher Adúltera, imortalizada nas páginas do Evangelho. Ora, dizia o Bispo do Uíje, «o único homem que podia atirar pedras à mulher, porque não tinha pecado, foi o único que a salvou das pedras- o próprio Jesus. Retrato comovente da figura de Cristo, que veio salvar o que estava perdido: não só o homem senão também a mulher».


Por Pê. António Estévão


sexta-feira, abril 20, 2007

IMAGENS DE LUANDA

A ferocidade da vida caminha a passos largos com a pobreza. São visíveis a olho nu, nas ruas de Luanda, nas paragens de candongueiros, nos autocarros e nas longas filas de marchantes imagens que nos lembram filas intermináveis de contratados e escravos do sertão ao embarcadouro.

Escravos sim. Duma vida que vê degradados os seus valores mais elementares como o humanismo, a solidariedade e o amor ao próximo. Apenas de forma isolada nos “surpreendemos” com gestos amistosos de quem deixa a cadeira para um idoso, a uma mulher grávida ou com criança ao colo, ou ainda o apaziguamento de uma contenda.

Acabei de ver um sujeito das FAA a esmurrar em plena luz e sem causa aparente um jovem que por sinal até se dirigia à oficina em que trabalhava. Motivo: Escorregou na lama que encobria o asfalto e tocou-lhe na farda.

Desumanamente todos passamos. Ninguém socorreu o jovem que sangrava nas narinas. Também ninguém repreendeu o sargento.

Soberano Canhanga

quinta-feira, abril 12, 2007

CULTURA COKWE EM SAURIMO

DE PEDRA E CAL
A pouco menos de dez quilómetros da cidade capital da Lunda –sul, Saurimo, está a aldeia do Luari. Entre nativos e deslocados, forçados pela guerra a abandonar as suas comunidades rurais no interior da província, Luari é hoje uma aldeia com mais de duzentas famílias camponesas que tudo fazem para perpetuar a cultura Lunda- Cokwe.

A mandioca, a ginguba (amendoim), o feijão e o milho são as principais culturas, sendo a pesca e a caça actividades complementares à dieta e ao lazer, ao mesmo tempo que se ensaiam outros produtos destinados à venda, como o abacaxi e o abacate, muito procurados pelas empresas que actuam na região.

Junto à aldeia, cresce um complexo turístico - Ciseke - que conta com uma esplanada e casas de campo, estando em construção um motel.

Informações recebidas no local dão conta que os antigos moradores de um ex-internato, em escombros, e os das casas vizinhas, serão deslocados, para dar lugar à construção de um motel, valorizando a área envolvente a uma atractiva lagoa natural .

“Já nos disseram que o Mwata comprou mais de três mil chapas de zinco para cobrir as nossas casas e também vamos poder trabalhar aqui mesmo quando ele precisar", referiu-nos um ancião, contactado no local,tendo-se escusado a apontar o nome do empreendedor e sequer o seu .

Fontes anónimas atribuem o empreendimento Txisseque ao actual Governador, Miji Itengo, tendo no âmbito da responsabilidade social da sua empresa, já erguido um estabelecimento escolar na comunidade .

Dia após dia a comunidade do Luari assiste à mudança para melhor do ambiente circundante adivinhando-se até dias ainda mais prósperos, já que "há empregos à vista”. Entretanto, o que não sofre alteração, mesmo sob a pressão da aculturação, é o modo de vida do seu povo. A principal referencia é o ritual da festa de iniciação, masculina e feminina - Mukanda wa Kandandji e Mukanda wa Pwo - que vêem sendo passados de geração em geração.

“Estar no Luari é estar com a nossa cultura”, afirmou Pedro Sacahumba, secretário do bairro.

Ritos como o Mukixe e o Kandangi (máscaras) e Cianda (dança tradicional), entre outros, são ensaiados de forma organizada e pedagógica, pela sociedade que pensa deste modo perpetuar os valores característicos à peculiaridade da sua cultura.

Crianças, ainda de tenra idade, ensaiam diligentemente os passos das danças e rituais que conferem original singularidade à sua cultura.

“Assim como fazem os nossos pais, nós também estamos a aprender para depois ensinar aos mais pequenos", confidenciou-nos Fernando Nuati, um adolescente que fazia o papel de comandante de dança Muquixe, rigorosamente mascarado .

Para Avelino Carlos - Muanga-saia - líder musical dos Astros da Lunda-sul “apesar da influência de outras culturas divulgadas pela televisão, a cultura Cokwe está intacta e como a aprendizagem acontece sempre na comunidade com os mais velhos não há nada que a afecta”. Disse acrescentando que tem sido função dos mais velhos, esmerarem-se na forma como acompanham a continuidade na execução dos ritos e máscaras pelos mais novos, preservando a sua pureza e integridade.

“Até agora continuamos a fazer a circuncisão que demora seis meses a um ano. As meninas também têm um ritual parecido e é aqui que se passam todos os valores". Concluiu.

Segundo, Ana C. G. Marques*, "entre os cokwe, as máscaras não são um disfarce mas sim uma instituição que contribui para a perpetuação das diligências sociais e Culturais, um veiculo de transmissão do conhecimento colectivo, a negociação das magnas preocupações e aspirações humanas. Através dela celebram-se a esposa, a irmã e a mãe, declarando-se a autoridade e o papel moderador da mulher na sociedade.

Mwana pwo é uma máscara confeccionada em madeira para a realização de rituais de passagem da puberdade. Na sociedade tradicional cokwe, a comunidade junta-se no centro da aldeia para assistir à mascara mwana pwo dançar, ela representa o ancestral feminino. A seu lado as mulheres aprendem as boas maneiras, os princípios éticos e a solenidade com que se devem impor na sociedade".

A sociedade cokwe sempre preservou a consciência colectiva da sua identidade histórico-cultural, através dos seus mitos de origens e de outras marcas culturais.

*(MARQUES, A.C. Guerra, http://tucokwe.org, acesso e correcção aos 26.06.2009)
Luciano Canhanga (licenciando em Ensino da História pelo ISCED/Luanda)