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sábado, dezembro 26, 2009

DE OLHO NA ENGRENAGEM (1)

Dados oficiais apontam que este ano o sector industrial em Angola representa cerca de 61,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) que é a soma de toda a riqueza produzida no país durante o período. Olhando para os números parece que vivemos num país amplamente industrializado. Os números referem-se tão somente à indústria petrolífera, mineira/diamantífera, de bebidas, e outra nascente em pequeníssima escala como pequenas cerâmicas e similares. Toda a indústria pesada pré-existente está desactivada ou degradada.

Da indústria em Angola, tida em tempos, como o factor decisivo do desenvolvimento tendo a agricultura como a base, restam apenas dizeres e intenções. O que o país herdou do regime colonial, em 1975, era uma indústria embrionária e marcadamente agrária, quando comparada com os grandes parques industriais das metrópoles de então, ou mesmo de outras colónias anglófonas. A ausência de quadros qualificados para esta indústria herdada, a falta de novas tecnologias e de matérias primas, bem como de uma gestão virada para o desenvolvimento e o lucro, aliada à guerra civil que se prolongou até 2002, deitaram toda a erança industrial ao ostracismo.

O que temos hoje é novamente uma indústria que renasce à volta das grandes cidades, longe, por isso dos potenciais produtores de matérias-primas. Esta tímida reindustrialização esbarra ainda no fraco investimento, quer do Estado, enquanto proprietário, quer do empresariado privado, este último inibido pelas elevadas taxas de juro, diminuto período de graça ao reembolso e instabilidade do mercado financeiro, etc.

Tudo o que vemos, é por via disso, o crescimento da indústria petrolífera com gigantescos saltos, seguindo-se-lhe a de bebidas, que viu os seus equipamentos renovados e ou ampliados. A mineração, embora afectada pela crise financeira interncional dos últimos 12 meses, conheceu igualmente algum desenvolvimento tecnológico, mas condicionada aos ventos da economia e finanças internacionais.

Com a paz, a desminagem dos campos aráveis e o consequente crescimento da produção agrícola, urge necessário partir-se para a agro-indústria, seguindo os passos dados pela Rússia em finais do seculo XIX e princípios do século XX. É lógico que não se seguirão os passos à risca, mas será de todo útil que ali onde houver produção, haja também uma indústria de transformação e conservação. Isto não só encorajaria os pequenos agricultores a produzirem cada vez mais excedentes para a venda às novas indústrias transformadoras, como também motivaria os empresários a investirem cada vez mais, levando o país à auto-suficiencia e posteriormente à competição internacional. Aliás, lidos os últimos discurso políticos dos mais altos governantes angolanos, é por este caminho que tendem as ideias e as orientações.

É preciso ressuscitar defuntos como a Sucanor, Mabor, Fabimor, Ert, Satec, Caima, Macambira, entre outros gigantes dum tempo não muito recuado. É preciso fazer renascer o ferro de Cassinga, reciclar o fero-velho, espalhado um pouco pelo país, e transformar as “sobras da guerra” em arado para os campos. Temos de voltar aos tempos em que em cada canto havia um ofício e em cada vilarejo uma pequena indústria. Nasci numa comuna do interior do Kuanza Sul que possuia uma pequena fábrica de sabão, pertencente à famíla Cabral, e uma cerâmica da família Cunha. Quem é da Munenga sabe que haviam até fabriquetas de processamento de óleo de dendêm e descasque de café dos quais restam apenas escombros.

Na semana em que foi aprovado pelos deputados angolanos o OGE para 2010, importa pedir que quer os números previstos no documento executivo do governo, quer as intenções manifestadas pelos investidores privados junto da ANIP se tornem em realidade para que num horizonte curto, Angola venha a ser, não só, um canteiro de obras mas também uma engrenagem em rotação.

1- Publicado pelo Semanário (angolano) Económico na sua edição de 17/12/09

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O REERGUER DE MUA-TXIMBUNDU


Os mais velhos chamam  a localidade por Mua-Tximbundu (em Cokwe  soberano Tximbundu). Os portugueses,  porém, baptizaram-na por Mona-Quimbundo e assim está conhecida a comuna da Lunda Sul, município de Saurimo, que fica na estrada que liga esta cidade a Malanje.

Novas residências construídas de raiz dão um novo "ar visual" à circunscrição que cresce a olhos vistos.



O hospital com energia solar, a central eléctrica (diesel), água e outras benfeitorias contam-se entre as inovações dos últimos tempos.


Os habitantes também fazem a sua parte, inovando e (re)construindo. Só falta mesmo o (regresso do) artesanato que estudamos no Livro de Leituras da terceira classe da Primeira República (de Angola).
 
 
 

Quem ainda se lembra do texto Cazage e Mona-Quimbundo?  

sexta-feira, dezembro 18, 2009

MANUCHO (IN)DISPENSÁVEL "NOS PALANCAS"?


Há poucos dias do CAN que Angola organiza, um dos debates entre os angolanos amantes do Futebol tem a ver ainda com a questão Manucho Goncalves que, segundo se sabe, terá sido inoportuno para com Manuel José, o técnico da selecção angolana.

Foram esmiuçados os argumentos do técnico a que se seguiu o pedido de desculpas públicas do atleta do valladolid de Espanha.

Olhando para o passado e o futuro dos Palancas Negras e para o interesse supremo dos angolanos, resta-nos dar resposta à seguinte pergunta para de uma vez por todas se encerrar o debate, e atéporque é já no dia 22.12.09 que Manuel José anuncia a lista definitiva dos jogadores que representam os 16 milhões de angolanos no CAN:

_ Se Manuncho for dispensável que se esclareça que para esta campanha, em nome do respeito, o atleta jamais será convocado.


_ Se Manucho for indispensável que seja (re)convocado.

terça-feira, dezembro 15, 2009

ANGOLANOS JÁ SÃO 16 MILHÕES - CONFIRMA SITE DA PRESIDÊNCIA


"Nós somos milhões e contra millhões ninguém combate". Dizia o saudoso presidente Neto nos idos anos Setenta do século passado. E éramos simplesmente uns sete milhõies. Hoje somos mais do que o dobro do que era para o primeiro presidente angolano a razão da vitória contra o imperialismo. 

Os dados que publico abaixo sobre a população angolana são fiáveis. Foram obtidos do Site Oficial da Presidência da República (http://www.pr.ao/paginas/ver/provincias_de_angola). Portanto, os mais fiáveis até aqui divulgados. Vale a pena partilhá-los.

Dados Sócio-demográficos:

População (estimativa de 2008) 16.800.000 Habitantes
Faixa etária da População (0-14 anos) 48.1%
Faixa etária da População (15-64 anos) 49.3%
Faixa etária da População (65 e mais) 3%
Taxa de crescimento da população 3%
Índice sintético de fecundidade 6.0 Filhos por mulher
EO. (Esperança de vida) 42 Anos (ambos os sexos)
Taxa de mortalidade materna 1400 Por 100.000 nados vivos
Taxa de mortalidade infantil (inferior a 1 ano) 158 Por 1000
Taxa bruta de mortalidade 134 Por 1000
Taxa bruta de natalidade 53.3 Por 1000 habitantes
Taxa de alfabetização 67%

DADOS PROVINCIAIS
Província do Bengo: Área: 33.016km2; População:310.000;
Província de Benguela: Área: 31.780km2; População: 750.000;
Província de Bié: Área: 70.314km2; População: 2.000.000;
Província de Cabinda: Área: 7.270km2; População: 170.000;
Província de Kunene: Área: 87.342km2; População: 250.000;
Província do Huambo: Área: 34.270km2; População: 1.200.000;
Província de Huíla: Área: 75.002km2; População: 900.000;
Província do Kuando Kubango: Área: 199.049km2; População: 150.000;
Província de Kwanza Norte: Área: 24.110km2; População: 420.000;
Província de Kwanza Sul: Área: 55.660km2; População: 610.000;
Província de Luanda: Área: 2.257km2; População:4.000.000;
Província de Lunda Norte: Área: 103.000km2; População: 270,000;
Província de Lunda Sul: Área: 77.637km2; População: 130.000;
Província de Malange: Área: 97.602 km2; População: 700.000;
Província de Moxico: Área: 223.023km2; População: 240.000;
Província de Namibe: Área: 58.137km2; População: 225.000;
Província de Uíge:Área: 58.698km2; População: 500.000;
Província do Zaire:Área: 40.130km2; População: 600.000;

quinta-feira, dezembro 10, 2009

MPLA: PRESIDENTE LEGITIMA-SE COM VOTO SECRETO MAS PERDE UNANIMIDADE

Uma das críticas que se faziam ao presidente do MPLA, José Eduardos dos Santos, era o facto da sua eleição ter sido sempre feita por mão levantada, o que colocava uma grande subjectividade ao processo, uma vez que ninguém queria ser conotado com o contra, levantando a mão em sentido oposto, ou seja, votando contra.

Atento às críticas, quis JES que desta vez, embora apresentando-se como candidato natural e único ao pleito, fosse confirmado por voto secreto dos cerca de 1900 delegados presentes ao VI congresso do MPLA.

Foi bom ver o renascer ou fortalecer da democracia interna no maior partido angolano. Com esta proeza, JES pôde também ganhar, entre os selectos delegados, uma trintena de vozes discordantes com a sua direcção, brindando-lhe um voto negativo.

Lidos os números, no que tange à diferença abismal entre o SIM e o NÃO, muitos podem considerar insignificantes os votos oposicionistas que são, a meu ver, um bom sinal de que que já "nem todos cantam a mesma música". Um sinal que não deve ser menosprezado pelos feitores da “home politic” e pelos politólogos. Importante é também a forma inovadora no Partido que a estender-se aos demais fóruns electivos pode, a médio e longo prazos, criar outros efeitos.

A JES elogia-se também a abertura e coragem demonstradas ao submeter-se ao voto secreto, indicativo de que o homem está pronto para uma “peleja” em igualdade de circunstâncias com os outros contendores nas presidenciais de 2012.

No final das contas deste Processo Orgânico, outra nota importante a realçar é o facto de a OMA - organização feminina do MPLA -  ter conseguido 2 Primeiras  Secretárias Provinciais do Partido (Lunda Sul e Namibe) e mais 10 Cdas no Secretariado Executivo Nacional do Partido, elementos suficientes para aqui dizer-se, e bem alto,

Bem haja MPLA!

terça-feira, dezembro 08, 2009

JES MANIFESTA-SE CONTRA O REGIONALISMO


No seu discurso de abertura do VI congresso do MPLA, partido a que preside, José Eduardo dos Santos referiu-se ao termo akuakuiza (os vindos de outros lugares), expressão que indica a aversão dos nativos de determinadas regiões do país (Angola) em relação aos quadros de outras proveniências.

Dizia JES que "tal comportamento é pernicioso" ao desenvolvimento do país e pediu mesmo o seu "enérgico combate".

Se o apelo de JES já peca por tardia, pois os técnicos e quadros doutras regiões há muito são catalogados como estrangeiros no seu próprio país, JES cometeu igualmente um lapso ao não ter apelado ao combate generalizado destas práticas separatistas e tribais a todos os níveis e sectores de actividades do país, referindo-se somente ao combate dentro do seu partido. De um homem que preside o maior partido e o país esperam-se, sempre, discursos de Estado e não circunscritamente partidários, como foi desta vez.

Resta-nos agora aguardar que o MPLA, partido que governa Angola, inicie a luta contra a exclusão ou xenofobia interna e que esta luta se estenda no mais curto espaço de tempo a todos os segmentos da sociedade angolana.

JES terá também de orientar um minucioso estudo sobre as causas deste destrato que sofrem os angolanos que se dirigem em missões de trabalho a outras províncias (bem identificadas), para se saber se estarão por trás disto sentimentos meramente separatistas, políticos, ou se motivados por "atraso" cultural (acentuada iletracia), falta de oportunidades ou doutra índole, pois regiões há onde se preza mais o estrangeiro branco do que o negro angolano doutra província.

domingo, dezembro 06, 2009

UMA PROVA QUE VALE VINTE E UM

PONTO PRÉVIO: Aos 16 anos estreei-me na formação dos mais novos. Não possuía ainda conhecimentos sólidos sobre didáctica, tão pouco sobre a avaliação. Aos vinte anos comecei a ter noção de técnicas pedagógicas, avaliativas e sobre o nosso sistema de avaliações no ensino primário, enquanto professor do ensino geral público. Aos vinte e quatro anos ingressei na Universidade Agostinho Neto onde estudei didáctica de História, razão pela qual, não sendo dos mais bem quotados do mercado, posso atrevir-me a fazer comentários sobre práticas académicas. Os meus frutos estão espalhados por aí, e em boa quantidade e qualidade.

Este exercício surge a propósito de uma prova de Educação Moral e Cívica a que o meu filho foi submetido no colégio que frequenta a sétima classe. Pelo conteúdo, uma prova bem elaborada. Versa sobre democracia, sistema de voto, sociedade humana, amizade e outras coisas que importa que as crianças e adolescentes deste tempo conheçam. Afinal de contas pretendemos uma Angola, para os nossos filhos, melhor do que aquela que nos foi brindada em idade homóloga. Daí a necessidade de aprenderem conceitos importantes no seu tempo.

Quanto à quotação/avaliação fiquei com algumas dúvidas, que aqui exponho, pois somados os valores distribuidos por cada questão colocada notei que o somatório chega a 21 valores, existindo ainda uma pergunta sem quotação, pois ela enuncia:

-Dê o conceito de X.
Aqui presume-se que o aluno define X e por isso devia ter uma pontuação/quotação.
a) - Descreva uma delas. 2V
Aqui depreende-se que o aluno vai falar sobre uma das características de X e terá 2 valores caso acerte em cheio.

_ Terá mudado o nosso sistema de quotação/avaliação no ensino geral público?
_ Terá sido apenas um erro do professor, coordenador da disciplina e do Colégio em questão?
_ E que tal da questão a responder sem uma nota a atribuir?
_ Como fica o aluno que tenha errado as perguntas quotadas e acertado aquela que não está quotada?

São questões para reflectir sobre "como vai a nossa educação" ou a educação/instrução que recebem os nossos filhos muitas vezes, por força das nossas ocupações profissionais, distância entre o local de residência e de trabalho, entre outros condicionalismos, confiada a outros, os profesores, que também estão mais preocupados com outras coisas ao invés da missão que lhes foi confiada.
Assim vamos!

terça-feira, dezembro 01, 2009

VELOCIDADE VOLTA A MATAR NA EN230


O acidente que a imagem documenta aconteceu na EN230, ao Km 34 antes da velha  cidade do Dondo, capital do município de Kambambe, província do Kuanza-Norte.

O camião que se vê parado atrás estava carregado de carvão vegetal. Se calhar aguardava ainda por mais carga. Embora houvesse suficiente espaço na área de acostamento, à esquerda, a carrinha L200 foi "ter com ele".

Resultado à vista: nem adianta retratar o que de pior aconteceu com o condutor da Mitsubish L200.

Melhor é ter "pé de chumbo" ao travão do que ao acelerador. A imagem foi captada por mim no dia 29/11/09.

segunda-feira, novembro 30, 2009

A LIAMBA NA HISTÓRIA DOS ANGOLANOS

O Naturalista Frederic Welwitsch escreveu em 1862 que a liamba era usada "desenfreadamente" pelos nativos angolanos, tal como a cola e dizia mesmo que: "quem come cola fica em Angola".

Ouvi em tempos na Rádio Nacional de Angola que um malanjino fora detido pela polícia por posse de  algumas plantas de canabis (liamba) no seu arimbo (lavra) e de ser, ele mesmo, consumidor, em horas esquivas, dos "frutos" desta herbácea.

Não sou daqueles que pactuam com o uso de substâncias entorpecentes, sobretudo, quando o uso da substância se afigure como um mal social. Porém, importa realçar que a liamba nem sempre entorpece. A liamba também cura. E foi por via disso que Estados como a Holanda aprovaram o seu plantio massivo e uso medicinal (apenas para isso). Em minha casa, por exemplo, nos idos tempos do tio-Chico*, ela era usada para curar o galináceo.

Temos liambeiros viciados e que devem ser coibidos. É preciso olhar para as crianças que se drogam, para os vadios que "se liambam". Temos também liambeiros que se anabolizam apenas para melhorar o seu rendimento nos seus afazeres, como contou um conhecido meu que trabalha nas obras de construção civil e o malanjino detido pela polícia.


_ "Eu confirmo sim que fumo liamba e tenho liamba, um bocado só, na minha lavra. Mas eu não faço confusão. Fumo só para me reforçar no trabalho", confessou o detido já próximo da casa dos 50 anos.

Há regiões de Angola onde fumar a liamba numa mutopa é questão tradicional e cultural.
_ Devem ser detidos todos os idosos que fumam liamba nas suas mutopas, no jango dos anciãos? 
_ Devem ou não ser detidos todos os plantadores de liamba?
_ E para fins julgados medicinais quem deve plantar a liamba?

* Os contemporâneos do meu pai tratavam-no por António Chico.

quarta-feira, novembro 25, 2009

AS REVELAÇÕES DO PR

No seu mais recente pronunciamento, enquanto timoneiro do MPLA, o também Presidente da República de Angola terá dito, quando resumido em poucas palavras o seu discurso, duas coisas: Ou que está com poucos homens de confiança para governar o país ou que este país é, com os angolanos, ingovernável.

O Cda. José Eduardo dos Santos disse, e cito, que:
- Como Partido maioritário, Partido do Governo, o MPLA aplicou timidamente o princípio da fiscalização dos actos de gestão do Governo, quer através da Assembleia Nacional, quer pela via do Tribunal de Contas. Esta circunstância foi aproveitada por pessoas irresponsáveis e por gente de má fé para o esbanjamento de recursos e para a prática de actos de gestão ilícitos e mesmo danosos ou fraudulentos. Penso que devíamos assumir uma atitude crítica e auto-crítica em relação à condução da aplicação da política do Partido neste domínio. A transparência dos actos de gestão e a boa governação são uma frente em que ainda há muito trabalho a fazer. O melhor é comprometermo-nos com uma espécie de “Tolerância Zero” depois do VI Congresso (do MPLA aprazado para 10 de Dezembro de 2009);


- No nosso país os preços só sobem, nunca descem, e apesar de várias proclamações de intenções a produção interna aumenta muito lentamente e a oferta de bens é feita com o aumento das importações, que atingem 80 por cento do que precisamos. Como fazer baixar os preços? Como aumentar significativamente a produção interna? Devemos encontrar as respostas certas para estas perguntas. Com a mesma quantidade de dinheiro compramos muito mais produtos no Brasil do que em Angola!


_Respeitar a vontade do povo angolano significa também realizar as eleições presidenciais nos termos desta Constituição, porque este povo exprimiu-se depois do Conselho da República. Além disso, se fizermos coincidir as eleições legislativas com a eleição presidencial vamos poupar muito dinheiro e tempo. Quanto mais cedo a Constituição for aprovada e entrar em vigor melhor!

Anunciadas as "descobertas" do PR resta saber que medidas serão tomadas contra os seus pares e subordinados no Partido, no Parlamento, no Tribunal ( de faz) de Contas e no Governo (que se manterá até 2012). Ficaremos pelos discursos ou o nosso presidente tomará medidas activas contra os prevaricadores? 

sexta-feira, novembro 20, 2009

O FIM DAS AULAS E A ROUBALHEIRA DOS COLÉGIOS


O ano lectivo em Angola vai até à última semana de Novembro, para o ensino primário (classes de passagem), e primeira semana de Dezembro, para as classes de exame do ensino geral.

Numa altura em que se avizinha o Natal, comemorar o dia de família com um mínimo de bens é o que as famílias almejam. E nessa luta uns se esforçam em poupar e outros em amealhar, ainda que de forma fraudulenta. É o que se passa com os colégios de ensino privado de Luanda.

Tenho três filhos que frequentam dois colégios. Com a mensalidade de Novembro saldada na primeira semana, ambos os colégios decidiram notificar-me para pagar a propina do mês de Dezembro até ao dia 15.11.09, sob pena de os meus filhos serem expulsos das instituições que frequentam e vedados aos exames/provas finais.

Embora os alunos que terminem o ano lectivo em Novembro não devessem pagar a propina de Dezembro, para mim não há grande problema em desbloquear a verba solicitada para "contribuir para a festa dos professores" que tb merecem um natal razoável. O "big problem" é mesmo terem de cobrar antes de se "consumir" e ameaçarem expulsar os alunos a partir do dia 15.11.09, mesmo com o mês de Novembro pago e ainda a meio. Há por aqui alguma incongruência que o Ministério de tutela deve resolver. Ou as cobranças anárquicas não lhes chega aos ouvidos?
_ Se não, aqui fica a prova do que muitos "sem voz" reclamam em surdina.

domingo, novembro 15, 2009

QUANDO BOCAS E OBRAS SE CONJUGAM NO FUTEBOL

Há um ano ouvi, através da Rádio Cinco, o governador de Cabinda, Anibal Rocha, a garantir que tudo faria para que a província que governa se fizesse representar em 2010 no convívio dos grandes do nosso futebol, o Girabola.


Dito e certo. Cabinda vê-se representado, no Girabola do ano em que Angola organiza o CAN, com o Sporting e o Futebol Clube de Cabinda que disputou o torneio de repescagem, vulgo liguilha.

Ao contrário de outros políticos da nossa praça, bons em promessas e péssimos nas obras, Anibal Rocha (na foto) olha(va) para o futebol com a mesma atenção que dispensa às infra-estruturas sociais que fizeram inscrever o seu nome no desenvolvimento da província mais a norte do país. Rocha mandou construir e fiscalizou obras para estádios, campos pelados e pavilhões multi-usos. Usando de bons ofícios e encorajamento moral, Rocha fez também com que as equipas de Cabinda apostassem na formação, contratando, para o efeito, técnicos com alguma experiência. E o resultado está aí à vista de todos.

Em cabinda “os carecas podem pentear e os malucos não morrem à fome”, ao contrário de Benguela onde o ex-governador Dumilde Rangel, referindo-se aos apoios que as equipas locais de futebol precisavam para se manter entre as grandes, terá desabafado, à mesma Rádio Cinco, que no seu tempo/governo “não havia pente para carecas nem pão para malucos”. Académica do Lobito e o Primeiro de Maio estão a "vagabundear" no campeonato provincial perdendo a chance de desfrutarem dos enormes investimentos em curso na província que vai acolher uma das séries do CAN 2010. A Huila que tinha uma equipa no Girabola conseguiu mais uma e Cabinda passou de zero para duas.

Luciano Canhanga

quarta-feira, novembro 11, 2009

SIM À INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA: BRASIL ULTRAPASSOU RPC PELA DIREITA?


 Mais um elemento novo na História sobre a independência de Angola. Até agora tudo o que a minha geração sabia era que foi o Brasil o primeiro país a reconhecer a nóvel República Popular de Angola. Pelo menos assim está registado nos documentos oficiais. Porém, em entrevista recente à TV Zimbo (conduzida por Amílcar Xavier), o nacionalista e embaixador Luis Neto Kiambata trouxe à luz uma nova verdade.


Dizia Kiambata  que a luta do MPLA pela independência, proclamada por Agostinho Neto (na foto discursando), presidente deste Movimento, só foi possível graças ao acolhimento desta força política-militar pela RPC- República Popular do Congo ou Congro-Brazza. Disse mais, o sexagenário, que "aquando da independência de Angola quem estava para fazer o primeiro pronunciamento de reconhecimento era o representante da RPC", só que expressar-se na sua língua (francesa) fê-lo perder preciosos instantes que foram oportunamente aproveitados pelo representante do Brasil que disse falar em nome da sua República Federativa.

E o embaixador Kiambata questionava-se na entrevista: "Se o Congo-Braza sempre nos apoiou e tudo fez para que Angola se tornasse independente, tendo inclusive, à data da proclamação da independência enviado um seu Ministro para testemunhar, previsaria aquele país de lutar pela primasia do discurso de reconhecimento"?

E a resposta implícita não podia ser melhor do que esta, a minha: Não precisava! pois só não o fez antes porque não dava para fazê-lo nestas circunstâncias.

E agora que foi "despolectada" esta nova verdade, outra pergunta surge: Por que terá o representante brasileiro em Angola se aboletado da palavra alheia?

Luciano Canhanga

sexta-feira, novembro 06, 2009

ARBITRAGEM = CERIMONIAL?

Começou, em todo o país, a apresentação e debates sobre as três propostas de constituição elaboradas pela Comissão Constituinte da Assembleia Nacional.

Os membros da comissão constituinte, partidos representados no parlamento angolano e as associações cívicas estão empenhados em levar aos públicos os temas principais das três propostas que podem ser lidas aqui: http://www.comissaoconstitucional.ao/ . Na essência, as divergências residem nos tipos de Poderes a atribuir ao Presidente ou na forma de exercício da presidência, plasmados nos Modelos A, C e B, respectivamente, PR=chefe do governo em A e C e PR=árbitro em B.

O outro tema quente da discussão tem a ver com a forma de eleição do Presidente que pode ser pelo sufrágio universal directo (propostas A e B) ou voto indirecto (em proposta C onde o cidadão presidenciável tem de ser cabeça de lista de uma formação política concorrente, devendo, de igual modo, o PR ser do partido da maioria parlamentar, o que levaria a inexistir a possibilidade de litígio entre o governo do Presidente da República e o Parlamento por serem da mesma formação partidária).

Colocados os assuntos na mesa da discussão, uma das grande questões, a meu ver, reside em saber, como e onde depositarão, os cidadãos anónimos, as suas sugestões e se, de facto, elas serão tidas e achas pelos legisladores.

Outra questão tem a ver com a designação que se atribui ao PR no segundo modelo (semi-presidencialismo) em que o eleito para o mais alto cargo da Nação é tido como "Presidente Cerimonial". Será que a arbitragem presidencial e o cerimonial querem, em política angolana, dizer a mesma coisa ou se está perante uma velada insinuação para que os angolanos não optem pelo semi-presidencialismo?

(In)felizmente é a proposta C que o "Magister" quer!

segunda-feira, novembro 02, 2009

O INTERVALO DO PROFESSOR GONCHA

Em Calulo, na escola número três, ao Kassequel, Gonçalves da Silva era professor da primeira classe. Os alunos eram maioritariamente filhos de recuados (deslocados) da comuna de Kissongo e das redondezas, com domínio precário da língua que une o país, o português.

Gonçalves ensinava as ciências e a Língua da Nação. Estávamos no ano de 1988. A guerra apertava dia após dia. Os bens de consumo escasseavam e o lanche para os meninos, dias havia, semanas não, exceptuando-se aos filhos dos camaradas comissários e delegados municipais.

João Kaúia, de seu nome, aparentava oito anos e estava na primeira classe. Tinha um desafio duplo: aprender a língua que não sabia e enquadrar-se no seio dos demais colegas que o desdenhavam devido ao seu cantarolar que se parecia ao chilrear dos passarinhos. Parecia mesmo que imitava os pica-flores e os rabos-de-junco que cercavam a escola, naqueles tempos de voos fracassados do salalé. Porém, Kaúia era mais do que isso. Tinha saudades do amanhecer, das visitas às armadilhas e ratoeiras deixadas nas bermas das lavras e das pescas aos sábados e domingos, dias em que "não havia escola".

Na escola, enquanto se ensaiava nos primeiros termos da língua lusa, passava os recreios a solo ou em companhia de conterrâneos que com ele "kimbundavam" ao intervalo. Recordavam os idos tempos no Kissongo, ainda sem guerra, nem recuas, com fartura de mandioca, carne de caça e peixe no rio Kixikumuna. Kaúia e amigos viajavam, no intervalo, para a era dos bons tempos, do café madrugador da avó Kixibo, do milho assado da tia Kifunde e das brigas de afirmação que deixava os rapazes com a pele enrijecida e cheia de pequenas cicatrizes. Cada sinal no corpo tinha uma história. Eram essas histórias que cobriam o tempo de recreio.

Um dia, daqueles dias de muita ocupação do professor Goncha, em que era preciso passar a "pente fino" os cadernos, Kaúia adiantou-se na apresentação dos deveres ao professor. Era a forma de ganhar tempo para a repetição dos exercícios errados. Os primeiros a entregar os cadernos eram sempre os primeiros a recebê-los. Era já hora de recreio. Ao regressar à carteira, Kaúia enfia a mão debaixo da mesa e, debalde, nota que o seu farnel, um pedaço de bombó com ginguba, já lá não estavam. Os colegas tinham todos abandonado a sala e alguém se tinha aboletado do seu farnel.

Kaúia, banhado em lágrimas, queria explicar, mas palavras não tinha. O seu raciocínio era em Kimbundu que  traduzia para o "pretuguês" em que engatinhava. Pensou explanar na língua que dominava, mas era proibida naquele recinto oficial. A língua da sua gente era apenas para o intervalo com os amigos da buala e na informalidade da aldeia da Banza de Calulo. Aflito, quase a fazer-se em pedaços, Kaúia encostou a metros da secretária do professor que, de óculos inclinados para os cadernos, simplesmente não ligava ao que se passava ao seu redor.
_ Camá pressor! chamava Kaúia.
_ Diga! Respondia o mestre.
_ Camá pressor,
_  Diga!
_ Camá pressor,
_ Diga!

À medida que o tempo passava, Kaúia mais se chateava da desatenção que lhe era brindada pelo mestre. O professor, por sua vez, julgando serem daquelas queixas miúdas, próprias dos alunos primários em tempo de intervalo, redobrava a atenção à correcção dos exercícios, até que o aluno reclamou:

- Oh! io uamba hanji digó-digó, mbomba iama anhana!*
* o mesmo que: oh! estás aí a dizer, diga, diga, o meu bombó foi roubado!


Luciano Canhanga

sábado, outubro 31, 2009

QUESTÃO DIFICIL EM "DIA DE ANIVERSÁRIO"

Sábado foi um dia de muito trabalho na obra. Foi também noite de alguns frascos e acordei ainda enfrascado na manhã de domingo, dia 18 de Outubro. Ainda entre o ontem e o hoje (19) fui surpreendido pela pergunta de meus filhos que de véspera tinham tido um grande debate sobre o dia da Rádio e da Televisão.

_ Papá, a Rádio e a televisão em Angola só têm 32 anos? Perguntaram o Mociano e a Danni.
Pestanejei. Tentei fazer conexões para entender a pergunta. Apressado, rebusquei no in o que me restava dos conhecimentos adquiridos no IMEL e do livro do padre e jornalista Muanamosi Matumona sobre a história do jornalismo angolano.
_ Não filhos, têm mais. Mas por quê? questionei.
_ Vimos na televisão a publicidade do seu aniversário, hoje, e dizem que foi em 1977, responderam em coro.
_ Filhos, muitas instituições fazem a festa no dia da sua inauguração ou criação do serviço. Outras como a Rádio e a televisão adoptaram datas que lhes foram marcantes, mesmo não sendo estas as do início das suas actividades. Assim foi. O Primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto, visitou a rádio no dia 05 de Outubro e a televisão no dia 18 de Outubro de 1977. Porém a rádio e a televisão já existiam. Não começaram a emitir a partir do dia da visita do Presidente Neto.

_ E porquê que dizem que hoje é o dia da televisão se ela já existia? voltou a questionar a menina.
_ Filha, o aniversário duma empresa não é como o aniversário de uma pessoa. Pode ser em qualquer data. Depende do dono.

E voltei à cama ressacado, pensando na aula que me cobrariam no do dia seguinte.

História da Televisão em angola:
1962 - O Rádio Clube do Huambo emite as primeiras imagens; 1964 - A 8 de Janeiro Rádio Clube de Benguela, efectuou outro ensaio de TV; 1970 - A 22 de Junho um técnico da Lusolanda emite a partir de um estúdiomontado na boite Tamar, na ilha de Luanda; 1973 - A 27 de Junho de o governo português autoriza a exploração do serviço de televisão e constitui-se a "RPA" Radiotelevisão Portuguesa de Angola. Surge também a TVA, num projecto de emissão por cabo; 1976 - A 25 de Junho de 1976 o Governo Angolano decreta a nacionalização da RPA, passando a designar-se Televisão Popular de Angola; 1977 - O primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, visita a Televisão Pública de Angola (TPA). A dia é comemorada como o da televisão no país; 1979 - Dá-se corpo a uma iniciativa local, nas cidades de Benguela e Lobito; 1981 - Surge no Huambo o primeiro centro de produção regional; 1997 - Em Setembro de 1997, a TPA é transformada em Empresa Pública, por força do decreto n.º 66/97 de 5 de Setembro, sendo a palavra "Popular" substituída por "Pública". Fonte TPA (on line).

ADENDA
“Nos 34 anos de existência, a direcção da TPA trabalhou com vista a oferecer aos telespectadores, nacionais e estrangeiros, uma programação diversificada” SIC ANGOP, 10/10/2009.

"Cronologia do desenvolvimento da TPA: 1975 - Início das emissões em Luanda, 1979 - Início das emissões em Benguela; 1981 - Início das emissões no Huambo; 1982 - Difusão da emissão em Malanje e N'dalatando; 1983 - Passagem da era da televisão a preto e branco para cores; 1990 - Início das emissões na Huíla e Cabinda; 1992 - Início emissão em todo país (Projecto TVRSAT); 1997 – (Setembro) a TPA é transformada em Empresa Pública, por força do decreto n.º 66/97 de 5 de Setembro, sendo a palavra "Popular" substituída por "Pública"; 2000- Lançamento do segundo canal da TPA; 2008 - A TPA lança o seu canal internacional", IBIDEM.

Luciano Canhanga

segunda-feira, outubro 26, 2009

FIM DO "GIRA" 2009: LIBOLO AFUNDA KABUSCORP E SONHA COM FAIXA DE 2010

Terminou, a 25/10/09, o 31º Girabola, campeonato angolano de futebol de primeira divisão. Com o campeão, Petro de Luanda, já conhecido na penúltima jornada, a 26a jornada foi bastante emotiva e teve as atenções viradas à cauda a segunda posição, para a qual pleiteavam Sport de Luanda e Benfica, D'Agosto e Libolo.


À entrada da jornada, o SLB era segundo, com 47 pontos, mais dois do que o D'Agosto e Libolo nas posições imediatas. Na cauda, a Académica do Lobito, Primeiro de Maio de Benguela, Desportivo da Huila, Kabuscorp e Bravos do Maquis tinham respectivamente 14,23,28, 29 e 31 pontos, estando as duas primeiras já despromovidas.

Na derradeira partida, quando parecia miragem o segundo lugar do Girabola 2009 prometido no ínicio da temporada pelo presidente do Libolo, Rui Campos, a equipa da vila de Calulo teve força e crença suficientes para em Luanda derrotar o afoito e "tomba gigantes" Kabuscorp por 0-1 e beneficiando da derrota do SLBenfica por 1-0 no Namibe. O Libolo, cujo presidente ambiciona ser campeão em 2010, depois do terceiro lugar em 2008, terminou esta temporada com 48 pontos, mais um do que os benfiquistas de Luanda, na terceira posição. Quanto ao Kabuscorp do Palanca, equipa de Bento Kangaba, a derrota foi a gota de água que fez transbordar o copo e teve mesmo de ser remetida à disputa da liguilha (na qual participam as três ultimas equipas do Girabola 2009 e os segundo classificados das três séries de ascenção) para poder sonhar ainda com o Girabola 2010.

No estádio Mundunduleno, no Luena, os Bravos do Maquis foram valentes e impuseram um empate a um golo ao já campeão Petro de Luanda, consoilidando a manutençao entre os grandes do Gira 2010. Noutra peleja que envolveu o aflito Desportivo da Huila, que todos viam como o que menos possibilidades tinha para se aguentar no Girabola, os militares da Huila, a jogarem no Namibe, conseguiram travar o Benfica de Luanda e beneficiaram da derrota dos palanquenses.

O D'Agosto, eterno candidato ao título, para cuja luta "desistiu" a três jogos do fim, entrou para a jornada final na terceira posição e saiu na quarta, pois perdeu em casa, por 1-2, diante da Académica do Soyo. O Inter Club e o Santos, equipas do meio da tabela, empataram a um golo. Empate registaram igualmente as formações do ASA e do Recreativo da Caála sem golos. Em derby benguelense a Académica do Lobito fechou a temporada com vitória de 1-0 sobre o Primeiro de Maio.

Classificação final
1º Petro de Luanda 56
2º Recreativo do Libolo 48
3º Benfica de Luanda 47
4º 1º de Agosto 45
5º Académica do Soyo 39
6º Santos FC 36
7º ASA 35
8º InterClube 33
9º Recreativo Caála 33
10º FC Bravos do Maqui 32
11º Desportivo da Huila 31
12º Kabuscorp 29
13º 1º de Maio 23
14º Académica do Lobito 17

Luciano Canhanga

sábado, outubro 24, 2009

A QUESTÃO DA POPULARIDADE E DA REPRESENTATIVIDADE

Na sua actual configuração, o parlamento angolano é unicamaral, composto por 220 deputados, dos quais 90 são eleitos nos 18 círculos provinciais, na proporção de 5 parlamentares por cada província, e 130 no circulo nacional (em função do número total de votos válidos os partidos elegem mandatos na proporção dos votos conseguidos).

Angola tem 18 desiguais províncias, em termos demográficos e de extensão territorial, aspecto que não é tido em conta na distribuição de mandatos por província, já que há distribuição equitativa de deputados por cada uma das 18 circunscrições. Fruto disso, uma questão se coloca: basta ser província para eleger deputados ou a população que alberga (eleitores) devia ter um peso na distribuição dos 90 representantes dos povos das províncias na Assembelia Nacional?

Como se entende que províncias como a do Kuanda Kubango (199.049 km2: 150.000hab), Cabinda (7.270 km2: 170.000hab), Bengo (41.000 km2: 500.000hab) e Namibe (58.137km2: 85.000hab) elejam o mesmo número de representantes que as províncias de Luanda (2.257km² e 4milhões hab), Huila (78.879 km2: 2,6 milhões hab), Malanje (97.602 km2: 700.000hab), Bié (70.314 km2: 2.000.000hab) ou Huambo (34.270 km2: 1.200.000hab.)?*

Quem esteve atento à distribuição de mandatos nas eleições lusas ou quem tem acompanhado outras realidades como a estadunidense, vê, com satisfação, que a distribuição de mandatos por Província/Estado está proporcionalmente ligada ao universo populacional. Havendo desigualdade no número de governados/eleitores, teria de haver proporcionalidade em termos de mandatos.

Sendo na democracia onde as maiorias “subordinam” as minorias, as províncias mais habitadas deviam possuir mais representantes/assentos que as menos habitadas. Isso, se calhar, motivarias os governos provinciais a desenvolverem políticas que desincentivassem o abandono destas circunscrições e permitisse o equilíbrio, ou mesmo o aumento da população.

Se neste momento as preocupações dos decisores políticos são outras e passam pela consolidação da paz, da concórdia social e da democracia, é bom que se comecem também a acender outras luzes para os próximos debates urbanos, pois, a evolução natural do pensamento político e social, um dia, lá nos levará.

*Dados demográficos: ANGOP
Luciano Canhanga

quarta-feira, outubro 14, 2009

RODAGEM DE SECRETÁRIOS PROVINCIAS DO ÉME PRENÚNCIO DE DANÇA DE GOVERNADORES?

A primeira notícia veiculada foi sobre a indicação de Mawete João Baptista, actual governador do Uije, para liderar o MPLA em Cabinda. A segunda versa sobre Boa Vida Neto, actual governador do Namibe que deve "pastorear" os camaradas no Bié, indo secretariar o EME no Namibe a actual governadora do Bié Cândida Celeste. João Miranda vai dirigir o Partido no Bengo. Outras movimentações podem acontecer, tendo em conta os preparativos, ainda em curso, das conferências provinciais do partido que vão homologar as "decisões superiores".

Perante os factos eis algumas LEITURAS POSSÍVEIS
> O MPLA vai deixar de ter governadores a secretariar o Partido em algumas províncias.
> Os governadores como Anibal Rocha e Ndombolo, que são lideres do Partido em Cabinda e Bengo para onde foram indicados outros nomes para secretariar o Partido, vão ser exonerados.
> Governadores como Boa Vida Neto e Mawete João Baptista vão ser exonerados e passam apenas a liderar o Partido ali onde foram indicados.
> Os governadores, como Boa Vida Neto e Cândida Celeste, vão apenas mudar de província, passando, antes da transferência governamental, a liderar o Partido nos novos poisos.

E você o que acha? 

Luciano Canhanga

quinta-feira, outubro 08, 2009

EXPULSÃO COMPULSIVA DE ANGOLANOS:TRUNGUNGUISMO OU RECIPROCIDADE?

Ponto prévio: Continuam a chegar aos nossos ouvidos notícias sobre a expulsão compulsiva de angolanos da RDC. Até ao momento contam-se já milhares que entraram através dos postos fronteiriços de Luvu e Sanza Pombo. Outros estão a caminho. Os relatos são preocupantes. Porém, é preciso amainar os ânimos e resolver o problema com ponderação, diplomacia e sabedoria. Estamos condenados a viver juntos, (ou pelo menos em paz) dados os laços consanguíneos, culturais, religiosos, etc.

Os dois Congos e a Zâmbia foram dos países que ao longo das guerras angolanas mais receberam refugiados angolanos. Terminada a guerra em 2002, cadastrados pelas entidades competentes e com o estatuto de refugiado, muitos decidiravm voltar ao país, às expensas próprias, uns foram repatriados pelo HCR e outros por via das convenções internacionais decidiram por lá ficar, dado o tempo de permanência, convivência e as alianças matrimoniais seladas.

Como preço da fragilidade no controlo das suas fronteiras e normes riquesas minerais à vista, Angola vive uma invasão silenciosa de congoleses democráticos, congoleses de Brazza e de imigrantes doutros países, com realce para os centro e oeste africanos, que tudo fazem para transpor, de forma ilegal, as nossas fronteiras. A última semana foi marcadas por expatriamentos que levaram a clivagens fronteiriças com o Congo Brazza, em Massabi (norte de Cabinda), a que se seguiram difíceis contactos diplomáticos e outros dissabores com a RDC.

Angola tinha, na véspera, mandado para o outro lado da fronteira, cidadãos congoleses de Brazza que viviam ilegalmente em Cabinda. Outros tantos da RDC e doutras proveniências tinham conhecido a mesma sorte. Os congoleses de Brazza, descontentes com a acçao das autoridades angolanas, decidiram, unilateralmente, fechar a sua fronteira em Massabi, impossibilitando a saída dos angolanos que para lá se tinham dirigido em compras, como também não deixavam a saída de viatutras com mercadorias e materiais de construção, escoados a partir do porto do Point Noire.

Acto contínuo, a Cruz Vermelha Angolana deslocou-se à fronteira e (segundo a media) foi travada pelas autoridades locais que alegavam que tais bens emergenciais, para acudir os angolanos retidos, deviam ser canalizados à congénere congolesa da CVA. "A curta abertura vigorou somente o escasso tempo de fazer passar trabalhadores da empresa chinesa engajados nas obras de construção para o Campeonato Africano de Futebol das Nações, CAN-2010, na região... As pessoas estão ao relento. Não há nada para consumir nesta altura, para higiene normal, e muita gente já não tem dinheiro para comprar uma coisa para comer ou outro auto sustento. E isto é que está a começar a criar alguma inquietação seio da população", narrou o correspondente da Ecclésia. O jornalista disse ainda que “Os congoleses estão zangados porque, dizem, foram repatriados para o seu país muitos cidadãos oriundos da República Democrática do Congo (RDC)”.

Da parte da RDC veio também, na mesma semana, o ultimato para que os angolanos residentes do outro lado da fronteira (através das províncias do Zaire e Uige) abandonassem aquele território em 24 horas contados a partir de 04/10/09. Milhares de angolanos, muitos em situação legal, segundo a nossa imprensa e governantes,  foram corrigos à força e alguns violentados físicamente, tendo deixado para trás todos os pertences.


Embora com o Congo Brazza a situaçao tenha sido ultrapassada, depois de três dias de conversações em Cabinda entre governantes angolanos e homólogos do Congo algumas perguntas aguardam resposta:
> Acontabilização de congoleses democráticos supostamente enviados erradamente a Ponta Negra foi motivo que bastasse para a retenção de angolanos na República do Congo ou estivemos perante um simples acto de “trungunguismo” (casmurrice) do Congo Brazza?
> Quanto a RDC,  terá sido accionado o principio da reciprocidade ou este país está apenas a fazer retaliação?

Luciano Canhanga

segunda-feira, outubro 05, 2009

É URGENTE HUMANIZAR O TRANSPORTE INTERPROVINCIAL

Quem assiste a saida dos autocarros, de manhã, pode parecer-lhe que o processo é normal, pacífico e sem constrangimentos para os viajantes. Quem viaja tem, porém, outras estórias por contar.

A primeira tem a ver com as enchentes nas instalações das transportadoras e da ausência de condições de acomodação dos passageiros que aí pernoitam.

Quem for, por exemplo, a Viana, pode, com os seus próprios olhos, ver e perguntar: o porquê daquela situação; por que ficam amontoados homens e cargas à espera da voz de comando para a tomada dos assentos nos autocarros; por que razão dormem as pessoas num apertado espaço da transportadora; por que não se marcam viagens com antecipação e certeza da hora e data da partida, etc.

O que assiti na SGO foram situações desumanas neste tempo em que o homem deve ser o mais precisoso tesouro. Outro aspecto tem a ver com a imperícia de alguns motoristas destas transportadoras, inúmeros têm sido os acidentes ao longo das estradas, muitos por imprudência e outros tantos por imperícia. Com ou sem vítimas, há sempre danos morais e até financeiros. É preciso mais atenção na admissão dos homens que têm por missão transportar vidas humanas. Julgo que tem de haver mais respeito por queles que fazem os nossos salários dos funcionários e os lucros dos patrões. Tem de haver um tratamento mais digno...

As empresas transportadoras deviam afixar horários de partida e o número de autocarros para cada rota (província). Deviam também proporcionar um serviço de reservas com o respectivo lugar no machimbombo.

Se assim fosse, sabendo de antemão a que hora parte o autocarro, poucos teriam a necessidade de dormitar nas instalações destas empresas, tão pouco ver-se na obrigação de partilhar o parco espaço com as diversas Imbambas.

Luciano Canhanga
Foto: G. Patissa

quinta-feira, outubro 01, 2009

MAGISTER DIXIT

Está aberto o debate sobre a forma da próxima eleição do Presidente angolano. À mesa vários argumentos e ORIENTAÇÕES...

> "Estamos a evoluir do sistema de eleição directa ao sistema parlamentar"
> "O que nos interessa é este terceiro modelo em que o PR é cabeça de lista do partido mais votado e sem precisar de formalização parlamentar"
> Com este sistema dificilmente haverá crise entre o PR e o Parlamento pois o presidente é do partido que detém a maioria"
> "O mandato do governo eleito é para até 2012"
> "Presidenciais serão realizadas após aprovação da Constituição"
> "Vice-Presidente é nomeado pelo presidente entre os deputados eleitos"
> "Com este modelo o presidente deixa de ter iniciativa legislativa"
> "O sistema suporta o candidato a PR, pois tem a máquina do partido a apoiar qualquer que seja o candidato"
> "Cidadãos independentes, se têm bases de apoio, que criem partidos"
> "Etc."
Luciano Canhanga

domingo, setembro 27, 2009

FAIR PLAY

Fair Play é fácil de aconselhar mas difícil de observar. Porém, tenho hoje de me submeter ao rigor, pois em jogos de futebol, onde haja observação de fair play, não deve haver combinação de resultados. Eles fazem-se em campo.

Jogam hoje (27/09/2009) o Petro de Luanda e o Recreativo do Libolo para a 23a jornada do Girabola, o campeonato angolano de futebol da primeira divisão. Sou adepto de ambas equipas. O R. Libolo, com dimensão regional, o município do Libolo, província do  Kuanza-Sul (onde nasci e tenho grande afectividade) e o Petro de Luanda, equipa de dimensão nacional e africana a que aderi desde a infância, quando o RL, equipa em que já joguei na classe de iniciados (Cambuco Futebol Clube), era ainda equipa de "amigos".

O Petro tem objectivos capitais que passam pela reconquista do título. Se vencer esta tarde ao Libolo abre, antecipadamente, o champagne, quando ainda lhe faltarão 3 jornadas. O RL tem, por sua vez, também objectivos que passam por melhorar a terceira posição do Girabola de 2008 e apurar-se para as afrotaças. Caso o Petro perca, ainda tem hipóteses de ser campeão, pois só lhe caberá vencer um dos três jogos por disputar, mesmo que os seus mais directos perseguidores vençam todas as partidas por realizar. O Libolo, porém, precisa dessa vitória e de todas outras. E onde estarei eu?

_Obviamente no meu quarto assistindo ao jogo, repartido. Puxando pelo Libolo que me pode dar alegria, e puxando igualmente pelo Petro que me pode proporcionar a festa antecipada.
Não é fácil, confesso. E pela primeira vez, em jogos onde estejam o Petro ou Libolo, sou forçado a primar pelo Fair Play de que tenho sido criticado pelos meus leitores quando escrevo sobre o Recreativo do Libolo. Que vença a melhor equipa em campo ou que empatem, o que muito me satisfará!

Na foto: Mohamed Mociano Canhanga)
Luciano Canhanga

sábado, setembro 26, 2009

A QUESTÃO DO "BOLO" NA GESTÃO PROVINCIAL

Angola, o meu país, tem dezoito desiguais províncias. Moxico (223.023km2; 240.000hab) e Kuando-Kubango são as mais extensas e por sua vez as que registam menor densidade populacional. Luanda a menor, concentra, porém, mais de 1/3 da população nacional, ou mesmo a caminho de acolher metade dos aproximados 15 milhões de habitantes.
Durante o perído de guerra civil, travada de 1975 a 2002, Luanda foi sempre o destino final de todos os "recuas" e deslocados. Foi também, por via da segurança que possuia e de acolher o poder instituído, a província em que sempre se fez algo. Timidamente surgiram alguns novos serviços, alguns reparos nas ruas e edifícios, algumas escolas e hospitais, enquanto as outras províncias, mais à mão do destruidor, (guerrilha e tempo) se "contentavam" com o êxodo e com o nada de novo.

As províncias não costeiras têm um outro problema que se chama dispersão populacional em pequenos aglomerados, o que dificulta a satisfação de algumas necessidades infraestruturais como: escolas, postos de saúde, água e energia, por não reunirem "universo populacional que justifique a instalação desses serviços". Quanto a mim, e bem o sabe o Governo angolano, a saída passa pela junção de vários aglomerados isolados um dos outros, em povoados maiores que facilitem ao governo e outras instituições interessadas em colocar serviços e permitir um usufruto racional destes bens. É, a meu ver, impraticável colocar uma escola, um posto médico, um chafariz e instalações eléctricas em dez aldeias com sete a dez famílias cada, separadas por dois a cinco quilómetros. Criar políticas que incentivassem a junção de aglomerados para se poder dar o básico (água, luz, educação e saúde) a cada um dos angolanos seria o mais correcto.

Por outro lado, hoje, quando se fala da repartição do bolo entre Luanda e as demais províncias, algo me ocorre: Enquanto mais pessoas houver, pressuponho haver também maiores problemas por se resolver. E Luanda passa por isso. Um hospital em Luanda é frequentado por mais pacientes, a sua degradação também é mais rápida do que numa outra circunscrição menos habitada.

Se transportarmos esta realidade para as sedes provinciais e outras vilas (sedes municipais) nos debateremos com as memas situações. Não há, a meu ver, discriminação entre as verbas do administrador do municipio sede e as do administrador dum outro município da mesma província, nem se coloca a questão de quem mais kilómetros quadrados tem. A minha análise radica na população. Quem mais povo administra mais recursos deve ter. ou não será assim?
E nisso de admninistrar encontramos municípios com maior população do que muitas provincias. O Cazenga, por exemplo (município de Luanda com mais de 1 milhão de habitantes), terá uma área dez vezes menor do que Cabinda e 30 vezes menor do que o Namibe. Entre o administrador do Cazenga e os governadores das extensas, mas menos habitadas, provincias quem mais problemas administra?

A Cidade do Maputo, capital de Moçambique, tem o estatuto de província, para além da própria provincia do Maputo. Se para lá evoluirmos não seria pecado algum, desde que a proporção das bem-feitorias fosse de acordo à população administrada. Seria como no tempo da planificação alimentar: quem mais filhos tivesse mais pães levava para casa.

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 21, 2009

O BIFE E O PEIXE FRITO (CONTO)

Man Xaxo virou guarda depois de desmobilizado do braço armado do povo, as FAPLA. Em casa do ministro Kambondondo onde estava colocado, posto muito cobiçado por todos os companheiros da nova trincheira, assistia dias sim, dias sempre aos banquetes com que Kambondondo brindava os amigos, ex-companheiros de brigada, sócios empresariais, afilhados e até namoradas, sempre que a dona Kifunde se ausentasse para compras no estrangeiro.

Man Xaxo, visionário e audaz em pôr ordem na vizinhança, só de longe saboreava aqueles quitutes que bem lhe sabiam na imaginação. O seu prato vezeiro era o de arroz com peixe frito e pão seco que vinha da empresa de segurança. Junto à cancela estava um pitbull carnívoro, animal de estimação de Kambondondo, cujas regalias se equiparavam aos que oferecia aos filhos, ultrapassando mesmo as miseráveis vivências dos directores nacionais. O Xindandala tinha médico, dentista, adestrador e muito mais. As suas consultas eram seguidas ao pormenor e usava dos mais caros perfumes. Xindandala era, aos olhos de Man Xaxo, um cão com direitos humanos.

Farto da vida humana do cão e a vida de cão que lhe era brindada naquele rancho ministerial, Man Xaxo começou por dividir os bifes entre ele e o pitbull sem que os seus segurados o soubessem. Com o andar do tempo foi diminuindo a parte da carne destina ao cão mandando-a goela adentro, até que um dia pensou no que seria o seu golpe de artista: inverter os pratos. O peixe frito para o cão e o bife para si.


Mal pensou, pior fez. O engarrafamento daquele dia tinha atrasado a chegada da carrinha de distribuição do manjar aos vigilantes todos. O pitt Xindandala já tinha tomado leite, antes da refeição do dia. Man Xaxo engolia vento ainda. À hora do almoço, o bife tanto fazia verter fluídos da boca e das narinas do cã0, como também criava água na boca ao seu companheiro humano. Man xaxo não pensou nem pestanejou. Ao chegar o refogado tragou-o e aguardou pelo arroz com peixe frito que o cão sequer o tocou, abrindo-se em uivos que despertaram os proprietários da casa.

Qual o espanto?
_Repousava no canil intacta a marmita com arroz e peixe frito. Do bife nem cheiro!


Luciano Canhanga

quarta-feira, setembro 16, 2009

CATINTON: DEJECTOS QUE ALIMENTAM ESTÔMAGOS

À vala de drenagens do Catinton convergem outras linhas pluviais como a do Senado da Câmara, Palanca, Camama, Calemba II, etc. A estes canais de água são canalizados, ao longo dos seus percursos, lixos domésticos, esgotos caseiros com dejectos, e outros detritos humanos e animais, tornando as suas águas, em qualquer que seja a estação do ano, impróprias para qualquer utilidade humana.

O que assito, porém, é que estas águas pódridas são, muitas vezes e em muitos locais, usadas para a lavagem de roupas e de viaturas, feitura de blocos para a construção e até a irrigação agrícola, como acontece nas imediações do projecto habitacional Nova Vida (em Luanda).

É com a água da vala de esgotos acima descrita que se fazem crecer as couves, cenouras, tomate, alface, gimboa e outros legumes com que muitos luandenses alimentam o estômago.

Sendo esta uma página de reflexão, que se empresta também à actualidade, e que deve contar com o os saberes e comentários de outros especialistas e leitores, deixo algumas questões que ajudarão os jornalistas a fazerem as questões pertinentes e as autoridades desempenharem os seus papéisl.

> Irrigados os legumes com água fétida, tornam-se ou não impróprios para o consumo humano, tendo em conta o contacto directo?

> A simples lavagem destes legumes anula as eventuais bactérias que contenham estas verduras?

> Que saúde ostentam os homens que trabalham com esta água todos os dias?

> Que medidas devem tomar as autoridades sanitárias, agrícolas e de direitos do consumidor?

Deixe o seu comentário, contribua para a melhoria da saúde pública.

Luciano Canhanga

segunda-feira, setembro 14, 2009

CHUVA SIM: ESTRAGOS POR DESLEIXO NÃO MAIS

Hoje começou, de facto, o período chuvoso em Luanda, embora oficialmente tenhamos entrado para a estação a 15 de Setembro. A capital angolana acordou molhada e até às oito horas o tempo apresentou-se com bastante nebulosidade e com invisibilidade para os automobilistas.

Conhecendo os estragos que a chuva provoca em Luanda às infraestruturas básicas de saneamento, às casas, às estradas, etc., sabendo que muitas obras inadiáveis decorrem e decorrerão neste período de pluviosidade (tendo em conta a realização do CAN, em Janeiro próximo e não só) e que podem ser gravemente afectadas, trago, como tema para reflexão, um texto que radiodifundi, há aproximadamente dois anos na RDP-África, retratando conseqüências da chuva em Luanda que espero não mais voltem a acontecer.

"CHOVEU EM LUANDA. HÁ ESTRAGOS CONSIDERÁVEIS.
Os especialistas em meteorologia já admitem que esta foi das piores chuvas dos últimos anos e atribuem a causa aos efeitos do fenômeno El niño que anos atrás fez inundar Moçambique.

A chuva desta madrugada teve início por volta da meia noite e continuou com intensidade até bem próximo do meio dia.
Neste momento ainda goteja e, como conseqüências, grande parte dos serviços públicos estão com as portas fechadas. Muitos edifícios estão com as caves e os primeiros pisos inundados, os colectores de esgotos não suportaram a carga de água misturada com lixo e areias transformando as estradas em autênticos rios.

Quanto à circulação automóvel, apenas os veículos todo-terreno a efectuam, mas com grandes cautelas.
A periferia de Luanda está transformada em cacimbas. Muitas casas desabaram, há mortes registadas por electrocussão e afogamentos e vários pedidos de socorro continuam a chegar aos bombeiros, segundo o porta-voz da corporação.
Uma ronda aérea está a ser efectuada por membros da polícia, bombeiros e governo de Luanda, para constatar as zonas mais afectadas.
Quanto aos danos, o balanço não é para agora, tendo em conta as dificuldades de comunicação e de acesso criadas pela chuva. Tradicionalmente são zonas críticas a Samba* e Corimba; a Boa Vista, no Sambizanga, e Cacuaco".

* hoje a Samba já não é uma zona crítica quando chove, mas há outras várias.
Luciano Canhanga em Luanda