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segunda-feira, julho 28, 2014

EMPRÉSTIMOS, ADOPÇÕES, REJEIÇÕES E DISPENSAS

Como locutor atento de kimbundu (Lubolu) vou notando que muitas palavras utilizadas hoje para designar ideias, coisas e sentimentos/estados não existiam há trinta anos, assim como algumas que ouvi pronunciar na infância estão hoje no armário.

Isso acontece com todas línguas vivas. Há gírias, calões e neologismos que quando popularizados são inseridos "naturalmente" no léxico e outras que, caindo em desuso, se tornam de uso restrito/erudito ou passam para o arquivo.

Palavras como mwangope (alusão à capital angolana Luanda), kangonha (lyamba), kimanda (carabina), ngongwenha (fadinha y'ukange nyi suka), sambwambwa (dilaji), kitata (ndumbu), etc. foram/são utilizadas em kimbundu para designar seres, coisas/objectos e ideias. Umas tornaram-se parte do léxico comum da língua kimbndu, outras não se puderam manter no léxico e algumas são usadas em círculos muito restritos ou por falantes de “fina expressão”.

Este pequeno exercício surge a propósito de uma jovem universitária que estuda "as intrusões de linguas bantu na L.P. em Angola" ter escolhido como obra para análise (o meu) "O Sonho de Kauia", livro rico em expressões kimbundu, umbundu e cokwe.

Perguntava-me se qual era a origem de uma lista de palavras retiradas do texto, mesmo aquelas que têm significado em rodapé.

Depois de uma analise, a conclusão só podia ser esta: alguns lexemas constantes do referido livro e apontados pela estudante foram emprestados/tomados do kimbundu mas são gírias e calões daquela língua, podendo, por isso, ser desconhecidos por alguns falantes do kimbundu noutras regiões.

terça-feira, julho 22, 2014

FIDACAXA!

Estorvaram-me a prosa com o kamba de ofício. Nosso encontro foi inesperado.
Eu o imaginava em Katumbela e ele contava-me em Sawlimbu. Ali mesmo no chão do aeroporto, rua primeira de quem espreita o Kasekel, eu saído do cheiro e clima doutro mundo a apanhar balanço para nova vida na Ngwimbi, ele no intervalo duma acção de kudilonga, cruzamos, cara-a-cara. Se um fosse kilapeiro do outro não teria nem buraco pra se esconder.
-Epá! Confrade, não te imaginava aqui e plenamente hoje. Vieste em bumbas ou em turismo sobre rodas? - Metralhei-o, logo logo, com perguntas.
- Yá. Vim numa formação. É preciso nos aperfeiçoarmos. Estou já há umas semanitas. - Defendeu-se.
- Yá. Tenho lido o teu diário, mas pensava que fossem escritos buscados dum baú recente.
- Pelos vistos estás a chegar... tens novidades literárias?
Mal começamos a falar sobre um dos aspectos que nos tornam umbilicais, a escrita e as publicações para Novembro, quatro carros da patrulha conjunta, entre fiscais e policias, pararam repentinamente colados a nós, com os "comandos" a pularem por cima dos zungueiros de saldo e mawanas de sol. Parecia kitota nos tempos do mano Barbudo ou rusga do luz e tano Poeira quando encheu as cadeias pidescas de revoltosos tunda mindele.
O resto da prosa, depois de minutos de separação, porque cada um de nós (mais ele do que eu que ando kasimbado nestas guerras de fiscais contra vendedeiras) fugiu para sitio diferente e distante para escapar daquele "assalto", foi apenas um chau apressado com o coração em alta rotação.
- Fidacaxa dos fiscais! Com as zungueiras até parece que fizeram curso de pular, puxar, apanhar coisas esquecidas ou caídas na fuga e guarda-las rápido e de caxexe no carro. - Atirou o puto Sofrimento Moderno, também conhecido no aeroporto por SM, que obteve o contributo de um colega de desgraça:
- Yá. Tipo nada. Mwadyé distraído pensa que não houve nada. Tipo guerra relâmpago do Adolfo da Alemanha quando queria reino mundial de mil anos. Mas "lhe" saiu pela culatra.
 - A quem é que entregam as coisas kasumbuladas na rua? - Perguntou ainda uma mana, Belita nome dela, enquanto limpava a nova ferida do encontrão que teve com uma arca antiga de vender bebidas.
Resposta ninguém só lhe deu e vai ficar toda a vida com a raiva dela sempre que olhar para a cicatriz.
Os magalas a exibir banga, pareciam que treinaram comandos no Cabo Ledo para irem metralhar os carcamanos reaganistas-malanistas e seus  apaniguados mwangolês no Kwitu Kwanavale de 1987.
- Fidacaixa! Força deles é só com os zungueiros de cuecas, saldo, magoga, fio dental de mulher que quer já já e mawanas de sol. No tempo em que barbudo nos intimidava eram capazes até de andar com a cauda entre a muxaxala. Kambada de gregos! - Raiva de Miguelito era grande que nem mesmo o desabafo carregado de alguma malícia atenuou a força da pedra que aquela acção lhe calcou no coração.
Quem também lhes xingou, com todos os verbos, tempos e modos, foi Mariquinha que viu entornada a sua bancada de magoga e "bebe-me-deixa".
- Com grego igual não torram farinha. -Atirou. - Por que não vão ainda se medir capacidade com os gregos do Sambila, do México, do Sete e Meio, do Ngwanhã, dos Ossos, do Saber Andar, da Fubu e doutras bandas onde a policia é quem bate continência aos bandjus? Gregos de meia tigela, mazé pá! Quando o Barbudo nos ameaçou empurrar o comboio com os beiços andaram aonde? Me totolei só no pé!
E eu, repleto de vivências, mochila nas costas, pé no ngwimbu para soltar ao vento o que meus olhos viram e meus ouvidos registaram. Saí voado!

sexta-feira, julho 18, 2014

PERGUNTARAM-ME "O QUE ACHO DO ENSINO DO JORNALISMO EM ANGOLA"

Uma estudante do curso superior de Comunicação Social duma universidade privada angola perguntou-me, via face book, sobre o que eu achava do "ensino do jornalismo angolano". Disse que o meu nome tinha sido indicado por um professor que conhece e "reconhece" a minha trajectória de "jogador a comentador" no campo do jornalismo que se pratica em Angolano. A par destes questionamentos que servem para os estudantes fundamentarem os seus trabalhos escolares, tenho também recebido vários pedidos para "ajudar a fazer" isso ou aquilo. São frequentes pedidos do tipo: "Dr., ajude-me a fazer uma agenda, ajude-me a fazer uma notícia, ajude-me a fazer/estruturar uma entrevista, ajude-me a fazer uma crónica, etc.!
 
O que tenho solicitado é que "apliquem primeiro os conhecimentos teóricos aprendidos/explicados pelo docente e depois eu ajudo a dar forma".
 
O que acontece, a posteriori, é que, em muitos dos casos,  nem ortografia sai em a teoria é aplicada.
 
Decidi, por isso, servir-me do método socrático (maiêutica e refutação) para fornecer a minha resposta à questão supra:

- Há laboratórios para aulas práticas nas universidades?
- Há professores de cadeiras práticas que são reconhecidos como bons praticantes de jornalismo naquela especialidade?

- Um professor de jornalismo que nunca exerceu jornalismo de facto, que nunca esteve numa redacção e que não saiba como se elabora uma agenda ou como se "vive" uma informação noticiosa, um insólito, estará em condições de instruir os da melhor forma alunos?
- Que tipo de jornalistas com curso superior as empresas de media recebem, sobretudo aqueles sem tarimba inicial (que nunca trabalharam antes no ofício)?
- Os neófitos jornalistas, saídos das escolas médias, técnico-profissionais e superiores dominam a(s) língua(s) em que se prestam a trabalhar?
- Temos excelentes jornalistas da nossa praça sem canudo, mas de reconhecida competência técnica e deontológica, como o autor do "Morro da Maianga". Esses têm sido convidados para formar novos jornalistas nas nossas universidades? São no mínimo professores conferencistas? 
 
Convido quem conheça bons exemplos que os partilhe comigo.
 

domingo, julho 13, 2014

AS RENDAS E OS ALUGUERES NA COMUNICAÇÃO SOCIAL


Já lá se foi o tempo em que os jornalistas (eu incluído) confundiam, nos seus discursos, o ALUGAR  e o ARRENDAR, como se fossem sinónimos perfeitos.
Com as correcções, as leituras e a iluminação académica, muitos se foram dando conta que: alugam-se bens móveis (carros, mobílias, vestuários, etc.) e arrendam-se bens imóveis (casas, terrenos, lojas, etc.).
O texto publicitário encaixa-se nos que se posicionam entre o texto literário e o não-literário. É para-literário e admite, por isso, desvios à norma.
O que me preocupa não é o anúncio duma grande superfície comercial em Luanda que pede às pessoas para "alugarem lojas" naquele espaço. É o avolumar de pessoas bem posicionadas que nos seus discursos, orais e escritos, vão "alugando casas" e, eventualmente, "arrendando carros".

Citando os TUNEZA, "a Língua Portuguesa é difícil, mas aprende-se"!

quinta-feira, julho 10, 2014

RETRATOS de LUANDA

Na estrada: não importa a marca do carro nem a cilindrada para ver que no congestionamento do trânsito, em Luanda, os utentes da via acabam sendo iguais. O stress é geral. Tenha ou não AC, potência para cavalgar sobre os buracos ou música soft. Os rostos estão sempre carregados e a boca pronta a despejar impropérios contra quem use da esperteza para ganhar posições.
 
Debaixo da ponte: a jovem sentada sobre a caixa térmica e vendendo água, refrigerantes e ou cerveja lê, anota no caderninho escolar e prepara-se para um futuro longe da venda. Enquanto atende, esboça um sorriso semelhante àquele largado pela empresária que fechou um negócio milionário.
 
Atravessando a via: o jovem é roboteiro (do russo rabota=trabalho) e carrega, por cima dum rudimentar carro de mão, um grande embrulho. Sujo e calçando chinelos sem cor, esfomeado talvez, sorri abertamente, invejando executivos em escritórios climatizados. Quando se gosta do que se faz não há trabalhos entristecedores.
 
Amor de mãe: vende laranjas debaixo da ponte. Ao pé do negócio, engatinha o kasula tendo como bola uma laranja que aprende a jogar. Ao lado, outra senhora descontraída, sentada sobre o balão de roupa de fardo, trança a amiga que agarra nos braços o mona da companheira. Contam-se episódios da última novela televisiva e, quase abraçadas, mostram os caninos, incisivos e molares.
 
É a vida: alegre quando queremos e gostamos do que fazemos. Não é o dinheiro que a torna feliz. É a forma como a aceitamos!

De baixo da ponte, ainda (pedonal): incautos ignoram segurança proporcionada pelo governo e arriscam vidas. Polícia regula os kandongueiros, atravessados, quase perpendicularmente, na via. E manda o trânsito parar para pedestres deixar passar. Quê isso, sô polícia? Não vê que o lugar deles é por cima da ponte?!

Texto publicado pelo jornal Nova Gazeta a 17/08/2017

terça-feira, julho 08, 2014

AS ESTRATÉGIAS DE ABRAM CHOMSKY E A CULTURA QUE A MEDIA NOS VAI DANDO

Obs: qualquer semelhança com o que se passa na "nossa casa republicana" é mera coincidência.

Depois de Maquiavel ter escrito e publicado o tratado dos detentores de poder "monárquico" ou pró-monárquico/autocrático que tem sido a bíblia dos ditadores e longevos no exercício da governação/subjugação, outro grande autor que não aconselha o uso de meios violentos para governar, mas cujo tratado acaba sendo pior do que a "tirania" aconselhada por Maquiavel é o filósofo e linguista estadunidense Noam Chomsky com a sua  lista das “10 estratégias de manipulação” através da media:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto desvaloriza e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
 

sábado, julho 05, 2014

O ONTEM COGNITO E O HOJE

Hoje deu-me vontade de escrever sobre:
- O tempo em que algumas pessoas pediam "trapos" emprestados de amigos e parentes para irem bem apresentados às festas, eventos e ou mesmo à igreja. Era tudo pedido e entregue com naturalidade. Ninguém se embirrava ou fofocava.
- Quando os fogareiros com esticadores na brasa preenchiam as vagas dos inexistentes salões de beleza;
- Quando havia manos a usarem o mesmo par de sapatos para a escola, esperando-se na esquina combinada para a troca dos pisos.
- Quando os homens cortavam-se o cabelo uns aos outros, evitando as barbearias que não eram para todos.
- Quando o arroz era medido em copos antes de ser colocado na panela, havendo, entretanto, mais comida para visitantes e vizinhos famintos. Hoje grande parte da comida vai ao lixo.
- Quando a água era transportada à cabeça ou nos carros de mão, a grandes distâncias, mas havia sempre um copo de água para o transeunte acossado pela sede. Até água fresca havia para o vizinho chegado do serviço…
- Quando moedas metálicas ainda tilintavam nos balaios das igrejas e quase todos os templos tinham órgãos e pianos.
- Quando as crianças choravam para não faltarem à igreja ou actividades religiosas como a EBF (escola bíblica de férias). Hoje algumas têm de ser pagas para acompanhar os pais à igreja!
- Quando não havia carros para todos. Nem táxi e nem boleias, mas os ensaios dos coros aconteciam a hora certa e quase faltava espaço na igreja para acomodar os coros.
- Quando os pastores tinham tempo para aconselhar a comunidade e os jovens, sobretudo, e eram “espelhos” perante as suas “ovelhas”.
- Quando os pais o eram de facto, servindo de exemplo, de educadores e conselheiros para toda a miudagem.
E hoje?

terça-feira, julho 01, 2014

SEGURO OBRIGATÓRIO: UMA "KIBYONA" DE MESTRE?

 
Até agora ouvi tanto mas todas explicações sobre a obrigatoriedade do seguro automóvel contra terceiros passaram ao largo. Ninguém me convenceu.
Entendo que o mercado tem de estar regulado e normalizado. Os culpados pelos sinistros têm de transferir a responsabilidade do ressarcimento às seguradoras... É assim que se opera noutros países e Angola não pode ser ilha num mundo global.
 
Porém, dizer que "querem diminuir os acidentes e os congestionamentos com a obrigatoriedade do pagamento do seguro automóvel" é conversa para boi dormir. Sejam directos. Digam que querem ir ao bolso do cidadão, que não tem transportes públicos fiáveis e em condições e forçado a comprar carro para chegar ao serviço, para engordar bolsos de particulares embora o Estado arrecade algum dinheiro com o pagamento de impostos por parte das seguradoras. Digam que querem ver todos de joelhos e de rastos. Como é que chegarão ao serviço os moradores do interior dos bairros do Osso, Nguanhã, Fu-Bu,  Mundial, Kasumuna, Caop-Cacuaco, Honga, etc.? Mesmo que os queiram ver todos  "maconizados, turizados e teculizados" haverá já transportes em quantidade e qualidade a circular por todas as ruas de Luanda? Inventem outra e não venham com falácias.
 
Os verdadeiros argumentos são: os donos das seguradoras estão sem kumbu e o Estado pode recolher mais impostos, dando lufada de kwanzas a esse sector da economia.

E, a propósito, qual será a próxima? Privatização das rodovias?