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segunda-feira, outubro 28, 2013

ANGOCITIES

A feira das cidades, realizada em Luanda, de 3 a 6 de Outubro 2013, teve muito movimento.
Houve muita gente curiosa que visitou e procurou por informações específicas sobre as cidades e vilas de Angola.


- O que é que há no município Xis e que não há em mais nenhum lugar?
- Que objectivos económicos podem atrair potenciais investidores ou mesmo emigrantes (internos e externos)?

Essas e muitas outras perguntas não encontraram respostas cabais em muitos stands que em vez de mostrarem as cidades e vilas (maquetes) levaram apenas produtos agro-pecuários, piscatórios e peças de artesanato que nas áreas de origem muitas vezes apenas enfeitam os museus.
A próxima feira das vilas e cidades pode ser melhor explorada se as administrações contactarem agências de comunicação e saberem definir o que pretendem mostrar, dando-lhes um retorno do investimento a realizar.
Doutra forma, as feiras serão apenas sorvedores de dinheiro, com vantagem apenas para os organizadores do evento.
E, como aprendemos todos os dias, espero que os próximos eventos sejam melhores.


terça-feira, outubro 22, 2013

TIROS VOLTAM A MOÇAMBIQUE

Depois de 21 anos de paz precária (sem a completa desmobilização e integração das forças da Renamo no exercito e polícia nacional) entre O Governo e o maior partido oposicionista, RENAMO, a guerra civil pode voltar ao país lusófono do Índico africano onde as forças armadas tiveram de atacar e ocupar a base militar de Afonso Dlakama, o líder guerrilheiro que já havia excluído, numa entrevista, um fim semelhante ao que teve o ex-guerrilheiro angolano Jonas Savimbi.
Dlakama que há 21 anos vem mantendo um discurso de “semi-paz e sem-guerra”, com ataques a viaturas e esquadras policiais por si reivindicados, foi forçado a se pôr a monte pelas forças governamentais de Moçambique, segundo relatos da imprensa internacional.
Está a monte e renunciou à paz de Roma 1992
Só espero que depois de ter iniciado uma empreitada para a qual julgo NÃO ter apoios internacionais, nem força física e psicológica, consiga rapidamente atirar a “toalha ao tapete” e pedir clemência para que não vá à terra mais cedo e fazer companhia ao “Jaguar Negro”.
Seja de grande ou de pequena intensidade, uma guerra é guerra. É destruição e morte. É o povo, capim entre dois elefantes, quem mais sofre. São os agitadores, os fabricantes e vendedores de armas, que se alegram a custo de quem padece ad eternun.
Lamento profundamente pelos moçambicanos que não merecem outra guerra injusta, depois dos desastrosos anos de guerrilha patrocinada pelos racistas sul-africanos entre 1975-1992 (acordo de paz de Roma a que Afonso Dlakama acabou de renunciar).
Por fim, espero ainda que, embora seja legal um pedido de apoio militar entre os dois governos democraticamente eleitos, não viagem angolanos para o Índico como aconteceu nos Kongos, em anos de memória recente. Há sempre quem volte incompleto ou quem não volte vivo…   

segunda-feira, outubro 21, 2013

KANA KUDIBETA

A língua que se fala nas duas margens do Kwanza (do Médio ao Baixo) é de mesma raiz, ambundu.
Kana kudibeta significa, em português, não lutem.
 
Pedra Escrita: Munenga, Libolo, K-Sul, Angola
Soube que na partida pontuável para os 8ºs de final da Taça de Angola, houve rixa entre adeptos, depois do jogo entre o Porcelana do Kwanza- Norte e Recreativo do Libolo do Kwanza-Sul. Igual comportamento dos adeptos do Porcelana já tinha sido notificado no jogo da 1ª volta do Girabola, realizado no Estádio dos Dinizes (Ndalatando).
 
As informações que tenho apontam que os adeptos do Porcelana terão digerido mal, ainda dentro do campo, o resultado do jogo da taça em que os donos-de-casa foram eliminados por 0-1, daí terem partido para insultos e actos de violência gratuita contra os libolenses.
 
Os kwanza-nortenhos terão dito que "os libolenses (súbditos de Ngola como eles) eram "escravos", pois não eram ambundu nem ovimbundu"...  Isso levou, segundo o correspondente da Rádio Cinco, no Sumbe, Neto Makandumba, a ajuste de contas no jogo da 28ª jornada do Girabola.
 
Os adeptos do Recreativo do Libolo, segundo ainda Neto Makandumba, não lutaram dentro do recinto de jogos mas protagonizaram "actos de desforra" ao apedrejar o autocarro do Porcelana e impedindo que se fizesse à estrada de regresso a Ndalatando.
 
"Bloquearam as estradas da Munenga e da Kabuta e o autocarro só pôde sair de Kalulo às 18 horas, sob escolta da polícia e pela estrada de terra batida Luati-Lussusso-Munenga-Dondo. Tiveram de dar volta à revolta".
 
Contados os factos, esses "bilos" entre os adeptos do Porcelana e do Rec.  Libolo  estremeceram comigo.  Essas gentes precisam de mais informação e formação. Os media devem cumprir o seu papel educativo. As rádios de Ndalatando, Kambambe e Sumbe têm de educar os amantes do futebol, os adeptos que fazem bem ao futebol, quando bem comportados e educados.

Sei que  o Recreativo não está no Girabola de passagem e, pelo que me parece, o Porcelana renova a estada no campeonato maior de futebol angolano. Essas equipas hão-de cruzar mais vezes em 2014. É preciso pôr termo a essas rixas e explicar que as lutas entre claques em nada dignificam os nomes dos emblemas que defendem, muito menos solidifica o Projecto de Nação em curso no país. 
Que o futebol seja elemento aglutinador entre angolanos e não dissuasor.
 
Aproveitando o momento: para mim fazia mais sentido o Libolo ter uma rádio das supostas "comunitárias" do que Viana, Cacuaco e Cazenga, em Luanda.
Para além do Café e agora do vinho made in Libolo, o município tem Futebol e Basquetebol de primeira divisão que tornam a circunscrição um roteiro obrigatório.
 
Teremos de esperar que Higino Carneiro seja Ministro da Comunicação ou da Propaganda?
 
 

terça-feira, outubro 15, 2013

O HOMEM E A PROVÍNCIA DE QUEM SE FALA


Começou a ganhar visibilidade ainda nos tempos da senhora guerra, quando ainda coronel, manteve encontro, algures no Moxico, com a chefia militar da rebelião. Daí em diante, fez três coisas: Diplomacia (enquanto negociador), política e negócios )enquanto empresário).
Depois de Vice-Ministro sem Pasta passou a Vice-Ministro da Administração do Território, tendo-lhe sido, posteriormente, confiado o governo de sua província natal, o Kwanza-Sul. Começou com os Festi-Sumbe e outras realizações. Na Kabuta, comuna do Libolo,  ergueu uma grande fazenda que já produz vinho tinto, completamente made in Angola.
Ao tempo de Ministro das Obras Publicas foi apelidado de “Todo-o-Terreno”, dadas as suas qualidades frontais em encarar os problemas. Com ele o país se tornou pequeno e a circulação rodoviária um facto.
Teve passagem por Luanda, onde dirigiu a Comissão de Gestão, naquele que terá sido o seu consulado menos brilhante, fazendo-lhe companhia Tony Van-Dúnem e Job Capapinha.
No Parlamento falou pouco (ele é homem de obras e de poucas palavras, dizia-se). Foi agora, ao que se dizia, despachado para as “Terras do Fim do Mundo”, onde se pensava que seria o desterro do veterano combatente. Ledo engano.
Higino, à frente.
Higino Carneiro está a fazer do Kwando-Kubango a província de que mais se fala no presente e para onde estão viradas as antenas do Executivo Nacional que pretende diminuir as assimetrias entre as províncias do litoral e aquelas mais afastadas da costa atlântica.
Aos poucos, o KK vai mudando. O dinheiro do Estado e dos empresários vai afluindo ao KK e as pessoas vão descobrindo que nem tudo é mato. Há também oportunidades de fazer dinheiro, vida e riqueza. Agricultura e pecuária, as infraestruturas, a educação, a saúde e a reinserção social, a indústria mineira, o turismo com realce para o projecto KAZA – Área de Conservação Transfronteiriço Okavango – Zambeze são as grandes apostas do "sempre em frente" Higino Carneiro. E é isso que o homem que nasceu no Libolo vai fazendo no seu novo consulado.
E, por mais incrível que pareça, Libolo e Kwando-Kubango possuem rios homónimos, o Longa. No Longa do Libolo, Higino e parceiros ergueram uma fábrica de processamento de água “Vale do Longa”. No Longa do Kwando-Kubango, Higino Carneiro viu inaugurado, no seu mandato, o projecto agrícola “arroz do Longa”.
Sem desprimor pelos seus antecessores, o KK do pós Higino será diferente e melhor daquele que encontrou, a contar com o seu dinamismo e confiança que granjeou ao nível dos centros de decisão do país. É a quem trabalha que se conferem poderes.
Higino e o KK são o homem e a província de quem se fala.

quinta-feira, outubro 10, 2013

NO RASTO NA "NGWIMBI"

Na "Ngwimbi", se andas com muita "bufunfa",  podes ser "fungutado".
O rico e sempre inovador calão de Luanda levou a atribuir, nos anos 70 ou 80 do séc. XX à capital angolana o designativo de "Ngwimbi/Nguimbi". Um nome que nada tem a ver (no meu fraco entendimento) com as demais designações oficiais que Luanda já teve.
- A que se deveu tal nome que até "colocou" e perdura no tempo?
- E a que se deveu o termo "funguta" que significa confusão/guerra/luta/agressão?

sábado, outubro 05, 2013

COMUNIDADES SOB REGIME FEUDAL NO SECULO XXI

 
Nasci numa aldeia recôndita. Das mais recônditas do Libolo e da comuna da Munenga. Mbango-de-Kuteka fica nas margens do rio Longa. Para se lá chegar tem de atingir a aldeia de Pedra Escrita, no troço entre desvio da Munenga/Kalulu e Lussussu, embrenhando-se pelo sertão, à direita até atingir as margens do Rio Longa, numa distância entre 20 a 30 quilómetros.
 
Mbango-de-Kuteka tem uma aldeia satélite, Kabombo, onde ficava a fazenda duma senhora alemã, apelidada pelos nativos por “senhora Kasenda”. Desconheço o seu nome de registo. A mesma foi raptada em 1984 pela UNITA, com outro alemão, seu parente, Walter Kruk, também apelidado pelos nativos por “Ngana Mbundu”, e nunca mais foram  vistos.
 
A uns 5 a 10 km, fica a capital de Kuteka, Mbanze-yo-Teka (Banza de Kuteka). Antes de se atingir a aldeia de Mbango, encontramos o desvio para Hombo, aldeia também circunscrita à regedoria de Kuteka e depois de Hombo atingimos a Kipela.

Embora muita gente dessas aldeias tenha migrado para junto da estrada asfaltada EN120 (Pedra Escrita), ainda restam alguns parentes da minha mãe. Há gente que não se aparta do rio Longa que é/foi fonte de vida para muitos.

Na minha última viagem, efectuada há dois anos na companhia de um amigo Engº Geofísico, entristeceu-me não ter encontrado escola, nem posto de socorro médico. Vi crianças anémicas e desnudadas... Um autêntico período feudal em pleno séc. XXI.
 
Nos anos 70 e 80 do séc. passado, a região teve professores como Faustino Kissanga Bocado, Jorge Kakonda, entre outros que me escapam à memória. Alberto Garcia, terá sido dos melhores alunos de Mbango-yo-Teka, chegando, anos depois, já sem um ensino oficial, a ajudar os petizes com aulas particulares. Hoje, nem Garcia nem o Estado ensinam as crianças da minha aldeia natal.
 
Atravessando o Rio Longa, à distância de 25 a 30 Km, fica a aldeia de Mbwexi, comuna de Ndala Kaxibu (Municipio da Kibala). Mbango-de-Kuteka, segundo a minha mãe, também fica próxima de Tumbu e Kilenda ou ainda da Kissama (se descer com o rio). Ela conta que em tempos recuados iam à Kissama, à pé, vender tabaco. A ligação do Bango-de-Kuteka com as aldeias citadas é feita à pé.
 
Na minha derradeira visita a Mbgango, pude identificar instrumentos rudimentares como: armadilhas de ferro, designados genericamente por “otuela”, do português ratoeira, embora sejam para apanhar animais de médio e grande porte; facas e flechas forjadas no fole pelo ferreiro; panelas e moringues de barro; pontes feitas a base de cordas e paus, designados por “ulalo”; redes piscatórias e anzóis artesanais;  circuncisão ainda a sangue frio; cura de doenças  baseada apenas em raízes e plantas medicinais; crença no feiticismo e na intervenção dos antepassados na vida, etc., situações já “enterradas e esquecidas, faz tempo, em outras comunidades mais avançadas.
 
Medicina, formação e informação, comércio e estradas devem lá chegar para que haja um salto para a luz. Também se pode promover a aglutinação das aldeolas para justificar investimentos em termos de infra-estruturas sociais básicas acima citadas e permitir que o sol os ilumine o mais cedo possível.
Bastará às autoridades administrativas indicarem um espaço intermédio entre diversas aldeolas, lotear os terrenos para construção, distribuir chapas de zinco, indicar o tipo de material a usar na construção (normalmente adobe queimado) e fornecer uma planta arquitectónica tipo. A própria comunidade erguerá as residências, cabendo ao Estado construir o posto médico, a escola, o Jango (com TV comunitária?), as casas para professores e enfermeiros, posto de polícia, construir picadas em condições, instalar água e energia foto voltaica, etc. O comércio irá a reboque.
 
Isso pode e deve ser levado a todos os pontos do pais  onde ainda se verifique uma vida do tipo feudal em pleno séc. XXI.
 
Os governantes habituaram-nos, nos seus discursos, a remeter todas as realizações infra-estruturais ao Presidente da República. “Graças à orientação de Sua Excelência”. Sabendo que o chefe do Executivo não pode percorrer todas as aldeias  do país, onde aqueles que o representam nada fazem sem que o chefe os mande, ofereço-me para “radiografar” desapaixonadamente a Angola desconhecida, a começar pela aldeia do meu cordão umbilical.