Translate (tradução)

domingo, dezembro 30, 2012

KARIANGO: QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ?


Kariango, comuna do município da Kibala, Kwanza-Sul.
Estou sobre a ponte do rio Longa (já a chamam de ponte antiga, pois a nova está a ser construída mais acima,na nova estrada asfaltada). Aqui, as pedras em forma de tartarugas, combinadas com o efeito da água e vegetação criam um efeito de beleza rara.
A isso se acresce a presença de mulheres cuidado da roupa e as crianças que lavam a loiça, aproveitando uns pinos na água que no tempo chuvoso ganha uma coloração semi-acastanhada.

A 50 km da vila de Kibala, Kariango é um vilarejo que ensaia os primeiros passos, depois do impacto nefasto da guerra que afectou toda a sua infra-estrutura. Pouco sobrou da guerra (1975-2002) e da força destruidora da natureza. Hoje, à excepção da administração comunal, as casas mais vistosas são aquelas reabilitadas pela construtora Queiroz Galvão utilizadas como alojamento para os seus trabalhadores não locais.

Os pequenos serviços e o pequeno comércio só agora vão dando sinais, fazendo adivinhar dias melhores. Em Kariango está projectada uma mini-hídrica que pode revolucionar a vila, pois a energia eléctrica é factor de desenvolvimento.

Sendo kariango uma comuna potencialmente agrícola e onde despontam fazendas como o Projecto Terras do Futuro, é de crer que, com a estrada asfaltada e a energia eléctrica projectada, surjam na circunscrição pequenas ou médias indústrias agrícolas que podem revitalizar a economia familiar e regional.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

QUEM VÊ TUNDA-A-VALA NÃO ESQUECE LUBANGO

TUNDA-A-VALA: 20. OUT. 2012
 
Quis a natureza que ficasse no Lubango, Centro-Sul de Angola.
É um excelente lugar turístico e com uma história repleta de episódios, uns agradáveis e medonhos, nos tempos que marcam a nossa existência.
Dizem que aqui já se fuzilaram "contra-revolucionários". Será verdade?
Verdade ou mentira, não há vestigios de dor. Há é uma bela paisagem e vista agradável.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

KIBALA PODE TER “CARA LAVADA”


Edifícios em escombro tornaram-se o cartão de visita da "cidade" de Kibala (K-Sul). A guerra pós independência pós tudo abaixo e o que resta são escombros e edifícios fortemente estropiados. Neste "kaprédio" que a imagem mostra funciona, na parte inferior, o Restaurante Kandimba. Ao lado, foram, felizmente, erguidas bombas de combustíveis pertencentes à Sonangol. Têm uma loja e um restaurante, conferindo outra imagem à urbe.
 
 Contou-me o meu amigo, Pastor Vinte e Cinco, que em 1974 foi atribuída a categoria de cidade, feito publicado em uma portaria de então. É certo que haviam programas de desenvolvimento da "cidadela", embora tivesse apenas uma rua a cortá-la em dois blocos (EN120).
A malha rodoviária da Kibala forma uma bi-forcação, agora em forma de X: à direita (sentido Luanda-Huambo) está a estrada que nos leva à Gabela-Sumbe. À esquerda a estrada que nos leva ao Mussende-Malanje. Ao sul a estrada que nos leva ao Dondo-Luanda e a norte a que nos leva ao Wako-Huambo, pasando por Katofe que era, à época colonial, uma mui crescente vila agrícola que estava a ser erguida por camponeses madeirenses (Portugal) ali aportados em princípios da década de 60 (Sec. XX). Katofe fica a aproximadamente 10Km de Kibala e está hoje em escombros que se tentam reerguer com muito custo. Está a ser implantado no local um projecto agrícola, dada as suas potencialidades e a existência de infra-estruturas. 
Quem decretou a vila de Kibala como cidade em 1974 teve a sua razão. Kibala seria hoje uma média ou mesmo grande cidade, pois já contava com industria nascente como a mini-hidrica de Katofe (EN120) e a do Kariango (EN240), bem como a moageira KAIMA que transformava o milho, uma das principais culturas da região. Lembro-me ainda que havia uma unidade de empacotamento de arroz que era igualmente produzido na região (Fazenda América e outras que hoje só restam os nomes). Os ananazes da Kibala eram ainda a principal matéria-prima da fábrica de vinhos do Dondo, encerrada em finais dos anos 80 do século XX.
E, como os tempos são de mudança, indo ao encontro daquilo que já devia ter acontecido, o Pastor Vinte e Cinco, kibalista bastante respeitado na região e em Luanda, contou-me, no dia 05.12.2012, que tomou conhecimento dum plano director para o desenvolvimento infra-estrutural da Kibala, de modo a resgatar o seu estatuto de cidade que lhe foi atribuído ainda pelas autoridades coloniais. Segundo o reverendo metodista, os ocupantes dos imóveis estropiados têm um tempo para os reabilitar ou o Estado os vai deitar abaixo para nos locais serem erguidas outras infra-estruturas. Bem pensado!
Auguro que da visão à acção não haja um grande defeso.   

segunda-feira, dezembro 17, 2012

KEPALA: KIBALA OU MUSSENDE?


A caminho dum lugar sagrado dos povos de Kepala
Os sobas (autoridades tradicionais angolanas) têm uma visão territorial do seu espaço de influência que muitas vezes diverge com as fronteiras políticas e administrativas. É o que se passa na região de Kepala.
Administrativamente, Kepala é território da comuna de Kariango, mas grande parte da população é oriunda do município vizinho do Mussende (ambos da província do Kwanza Sul).
Há um aspecto que nos faz compreender melhor o que se passa no terreno e o que alimenta as disputas entre os sobas do Mussende e da Kibala e os ciúmes, muitas vezes fingidos, mas por todos conhecidos, entre as autoridades administrativas das duas circunscrições municipais.
A área de Kepala, passou a ser mais conhecida na última década por CAP. No tempo da guerra civil (1975-202) os guerrilheiros da Unita instalaram na região uma unidade militar que se dedicava ao garimpo de diamantes, num aluvião, que alimentavam a sua máquina bélica e administrativa. A região estava sob controlo dos rebeldes e a administração do Estado não se fazia sentir. O facto de Kepala estar mais próxima da vila de Mussende, sob domínio da rebelião, do que da vila de Kibala, sob domínio governamental, explica a razão da alteração de toda a correlação de forças e jogo de influências. Os povos nativos que tinham acesso àquela área eram, como é obvio, do Mussende, pois quem saísse da Kibala para Kepala podia ser conotado como “colaborador dos rebeldes”, sendo o inverso também aplicado e punido severamente.
Uma rua da vila do Mussende (foto: J.A.)
Tudo quanto me pude aperceber, grande parte da população que habita a área é oriunda do Mussende, enquanto o Soba se assume como kibalista e quer que a população se assuma como pertencendo à Kibala. "Daqui resultam os ciúmes entre as autoridades tradicionais e até administrativas", confidenciou-me um funcionário sénior da administração do Mussende.
Do ponto de vista da Divisão Político-Administrativo de Angola, a área de Kepala ou CAP, como é mais conhecida nos últimos anos, é parte do território da comuna de Kariango, município da Kibala. Carlos Barros, o administrador comunal de Kariango, não tem dúvidas e diz conhecer os marcos (rios) que separam os territórios da sua área de jurisdição ao município vizinho do Mussende.
A existência de riquezas no subsolo pode ser uma das razões, mas “não houve, até agora, uma redefinição dos marcos”, sustenta convicto o administrador.

Independentemente do município a que pertença Kepala, andei com os sobas, todos eles meus conterrâneos, quando foram a um “muxito” sagrado fazer preces aos antepassados para que a terra prospere e os investidores na região tenham sucessos.

Um edifício da vila de Kibala
-      Ngoya1 twondola, enhe mu hane uvita! (vamos falar ngoya e vocês não nos vão perceber!) – Disse a rainha Antonica Gregório (da Banza de Thamba, Mussende) à comitiva que os acompanhava. Apenas mostrei um leve sorriso que lhe permitiu identificar-me como “da região”.

E, como “é mais fácil retirar o indivíduo do mato do que o mato da sua mente”, pus-me em andarilhos, no campo, revivendo os meus tempos de kandenge.
 
1- Tal como sustento em artigos publicados no blog: www.olhoensaios.blogspot.com o termo ngoya foi errada e profusamente difundido pela VORGAN (rádio da Unita) e povos ligados àquele partido como sendo a língua dos povos do Centro do Kwanza-Sul, não havendo evidências sobre a existência de povos e língau ngoya. Os ancestrais dos Libolo, Kibala, Mussende, Sela, Ebo, Kilenda, Mboim, entre outros povos que habitam o Kwanza-Sul, são oriundos da margem superior do Kwanza, região que abrange o Ndongo, Matamba e Kasanje).

quinta-feira, dezembro 13, 2012

RETRATO: BICA D´ÁGUA, PEDRA ESCRITA E LUSSUSO

BICA D´ÁGUA
A imagem mostra a estrada num local da comuna da Munenga (Libolo) designada por Bica d´água.

Aqui fora erguido no tempo colonial um bebedouro (água bruta captada dum rio ao lado). Era local para parar encher os reservatórios e o radiador e saciar a sede.

Dada a acentuada descida acompanhada de curvas, o local foi, desde sempre propício à ocorrência de sinistros que ceifaram muitas vidas. Basta ver as centenas de carcaças na duas encostas ravinosas da estrada.

Pensando na prevenção, Os bombeiros têm no local um Posto de Apoio e Socorro aos Sinistrados. Nada melhor do que neste local que fica a 50 quilómetros da ponte do Kwanza e uns 25 da ponte do Longa, no itinerário Dondo-Kibala.

A presença da polícia de trânsito no local serve de elemento inibidor aos homens do volante, sobretudo aqueles que têm maior propensão a acelerar do que a travar.

Mais adiante, quem vai a Kibala, fica a aldeia de Pedra Escrita que ganhou o nome devido a uma publicidade gravada na pedra com os dizeres "Pousada boa Viagem- Lussusso". Vivo perto daqui (Fazenda Israel e no Rimbe) uns anos. Perto de 06 anos (1978-1984).

Na verdade, a aldeia foi constituída em finais da década de noventa e princípio do novo século (XXI)pelo Tenente Coronel António Infeliz João, comandante das FAA no Libolo, que agrupou todos os povos que se encontravam na região, uns vivendo em lavras e outros em pequenas aldeolas familiares.

Povos oriundos do planalto central (antigos trabalhadores das fazendas coloniais e que se integraram na cultura local), povos saídos de aldeias distantes da EN120 como: Kalombo, Tumba Grande, Bango de Kuteka, Hombo (Kuteka) Banza de Kuteka, Kipela, etc. e outros alí aportados devido a guerra que assolou e devastou povoações mais longínquas do Kwanza-Sul como Longolo, Kisssala, etc. foram todos agrupados de forma coerciva, compondo hoje uma aldeia com perto de 5 mil almas, levando a administração do Libolo a construir uma escola primária e um jango comunitário, estando em falta, embora projectados, um fontanário e um posto médico.

O Comandante Infeliz (já finado), então proprietário da Fazenda Israel que fora dirigida pelo seu pai, João dos Santos, nos anos que se seguiram à independência, merece, pelo feito, ter o seu nome atribuído à única rua que separa a aldeia de Pedra Escrita em dois blocos. 
A inscrição é hoje pouco visível, mas lá ficou o nome
A pousada, nos anos 80 e 90 do sec. XX pertencente a um cidadão de origem cabo-verdiana de nome Olímpio, tem hoje a parte do bar reaberta, depois de muitos anos inoperante. A parte dos alojamentos aguarda por outros ventos, já que foram totalmente dizimados pelos "gatunos das chapas alheias" e pela força da natureza.

Desconheço o novo proprietário do espaço, único reaberto dos três bares existentes à época, mas guardo grandes recordações da pousada onde funcionaram Santos Godinho e João Bebeca, meus tios já falecidos.

No Lussosso o que mais chamava a atenção eram os autocarros da EVA, VIRIATOS, ETP, ETIM e outros que aí efectuavam a sua paragem para "dar ouvidos ao roncar do estômago". Existia no local um posto de abastecimento de combustíveis (hoje inexistente devido à canibalização que sofreu) e uma outra pousada, no fim do bairro. Param quem se dirigia à ponte do Longa todo o cuidado era pouco devido à presença de manadas de bovinos do Sr. Manuel Ndale.

Na área de pastos, junto à ponte do Longa, está hoje uma unidade de enchimento de águas "Vale do Longa" que me pareceu estar semi-fechada. A ponte do Longa foi entre 1975-1992 guarnecida por um contingente das FAR (cubanos) e FAPLA (forças governamentais de Angola). No conflito pós-eleitoral (1992-2002) a mesma ficou desguarnecida e os "homens dos explosivos" deitaram-na a baixo. Ainda são visíveis os esqueletos de armamento pesado (tanques e carros de assalto) nas cercanias.
Ex-Libris do Lussusso
 
Felizmente, uma nova ponte foi reerguida no mesmo local em que se encontrava a primeira e poucos se lembram da anterior, cujos destroços foram jogados rio abaixo.

Ainda no Lussusso, quem levanta a cabeça, olhando para oeste, depara-se com o cimo da montanha sempre esbranquiçada devido a nevem que está sempre presente, É o ex-líbris da localidade que reclama por uma picada ou, no mínimo, um atalho em condições que leve os turistas e curiosos ao topo da montanha para ver o que lá se passa e apreciar a exuberante paisagem planáltica que se estende do Lususso à fazenda Longa (em direcção a Kalulu).
As imagens foram registadas durante uma viagem à comuna do Kariango (Kibala) na EN240, a 04.12.2012.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

NOVA ESTRADA LIGA KIBALA-MUSSENDE E MALANJE

As pontes de grande dimensão são tratadas adequadamente
 
Trata-se da Estrada Nacional 240 na província do Kwanza-Sul. Embora o traçado fosse pré-independencia, nunca a mesma chegou a ser asfaltada, não passando de uma picada sofrível nos anos passados.
 
A guerra civil (1975-2002) que quase tudo dizimou impossibilitou até as intervenções paliativas e, pior ainda, porque a zona esteve sempre sob domínio dos guerrilheiros rebeldes.
 
Terminado o flagelo, a reconstrução chegou a todo o lado e a picada, elevada agora a EN 240, beneficia de serviços de alargamento da plataforma, construção de pontes e aquedutos, bem como a sua asfaltagem.
 
Mais de uma centena de quilómetros (Kibala-Kariago-Projecto Terra do Futuro e adiante) possuem já novas pontes dimensionadas ao novo padrão das estradas nacionais e asfalto de qualidade aceitável, restando cerca de metadae da empreitada. Embora o trânsito automóvel no trajecto seja ainda de contar aos dedos de uma mão durante todo o dia, dado o facto de a estrada asfaltada ser ainda do desconhecimento de muita gente, aqueles que por lá transitam estão satisfeitos e "louvam a iniciativa".

Quando estiver terminada, a EN240 que se junta a EN120 (Alto-Fina-Huambo) na cidade da Kibala, vai juntar esta urbe à vila do Mussende e, atravesando o rio Kwanza que já possui uma nova e enorme ponte, ligar a província de Malanje e zona Leste.

Ficam os caminhos mais encurtados e as viagens mais cómodas.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

TERRA DO FUTURO LANÇA EMPREENDEDORES AGRÍCOLAS

Engºs Marques e Débora
Na comuna do Kariango, Municicpio da Kibala, num local coberto de vegetação, 22 km fora da Estrada Nacional 240, em direcção ao Mussende, fica o Projecto Terra do Futuro, lançado em 2009.
Possui um centro de formação, alojamento para técnicos expatriados e nacionais doutras regiões, um centro médico, dormitórios, diversos equipamentos e infraestruturas de apoio à actividade agrícola. O Projecto terras do Futuro, iniciativa privada, funciona ainda como uma espécie de inseminadora de fazendas agrícolas detidas por jovens agrónomos criteriosamente seleccionados.
“Depois da licenciatura fizemos um teste e os aprovados fizeram um curso de sete meses onde aprendemos, para além de técnicas agrárias, a gestão de empreendimentos agrícolas. Entre os dez jovens fazendeiros, uma delas se destaca:
Débora Manuel é uma engenheira agrária que também se forma em contabilidade e auditoria na Universidade Metodista de Angola.
É das poucas fazendeiras do Projecto Terra do Futuro (médias fazendas, adjacentes ao Projecto financiado belo BDA.
Abordei-a ao volante da sua Hilux, próximo do Centro médico, Débora, entre os 29 e 31 anos, é natural do Huambo onde se licenciou em agronomia pela faculdade de Ciências Agrárias da UAN e onde ganhou o gosto pelo campo.
Área administrativa Proj. Terras do Futuro
“Sempre gostei do isolamento e aqui aplico o que aprendi na universidade como também tenho a possibilidade de ser empresária agrícola. Cada dia há troca de experiencias ente nós e isso fortalece-nos”, disse ela quando questionada se não se sentia incomodada estando a residir no meio da vegetação.
Apesar do entusiasmo há também solidão. Débora que cultiva milho e feijão nos seus 200 hectares fez um desabafo: “Penso em constituir família, mas aqui faltam candidatos à altura”.
José Marques, engenheiro agrónomo natural de Luanda e com família constituída, é outro fazendeiro que recebeu um crédito do BDA. Como Débora está orgulhoso do que faz e conta que “o crédito é foi feito a um grupo de dez jovens, em apenas uma conta monitorada pelo Projecto Terras do Futuro. Cada um tem um fundo de maneio que tem de gerir com responsabilidade e e produzir o máximo que puder”, explicou.
À semelhança dos demais colegas, recebeu uma casa de campo, uma carrinha, um tractor com alfaia agrícola completa  e outros imputs que lhe permitem lavrar os 200 hectares recebidos do Projecto Terra do Futuro. No fim da colheita, o mercado está garantido (PTF) e o investimento recebido é para ser descontado colectivamente e de forma faseada. “Quando terminarmos de liquidar os empréstimos seremos donos e senhores de nossas vidas”, disseram Débora e José Marques.
No total, segundo o programa do Projecto, serão 60 jovens empresários que deixam a cidade para fazer o campo produzir.

sábado, dezembro 01, 2012

QUAL FOI O SENTIDO DE VOTO DE ANGOLA NA AG-ONU SOBRE A PALESTINA?

Ao nível da política internacional, a última semana de Novembro foi marcada pela votação ao nível da Assembleia Geral da ONU sobre o estatuto da Palestina que passou, fruto da votação naquela instância, a membro observador das Nações Unidas, entretanto, sem direito a voto.
“Por maioria, a Assembleia-Geral da ONU reconheceu a 29.11.2012, a Palestina como um Estado observador não membro”. A resolução foi aprovada com 138 votos dos 193 da Assembleia-Geral, com nove votos contrários dos EUA, Canadá, República Tcheca, Palau, Nauru, Micronésia, Ilhas Marshall e Panamá e 41 abstenções, entre elas da Alemanha (Sic. TVZimbo).
Vendo e ouvindo a notícia pela TV Zimbo (angolana) fiquei intrigado ao mencionarem os países abstémicos e os que votaram contra, sem no entanto apontarem qual terá sido o sentido de voto de Angola. Será assim tão difícil saber-se ou terá faltado alguma investigação dos nossos jornalistas junto da nossa diplomacia?
É sabido que tendo o Estado angolano reconhecido a OLP/ANP que estabeleceu uma embaixada em Angola, o nosso sentido de voto seria obviamente o afirmativo, pois até já se fez em tempos não muito recuados um linkage entre o sionismo judeu e o apartheid sul-africano. É preciso, porém, ter em conta que “em política não há amigos nem inimigos permanentes. Existem objectivos permanentes” que podem ser conseguidos com actores diferentes.
Foi assim que nos tempos da OPA (anos 80 e 90 do séc. XX) ensinaram-nos que “aos imperialistas liderados por Reagan (EUA) não se devia dar nem um palmo da nossa terra”. Hoje sentamos com eles à mesa e até “oferecemos” fazendas.
Qual foi o nosso sentido de voto na AG da ONU, na resolução sobre a Palestina?
- Até agora, nem a media pública, privilegiada pelas fontes oficiais, nem a media privada pro-entidades públicas, que também goza de algum "direito" de preferência das fontes oficiais e oficiosas, disseram como Angola votou.