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terça-feira, novembro 30, 2010

ALÔ PAPÁ, HÁ CHUVA EM LUANDA!

- Papá, a caminho da escola molhei-me. Sorte é que estava prevenido com outra roupa.
A mensagem enviada por sms carregava alguma preocupação do pai distante no nordeste.

- Filho, coragem - disse-lhe a amansar a dor- o papá também andava à pé do rangel ao IMEL e muitas vezes à chuva. - Concluiu encorajando o rapaz.

- Ok papá. - voltou a teclar o rapaz, treze anos às costas e frequentando a oitava classe.
- Filho, tenho orgulho de ti. Estás no bom caminho e precisas te fazer um homem.
- Ok papoite. Olha papá, dia 30 de Novembro há uma festa. Para entrar serão necessários Kz 700.
O pai liga preocupado com a chuva e a festa. Tudo a fazer-lhe confusão na cabeça. 
- Alô Mociano!
- Sim papá.
- Quem organiza a festa?
- São os meus colegas e amigos do bairro.
- Mas que tipo de festa é essa?- Perguntou algo aborrecido pelas respostas secas que ouvia.
- Não papá. Não é REIV.
O pai acalma-se um pouco, suspira, sorve ar puro, mas não fica por ai.
- Qual é a idade?
- De 14 anos para baixo, papá.
- Mas tu ainda só tens 13...
- Oh papá, falta pouco para 2011...

Seguiu-se um silêncio e o pim-pim-pim. As operadoras de telefonia móvel estavam sem cobertura de rede.

A curta conversa e as sm's anunciando a chuva, que por quase inundou a capital angolana a 17 de Novembro, tinham sido registadas às 11h41minutos. Daí em diante nada mais houve de comunicação entre pai e filho. Na memória do pai surgiam agora as más recordações de casas sem tectos, ruas completamente inundadas e um trânsito automóvel insuportável. Pior ainda porque o colégio ficava longe de casa e não se sabia se o menor teria formas de sair da escola para casa.

Em viagem para Luanda, o pai aeroportou pelas 17 horas transportado numa aeronave da Palanca. Os 15 quilómetros de carro foram realizados em 5 horas até Viana. Num percurso de pára-anda-pára e sem contacto com o filho que ao proteger-se da chuva desprotegeu o telefone que encharcou.

Apenas no dia seguinte trocaram novidades.

domingo, novembro 28, 2010

PONTE SOBRE CASSAI: FRONTEIRA ENTRE ANGOLA E RDC

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Na imagem a ponte ferroviária sobre o afluente do Cassai que permite o cruzamento da fronteira entre Angola e o Congo Democrático aguarda pelo apito das composições do CFB.

A empreitada de reabilitação está em curso e o comboio já apita no Huambo. Até aqui (Luau) levará algum tempo mas, tarde ou cedo, cá estará para a alegria das populações da antiga vila Teixeira de Sousa.
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terça-feira, novembro 23, 2010

CRUZANDO A FRONTEIRA COM A RDC

Aqui, neste local em que foi feito o retrato, estava no lado do Congo Democrático, passando pelo posto fronteiriço do Luau.

A ponte sobre o afluente do Casai que serve de marco fronteiriço entre os dois países tem duas cores e é feita de materiais diferentes.

Na parte angolana foi pintada em vermelho e amarelo e é metálica até ao meio do rio. Na parte congolesa (a que a foto mostra) é de betão e pintada de cor azul.

Aqui, o movimento transfronteiriço é intenso, bastando um salvo-conduto (laissé passé) para as populações ribeirinhas. Dos dois lados compra-se e vende-se tudo o que no oposto não haja.

Ainda a fazer falta está a ligação ferroviária. Informações recolhidas no local apontam para um "dia sim e dia talvez" da parte do comboio congolês até à fronteira, enquanto que da nossa parte (Angola) os trabalhos de reabilitação da ferrovia iniciada no Lobito ainda não atingiram o seu epílogo.

No posto fronteiriço existem já infraestruturas novas como posto da polícia fronteiriça, centro médico, unidade da polícia fiscal e uma escola. O último troço da via (cerca de cinco quilómetros entre a vila do Luau e a fronteira, está em reparação e alargamento).

O comboio do Lobito também está a caminho...

quinta-feira, novembro 18, 2010

UM OUTRO ROSTO PARA CASSAI SUL

Cassai Sul é a sede da comuna com o mesmo nome, do Municipio de Muconda, Lunda Sul, na margem do rio Cassai fronteiriço com a província do Moxico, através do municipio do Luau.

Aqui, no tempo Tuga, "havia (segundo relatos de quem lá nasceu), um aeródromo militar e um grande quartel" que serviam para manter a fronteira e conter o avanço dos independentostas do MPLA também tratados pelos tugas por "turras".

A guerra e o isolamento levaram a localidade  ver quase tudo a desabar, embora persistam ainda alguns edifícios antigos como a escola, a igreja em reconstrução, o hospital local, o tanque de elevação de água, o ex-posto (onde os sobas levavam palmatoadas dos cipaios bufos), etc.

Foi bom ter viajado com um homem na casa dos quarenta e nasceu na localidade que no dia 09.11.2010 viu ser inaugurado um fontanário para minimizar a procura de água.

A poucos metros da saída para o Moxico, foi reerguida a grande travessia de betão sobre o Cassai, ligando Cassai Sul ao municipio do Luau.

Governantes do Poder Central,  províncias da Lunda Sul e Moxico, público local e convidados testemunharam estas realizações que conferem dignidade de vida a mais angolanos do interior.

Testada a Ponte, seguimos ao Luau, onde as velhas carrugens, gastas pelo tempo e danificação humana guardam ainda lembranças do tempo que foi bom: A ligação ferroviária entre o Lobito e Luau, seguindo para o Ex-Congo Belga.  

sábado, novembro 13, 2010

O INTERIOR INVERTENDO A PARAGEM E DESTRUIÇÃO

SEDE COMUNAL DE MURIEGE, MUNICIPIO DE MUCONDA, LUNDA SUL.

Para os habitantes do pequeno vilarejo a água corrente já é realidade.

Em tempo foi um posto comercial e militar dos Tugas...

Hoje, na Angola Independente, é uma comuna que procura sair da letargia, deixando para trás os longos anos em que não houve investimentos públicos e privados acompanhado de um cerco cerrado nos anos de guerra.

quarta-feira, novembro 10, 2010

ANDANDO E CRESCENDO COM O LESTE DE ANGOLA

SAURIMO-MURIEGE-MUCONDA- CASSAI SUL- LUAU- RDC

A estrada reabilitada convida para o baixar do pedal do acelerador. Mais de 300 km de percurso.

Na comitiva seguem os ministros da defesa, agricultura, secretário de Estado das obras públicas, governadora da Lunda Sul, vice-governador do Moxico, outros intregrantes governamentais empresariais e eu.

A data é 09.11.2010.

Ao longo do troço, mais de dez pontes reabilitadas, com destaque para as de Tamba, Luachi, Luachimo, Mombo,  Tchiumbe, Lufige e Cassai.

domingo, novembro 07, 2010

COMO AJUIZAR SEM TER SIDO PRATICANTE?

Nesta semana que finda recebi, com agrado e preocupação, um convite da direcção provincial da cultura para presidir ao juri do concurso de danças tradicionais.

Agradado porque o convite surgiu como reconhecimento às minhas reflexões sobre a cultura local. Um dos textos que terá estado na origem do convite foi publicado na Revista Lusango editada pelo Governo da Lunda Sul.

Preocupado porque nunca fui bom dançarino (nem mesmo de kizomba) e nem sou natural do leste/nordeste de Angola, região em que trabalho há já cinco anos e com uma grande interação com as comunidades e sua cultura.

E tal como me mostrei inquieto, perguntando-me, sem negar ao convite, por que teria de ser logo eu a preisidir ao juri, muitos também se terão questionado: por que razão um mukuakuiza com tantos peritos que há por cá?

Após reflexão, achei por bem usar uma postura de liderança. Os líderes não têm de ser necessáriamente peritos em tudo. Têm é de estar bem ladeados e bem aconselhados. E foi o que fiz.

Documentei-me o suficiente sobre as indumentárias que acompanham as danças tradicionais locais (com realce para a Cianda, Cisela, Makopo, Kafundeji e Mukixi ), os instrumentos musicais (tipos de ngomas), os movimentos e sua descrição, sendo o resto ciência: entoação, harmonia, coreografia, enquadramento, movimentos, tempo de exibição, etc.

E foi uma bela experiência. Tudo o que o corpo de juri (seis integrantes) e a assistência poderam ver foi que nenhum dos grupos fugiu à modernidade, inovando aqui ou alí nalgum pequeno detalhe. Vimo-lo nas indumentárias, nas coreaografias, nas entoações musicais, etc.

Uns, os grupos dos municipios do interior (Dala e Muconda), conservando a ainda a matriz identitária das danças tradicionais e outros, os grupos do municipio sede (Saurimo), com uma grande propensão para a fusão de vários elementos culturais (empréstimos com outras danças contemporâneas), o que, na verdade, tornou difícial a missão de escolher quem representará a província no concurso nacional a acontecer no Huambo.

Um dos elementos a ter em conta é que sendo danças tradicionais a matriz deve ser no máximo protegida (mesmo sabendoo-se que nenhuma cultura é estanque e que os empréstimos são inevitáveis). A indumentária (incluindo as coberturas ou chapéus) deve ser rigorosa: Ou toda a tender para o modernismo ou toda ela confeccionada com materiais tradicionais o que lhe confere um aspecto mais rústico e indentitário com o passado; os toques devem ser originais

A transmissão nas escolas deve obedecer ao tradicional para que não se mate o passado. Aprendido o original, deve partir-se para as inovações que se acharem pertinentes, já que a cultura é um bem comercial e turístico.

Assistido ao concurso em que despontaram grupos formados por pessoas adultas e experientes, e jovens e adolescentes com potencial, um dos questionamentos que me coloquei foi: Quem devia ir representar a Lunda Sul, visto que escolhendo “o aluno” poder-se-ia desencorajar “o professor”, sendo válido o posto?

A votação individual em todas as categorias, obedecendo-se ao estipulado no regulamento do concurso e ao principio de que “ganha quem mais pontos somar” resolveu a questão.

A título individual, e neste espaço sou porém a recomendar: O representante da província deve ser rigosoro na observância da indumentária (conforme acima exposto), no comando do grupo e acatamento das ordens dadas pelos executantes dos instrumentos, no cumprimento dos tempo para exibição, na execução ordenada dos passos (entrada e saída do palco) e noutros quesitos. Se assim for, o grupo escolhido pelo juri pode trazer uma medalha do Huambo.

segunda-feira, novembro 01, 2010

O MEU CAMPEÃO DO GIR'A BOLA 2010

Depois da vergonha do Angola-Argélia no CAN organizado por nós, até aqui somente comparado ao Portugal-Brasil (Mundial da África do sul), eis que fomos brindados com um anti-jogo que fabricou um campeão, perante a passividade do arbitro escalado para julgar a partida.

Inter e Santos F.C. um aflito para ser campeão e outro aflito para se manter na primeira divisão acabaram por protaginizar uma brincadeira de péssimo gosto para quem gosta de futebil jogado com entrega.

Com o Recreativo da Caála (Huambo) a vencer em Luanda o Petro Atlético por um/zero, o Inter começou a perder, ao intervalo, vendo a taça quase na montra dos caalenses. No segundoi tempo os políccias tiveram de se aplicar para alcançarem o empate que os colocaria em igualdade pontual com a equipa planáltica, entretanto em vantagem, dado o saldo de golos que possuiam os polícias.

Por seu turno, o Santos que apenas precisava de um empate, apercebendo-se da derrota em cabinda de outro afoito, O Desportivo da Huila (que precisava de empatar para se manter na primeira divisão) abrandou a marcha, tal qual o inter. Um jogo de amigos que se arrastou por uns trinta minutos, sem que alguém ousasse transpor o meio campo contrário foi o que nos brindaram os "campeões" do anti-jogo.
  
Por tudo quanto fez, derrotando na penúltima jornada o até então também candidato ao ceptro, Recreativo do Libolo, e vencendo em pleno estádio 11 de Novembro, em Luanda, o então campeão em título, Petro de Luanda, o Recreativo da Caála merecia mais do que um segundo lugar em ex aequo pontual com o Inter. É por isso o meu campeão.