Translate (tradução)

domingo, janeiro 31, 2016

À VOLTA DA VELA APAGADA


Nessas visitas de reconhecimento ou de "ajuda e controlo", como as chamávamos noutro tempo,  fui ver a minha prima Rosária Albano, no Morro da Luz. A velha Rosária, como a tratamos carinhosamente, é uma pessoa de paz permanente, sem os fingimentos natalicios, e está sempre a rir e a fazer sorrir os que a cercam contando cenas, umas verdadeiras e outras que inventa para entreter os sobrinhos e netinhos. No oeste de África, ela estaria próxima de uma griot.

Ainda não sei por que razão, sempre que estamos juntos, ela não se esquece de perguntar a minha idade e eu, sabendo da sátira que vem sempre da boca dela, vezes há em que aumento mais uns meses ou mesmo uns anitos, só para adoçar a conversa.

Desta vez, começou a falar sobre a idade que eu e suas filhas tínhamos quando se deu a trafulha. E dizia a velha Rosária para a Remisa, a segunda das suas filhas, que "quando chegou a trafulha ela, agora já senhora, contava com apenas dois anos, sendo que a Geny, que vem a seguir à Remisa, estava no sexto mês de gestação". E foi tudo a propósito de quem era o mais velho entre eu e as suas duas filhas em presença.

A minha atenção redobrada para a leitura correcta do seu discurso levou-me a descodificar o que chamou ela de trafulha (confusão dos movimentos, antes e depois da independência de Angola).

- Mana, eu, a trafulha já me encontrou. - Expliquei para aclarar a questão das idades.

- Você, assim, tem já quantos anos? - Questionou ela, para depois acrescentar que "só sabia da data certa do nascimento dos seus dois primeiros filhos", pois era ainda moça, e recitou as datas com dia, hora e tudo.

- A Angelina nasceu no dia 15 de Setembro de 1965. Ela e o Segunda foi quase escadinha. Criei a Angelina só um ano. No ano seguinte, 01 de Agosto de 1967, nasceu o Segunda. O Toy e o Roque (filhos de uma irmã e uma prima respectivamente) nasceram em 1968. - Acrescentou a septuagenária.

Todos seguíamos atentos, inclusive os netos dela e o meu primogênito, Mociano que se acha mais dado às contas do que às estórias, dado o seu curso de Arquitectura.

- E por que a mana se lembra da data de nascimento dos primeiros filhos e não dos outros? - Voltei a indagar, antes ainda que lhe respondesse sobre a minha idade.

- Bem, essa aqui, apontava para a Remisa, enquanto buscava outra data memorável, é a que estava nas costas quando fui ao óbito do soba Kitinu (meu avô materno e homónimo). Encontrei a Kilombu tinha parido naquele mesmo dia. Por isso, você Luciano não pode ser mais velho da Geny. - Explicou ela meio equivocada.

- Então, se a mana foi com a Remisa ao colo ao óbito do nosso avô e encontrou a mãe deu-me à luz naquele mesmo dia, sendo que a trafulha ainda não tinha começado e a Geny ainda não estava na barriga da mana, como é que ela se torna minha mais velha? Quando eu nasci, a Remisa era a nené do colo. Quando chegou a trafulha ela tinha dois ou três anos e eu um ano. A Geny que no ano da trafulha estava na barriga da mana terá nascido em 1976. Portanto, eu tenho 41 anos. A Remisa tem 43 e a Geny tem 39. - Esclareci.

A idosa que seguia atenta a minha explanação, abanando a cabeça de cima para baixo, em jeito de aprovação, ficou alguns segundos com a bola de funje a meio caminho entre o prato e a boca. A kisaka estava já fria e mesmo a pasta de bombô estava também com pouco calor.

- Quarenta e um anos tem o mano? É muito. E eu que te encontrei "te nasceram" naquele mesmo dia em que a  tua mãe foi chorar o pai dela, avô Kitinu, tenho quantos anos? Só pode ser 250 anos. - Concluiu sem aguardar por uma resposta.

A assistência, sobretudo os netos e o sobrinho, o meu filho, fizeram gosto à boca e riram-se um pouco da desconversa da idosa.

- Avó, no mundo não há pessoa viva com essa idade. – Retorquiram os adolescentes.

- Mas eu tenho 250 anos. Me levem no governo para me apresentar na televisão. Se o Luciano tem 41 anos, eu só posso ter mesmo 250. -  Reforçou a velha Rosaria, preparando-se para contar outras malambas seguidas, sempre de forma atenciosa, pela moçada que se diverte e aprende com a velha da família.

É que no meio de tanta brincadeira da anciã há sempre lições que ficam retidas sobre a forma digna de viver em comunidade e alguns relatos históricos que complementam a narração científica.

Já depois da minha retirada, contaram-me que a preleção prosseguiu com os netos que pretendiam mais detalhes sobre o que ela chama de trafulha.

E constou-me que ela contou tim tim por tim tim o quão dura foi a Luta pela Independência de Angola e qual dos três Movimentos “ficou com o povo, dando vacinas, cobertores, sal e roupas de fardo, quando os outros regressaram às matas de onde voltavam de forma relâmpaga apenas para queimar tractores e pilhar galinhas”.

- Nós estávamos mbora com o Movimento do Neto que não fazia mal às pessoas. É por isso que chamo aqueles dias que antecederam e se seguiram à independência do tunda mindele como momentos de trafulha. - Concluiu a velha Rosária.

A vela, sobre a qual se formara uma roda, já tinha vivido a vida que lhe fora dada pelo fabricante. Sem energia eléctrica e sem outra vela substituta, os netos foram escapando um a um, chamados pelo sono. Ela continuava empolgada, ora recontando estórias ora intercalando adivinhas expressas no seu materno Kimbundu.

Porém, à medida que a roda ia ficando vazia, foi percebendo do passo apressado do relógio para o dia seguinte e, no final, a velha seguiu-os também.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

TIO, COMPRA MULONDOLO PARA DOR DE COLUNA!

Viajávamos da capital ao interior, minha terra natal. Ao longo do trajecto de 270 Km, revezados entre pavimento selado e buracos que ameaçam os automóveis, é Man Prole, o músico do Kwanza-Sul, quem nos faz companhia com as suas  melhores quetas de todos os tempos.
- Papá, ele está a cantar o quê? - Pergunta o filho derradeiro, algo aborrecido. A queta que me leva aos anos oitenta do século finado nada lhe diz. Pior ainda porque cantada em Kimbundu, língua que só ouve soar quando é visitado ou visita a avó que intercala sempre expressões lusitanas e o seu Kimbundu materno.
- Ele está a cantar que a mãe está a pensar e a chorar o filho desaparecido na tropa. - Traduzi para o infante.
- Papá, na tropa é longe?-  Voltou a indagar o petiz, agora interessado na explicação.
- A tropa não é um lugar. Tropa é o militar. No passado todos os jovens rapazes eram obrigados a ser tropa e muitos morriam na guerra.
- Guerra é o que papá? É como no filme que fazem tiros?
- Sim, filho. Faziam disparos mas eram de verdade e as pessoas morriam mesmo. Morreu muita gente longe de casa e sem que os familiares tomassem conhecimento do óbito. Havia pessoas que eram choradas devido a falta de notícias mas que reapareciam. Quando assim sucedesse, as famílias faziam festa grande. Outros jovens idos ao serviço militar eram esperados e nunca mais vinham. Mas as mães nunca desistiam de procurar por notícias dos filhos ausentes ou de lamentar. É isso que Man Prole canta.
- E o papá também foi tropa como o meu padrinho?
- Sim, filho. Fui tropa mas estive na rectaguarda, a guardar a vila de Kalulu enquanto os tropas mais velhos iam fazer barreira à frente.
- E o papá andava de traz como o carro quando anda de rectaguarda? É por isso que a casa da avó ficou muito distante, n´é papá?
A conversa entre pai e filho ia animada. O volume da música tinha sido baixado ao máximo. Com o gotejar furioso da chuva só se ouvia mesmo um ruído imperceptível o que parecia agradar o infante que questionava com mestria.
- Papá o meu padrinho me disse que a guerra já acabou. É verdade, papá?
- Sim, filho. Felizmente, já não há guerra. Por isso é que viemos de carro ver a avó e agora vamos visitar a tia. Antes não era possível andar de carro em segurança porque os que estavam nas matas queimavam os carros.
- Eles, assim, eram bandidos, não é papá?
- Sim. Digamos que sim. Era assim que os tratávamos mas agora já são nossos amigos. Paz é perdoar os erros do passado e fazer coisas novas em comum.
O rapaz, seis anos ainda, pareceu ter percebido a explanação sobre os lamentos reproduzidos pelo músico Man Prole: a guerra, as mortes, a paz e a reconciliação e reconstrução nacional. Porém, antes mesmo que adormecesse, o arrastar da blindagem num buraco que se candidatava a cratera, junto à ponte do Longa (EN120), fê-lo despertar e voltar às perguntas.
- O papá disse que guerra já acabou. E porquê que o carro se arrastou?
Fiquei segundos sem responder. Enquanto endireitava o que lhe dizer, preocupei-me em encontrar um sitio seguro, já no lado da Quibala, que não prejudicasse a circulação dos outros automobilistas e parei para ver eventuais danos na viatura e esticar a coluna há muito afectada por uma lombalgia. O rapaz aproveitou desfazer-se da ureia e apreciar outros meninos, alguns de sua idade, que empunhavam umas raízes com um cheiro intenso e seiva branca.
- Papá, olha. Os meninos estão a mostrar ao papá uns paus. É quê?
Antes mesmo que ensaiasse a resposta, um coetâneo do Arlindo passou à frente e atirou:
- É mulondolo. É "midicamento" para dor de coluna e "outrascoisa" dos mais velhos. Tio, compra. É barato e se quiser pode provar na raiz ou no charope (raízes demolhadas num frasco).
Katerça, assim nomeado por nascer numa terça Luarenta, conforme narrou, frequentou a primeira classe na escola de Kikole. Tem nove anos, apesar de aparentar menos. "Me ferraram na altura", explicou-se quando o informei que o meu "kasule" tinha apenas seis. Contou que vende (raízes de) mulondolo (ao que dizem com propriedades analgésicas e afrodisíacas) para juntar dinheiro para a roupa e os cadernos que vai usar no próximo ano lectivo.
- Aqui é assim. Os mais velhos vão redar (pescar com tarrafa) e vendem o peixe que sobra para ter dinheiro. Nós crianças, assim que o rio (Longa) está muito cheio, para não nos arrastar na água, cavamos mulondolo e vendemos "nos" tios que vão a Luanda ou no Huambo. Outros, conforme o tio está a ver, ficam a tapar os buracos na estrada e os motoristas também lhes oferecem dinheiro. - Explicou o petiz, sem gaguejar e acrescentando: se o tio não gosta de mulondolo pode comprar milho fervido "na" minha mana que está ali, na sombra.
Abri a porta moedas da viatura e descobri uma nota de valor modesto que estiquei ao bracito do rapaz.
- Toma Katerça. É para comprar mesmo um caderno. Espero que chegue. É uma pena o tio não ter mais...
- Obrigado tio. Deus te ajude e te faça vir mais vezes aqui. E mulondolo vai deixar? Não quer um "kabucado" de favor? – Retribuiu o rapaz.
Agradeci a oferta desinteressada do Katerça e aconselhei-o que estudasse sempre, não se esquecendo, todos os dias, de fazer os exercícios do livro de matemática, para além de exercitar a leitura.
Na minha terra há um adágio que reza “kayete lya sapo kayoto”! (o que não se exemplifica não convence ou não anima!). Para que ficasse claro, contei-lhe um pouco da minha experiência.
- O tio, quando era pequeno, também vendeu, ajudando a mãe. Hoje tenho emprego graças à escola, exemplifiquei.
Katerça agradeceu e eu parti, debaixo dum teimoso chuvisco, quase a verter a terceira lágrima.
Os instantes seguintes foram novamente do Arlindo que meteu a limpo as dúvidas sobre mulondolo e aquela estória contada ao menino Katerça sobre as vendas do tio enquanto miúdo.
-O papá vendeu o quê? O papá fez o quê com o dinheiro? – Foi um perguntar sucessivo a que se seguiram respostas que já não ouviu. Embalou com os batimentos da chuva sobre o tejadilho da viatura e quando despertou já tínhamos chegado à casa da tia Júlia.

domingo, janeiro 17, 2016

(RE)CONHECENDO ANGOLA

Crónica 01
- Afilhado, se um dia fores à Huila, não te esqueças de chegar às cascatas da Huila. Sou comandante da esquadra comunal. A cascata é, para além do Cristo Rei, Fendas da Tundavala, Serra da Leba e Serra da Xela (Chela), um dos melhores locais para visitar e arregalar os olhos. - Disse-me o padrinho, numa conversa havida há já dois meses.
Chegadas as férias, preparei a "Maria" (nome da carrinha) e fiz-me à estrada: Lwanda-Sumbe-Kanjala-Lopito-Mbengela-Xongoloy-Kilenges-Luvango (Morro da Xela, Cristo Rei, Humpata, Serra da Leba, Tundavala)Xibya, Mercado das Mangueiras (Namibe), Luvango. Confira as estórias

Perto de mil quilómetros da capital de Angola à capital da Huila, a caminho do alto e montanhoso Sul do país. Entre troços recomendáveis e outros que quase nos cortam a respiração, ante a presença brusca de buracos assassinos, desfiz-me de Lwanda-cidade até à ponte erguida sobre o caudaloso e manso Kwanza, a afogar-se no largo Atlântico. É a cobrança de portagem que me desperta a atenção.

- Tomara que de trezentos em trezentos quilómetros houvesse essa forma de levar dinheiro ao cofre do Estado. Andámos a reclamar que as estradas estão más, quando pagamos pouco ou quase nada para as manter. - Atirei ao meu canino amigo e, mais uma vez, companheiro de viagem. Este concordou e a viagem ganhou motivo de conversa: as portagens necessárias e os impostos devidos ao Estado.

- Que tal também uma cobrança de portagem na ponte sobre o Kwanza, junto à localidade de Kabala? É recente, imponente e, tarde ou cedo, carecerá de manutenção. - Atirou Martins, em jeito de provocação, sem se dar conta que os Kz 210.00 pagos na portagem não tinham sido facturados. O Estado fora aldrabado pelo funcionário e nós, distraídos, limitamo-nos a avançar sem cobrar a nota de facturaço.

- No regresso, temos de pedir a factura e se o homem for o mesmo, terá de nos passar o documento em falta. É preciso que alguém se lembre disso. A ponte tem de fazer o seu pé-de-meia nesses tempos de verdinhas raras. – Complementei.

Viagem turística é para ver tudo à volta e à beira da estrada. Mas quando a rodovia nos convida para testarmos a potência do motor e a nossa aptidão, somente os sinais de trânsito nos impedem de baixar em demasia o acelerador: visibilidade, condições da via, estado técnico do meio e atenção redobrada são condimentos para uma condução defensiva. Assim aprendi num curso em Catoca.

Não tardou chegar ao Longa, Porto Amboim (onde o sol nos convidava para uma praia que ficou adiada para uma próxima digressão), rio Keve (onde o bagre fumado, à mostra na kitanda ribeirinha, faz verter água na boca faminta de quem deixou Lwanda sem tomar o mata-bicho). Daqui ao Sumbe foram dois assobios.

Calmo, mas sempre perigoso, o monte do Xingo (pescoço? De quem seria?) apresentava-se valentão até para os mais destemidos do volante e acelerador. Mudança intermédia, entre força e velocidade, com o travão sempre a meio. Ao entrar para a antiga cidade de Novo Redondo, a Maria apresentava o depósito a meio e teve de ser alimentada.

Já a sair, surgem casas sobrepostas na montanha que atende pelo nome do Médico-Guerrilheiro do Glorioso M. Uma fenda se presta a engoli-las a qualquer hora desses dias pluviosos. As casas erguidas em degraus sulcados sobre o monte argiloso apresentavam um semblante tristonho e medonho. O motoqueiro abordado não hesita em apresentar-nos o bairro.

- Aqui é no Américo Boa Vida. – Disse empolgado.

Olhei para o Martins que aproveitou a paragem para se aliviar da ureia e joguei rasteiro:

- O camarada Ngola Kimbanda merecia um chará mais organizado. Aqui não vislumbro boa vida. Olha para aquela casa abandonada, com a lateral desabada e sem acesso?

Colhemos as imagens possíveis e cavamos. Uma fomezita se fazia anunciar. Teríamos de resistir até Kanjala onde "as bombas e dinamites que despedaçaram a ponte sobre o rio que  dá nome à localidade não meteram medo ao povo unido" que ali fixou residência e sempre fez o seu negócio agroalimentar. Deslizamos sobre a nova travessia, também ela construída à base de ferro e betão, mostrando aos amigos da pólvora que o país se faz com trabalho.

- Kanjala é fome pequena. - Explicou Miqui, a jovem que disse ter nascido e crescido na aldeia, mas num tempo já de poucas refregas. Sobre os autores da barbárie contra as pessoas, os edifícios e a ponte, Miqui, aparentemente bem avisada e disposta apenas a servir o seu pirão que mata a fome, preferiu não comentar.

- Ó mano, nesses tempos os pais já não andam mais a falar sobre essas coisas. Quando nasci a ponte já estava na água e nunca me disseram quem foi que a partiu. – Esquivou-se ela da provocação, destapando as panelas que reluziam ao sol. Mas é já ao nos despedirmos que Miqui solta um detalhe: estão a ver aquela "kamunda, katito, tito" (montículo pequenino pequenino), é ali que se escondiam.

- Mas, que fome tinham os homens da pólvora que em vez de procurarem por comida a descarregaram sobre a ponte? – Indagou o Martins, cuja resposta ainda aguarda.

O peso do pirão com kalulú, que não tinha peixe seco, fez pressão sobre o pedal acelerador e não tardou chegarmos ao Lopito que me surpreendeu com a estátua que representa um camionista que abraça numa mão o volante e noutra a kalashenikov. O jardim que enfeita a rotunda está mínimamente cuidado, tirando os zungueiros e as crianças que jogavam despreocupadas a sua garrafinha por cima da relva. Consultada a placa sobre o monumento, diz tratar-se de uma “homenagem aos motoristas e ajudantes que de 1975 a 2002 ajudaram o povo e o poder instituído a levar mantimentos a todos os cantos do país”. Fiz-me à câmara e, por pouco pediria o livro da cidade para deixar o meu assentimento: "Homenagem merecida". Mas livro não havia nem tempo. Mbengela (Benguela) chamáva-nos apressada pois havia encontro “cirúrgico” combinado com o primo Casemiro, cuja casa devia conhecer. E o encontro foi no Hospital Provincial que registava um dia de pouca agitação.

Sol ardente, sede a cobrar água para os lábios ressequidos. Bem próximo do Hospital, a Morena cobiçava-nos desejosa para farfalharmos as suas areias brancas e águas límpidas. Resistimos: “Ficas na agenda, ó Praia Morena”.

Não vi o vermelho das acácias, se calhar por não estarem na rodovia que me conduziu ao Xongoloi (Chongoroi). Antes, no primeiro desvio para o Wuambu (Huambo), mulheres de pastores de bovídeos exibem o “mahini”. Aqui tratam-no apenas por leite azedo e não exactamente mahini como no sul. Cardealmente, estávamos ainda no oeste e não exactamente no sul como os nortenhos de pouca instrução catalogam os que nasceram abaixo do Kwanza. Não tardou surgir a vila que nos recebeu debaixo de chuva grossa.

 - Atenção, compadre, à ponte! Tem uma faixa vedada à circulação. Que terá havido? – A pergunta do Martins ficou perdida no roncar da Maria que pelejava contra a distância enquanto eu tinha como adversários os intrusos assassinos e o asfalto molhado.

Com o sol a namorar o mar, um controlo policial desperta a nossa atenção. À meia-distância estava uma ponte metálica prestes a ruir. Um trilho lateral indicava-nos que uma outra fora levada pela fúria da água. Levantando o rosto fui agraciado com a expressão, “Seja benvindo à província da Huila”. Estávamos a adentrar o município de Kilenges (Quilengues), cuja vila se apresenta bem cuidada e asseada. A administração municipal tem no entorno um jardim com representação de espécies da nossa fauna. Antes, um parque infantil atende pelo nome de Jacaré. O templo católico, a caminho do duo centenário, também se mostra alegre e decorado. Fazer fotos se mostrou irresistível.

- Sejam bem-vindos ao nosso município e desfrutem das belezas da Huila. – Gritou-se do outro lado da estrada, ao que fomos agradecer e perguntar se se objectava a colecta de imagens.

- Turismo sem fotos é como casamento sem filhos. – Disse irónico o mano de Kilenges, sempre com um sorriso nos lábios.

Entre Kilenges e Luvangu (Lubango), está Hoke (Hoque), comuna que eterniza um valente comandante das forças armadas angolanas, tombado em missão patriótica. Simione Mukune é o nome do bairro que fica depois do ponteco. O local, contam os moradores, tem dado, em tempo chuvoso, dores de cabeça aos automobilistas e governantes.

- Por cá passam muitas viaturas que vão ao Kunene (Cunene), Namíbia, Moçâmedes e outros destinos, procedentes do norte (Luanda, Benguela, Huambo, etc.). – Contou Zito, um jovem que se apressava em pedir boleia para Luvangu.

Debaixo de um céu já sem sol, ligo o rádio e a música nos convidava: “Vem, vem, vem| Vem conhecer Luvangu| Luvangu te espera”... A cidade era um clarão abraçado pela estátua Real implantada sobre o alto da Cela (Chela).

- Chegamos, compadre. Estás a ver aquele cerco montanhoso? É mesmo ali. Já lá estive por duas vezes em missões de serviço. – Atirei ao Martins que não conseguiu disfarsar a sua alegria.

- Finalmente, Luvango!

O medidor de distância apontava: mais de novecentos quilómetros percorridos entre Luanda e a cidade erguida sobre o sopé do monte da Cela (Chela).  

sábado, janeiro 16, 2016

INSTANTÂNEOS DE UMA VIAGEM APRESSADA


Cateculo: aldeia dos meus amigos de adolescência, Avelino Toneco​, Lito​, João Paulo e outros nos tempos em que vivi e estudei em Kalulu. A Cateculo íamos, aos fins de semana, eles buscar mantimentos e eu acompanhando-os e aprendendo como escalar uma palmeira e colher o vinho de palma fresquinho e docinho. E me diziam: bom maruvo não se bebe no chão!

Cateculo é uma aldeia no meio da floresta, rodeada por cafesais e palmeiras. Infelizmente, vi muitos campos que continham cafeeiros cobertos de nada. Toda a vegetaçao foi cortada e queimada. Talvez onde se colhia café, semente de pouco valor comercial nos dias que correm, se pense semear milho ou plantar mandioqueira. A fome e o imediatismo tb nos podem levar a isso.

Marginal do Dondo: aqui ainda se come bom kakusu a mil angolares à beira do Kwanza que é o nome oficial da moeda nacional. Pena é inexistirem wc's e os detritos das casas ribeirinhas serem cegamente canalizados para o grande rio de Angola. Há que se tomar medidas pois isso de os detritos humanos alimentarem peixes e os peixes alimentarem os humanos pode resultar em "jihadi nyi malamba".

Pedra Escrita: aglomerado populacional para aonde confluiram e confluem povos de várias aldeias da regiao. Os Kuteka, os Kipela, os de Tumba Grande, os descendentes de ovimbundu que trabalhavam nas antigas fazendas, os antigos "recuas" do Kisongu, Longolo, etc. foram agregados à força pelo comandante Infeliz quando persistiam em ficar nas lavras ou constituindo aldeolas familiares. A aldeia com mais de quinhentas familias e umas quatro mil almas ja tem escola e água canalizada (embora bruta). Falta alguém se lembrar de concluir o posto médico cuja empreitada iniciada ha mais de cinco anos foi esquecida na décima fiada. É hoje refugio de cabras e lagartos...

Ruinas da Fortaleza de Kalulu: fiquei triste ao ver a nossa fortaleza no estado que a foto mostra...

Construída sobre o Monte Lukulu, que estará na origem da designação da vila de Kalulu, vila sede do Libolo, no Kwanza-Sul, a Fortaleza de Kalulu (ou Calulo nome oficializado nos registos topográficos) foi um dos maiores bastiões da resistência nativa à fixação dos europeus nas terras de Ngola até ao século XX.

Nos tempos da minha infância e adolescência, na década de noventa do século XX, ela cumpria ainda o seu papel militar, sendo o local onde se concentravam as melhores peças de artilharia do exército governamental que fazia face a uma rebelião armada e, por isso, seu último reduto. O entrar e sair de militares era sempre tido como sinal de algum alerta de que o cheio a pólvora podia estar próximo ou sinónimo de novas aquisições em termos de tecnologia militar. Basta ver que o Palácio do Administrador está erquido à entrada do forte.

No tempo da guerra civis entre angolanos a Fortaleza de Kalulu era um local inacessivel a civis comuns, sendo quase místico para a miudagem do meu tempo o que havia e ou acontecia no seu interior, para além das "armas pesadas" e dos "tropas mais cacimbados" que entravam e saíam. Das raras vezes que vi o seu controlo a mudar de mãos, mesmo que fosse por curtos minutos, senti parte da derrota, assim como sentia dor ao ver pedaços de pedra a ela arrancados à força de canhões e morteiros. Mas, dia depois, retornados duma fuga forçada, lá estávamos de novo, a curar as feridas, apagar as cinzas e a contemplar a dureza da nossa Fortaleza contra a qual, infelizmente, a acção voraz do tempo tem sido implacável.

A abertura da Fortaleza de Kalulu ao público aconteceu nos anos de paz efectiva, isto é, depois de 2002. Com a desmilitarização da vila de Kalulu a fortaleza passou a acolher as antenas reprodutoras dos sinais da Televisão Pública de Angola e da Rádio Nacional de Angola.

Embora seja considerada pelos nativos do Kwanza-Sul e por muitos historiadores, que leram sobre ela ou a visitaram, como um "local de memória colectiva", desconheço a existência de um diploma legal que a eleva a património Histórico Nacional, como acontece com outros edifícios classificados, pois não vi nenhuma placa com tal indicação, nem à entrada nem no seu interior.

De uma coisa, porém, tenho plena certeza: a Fortaleza de Kalulu é memória colectiva dos angolanos sobre a resistência oferecida pelos nativos à presença europeia, levando os invasores portugueses a erguer na elevação que se acha no interior da vila um forte em pedra bruta para melhor se defenderem e desferir fogo de artilharia contra os nativos que se revoltavam de tempo em tempo. No seu silêncio, ela conta também o estoicismo dos povos do Lubolu e arredores contra a usurpação de suas terras, subalternização da sua cultura e mutilação de seus usos e costumes. Um povo fraco e submisso que tivesse renunciado a sua organização política, social e cultural não teria merecido tamanha honra dos conterrâneos de Paulo de Navais.

Sobre os anos das refregas entre movimentos desavindos ao sair de Alvor e, depois, entre o Governo instituído no país e a rebelião armada, a Fortaleza de Kalulu guarda outra História e estórias. Vai daí também a necessidade de se redigir tudo quanto ela registou, formar-se jovens guias que recontem estes episódios aos visitantes da sede administrativa do Libolu que vai conhecendo um crescimento do número de visitantes, sobretudo nos dias de Futebol que é animado em semanas intercaladas pela equipa do Clube Recreativo do Libolo que está na 1ª divisão, ostentando já quatro títulos de campeão nacional.

Depois de ter sido reduzida a depositária das antenas que reproduzem os sinas da Rádio e Televisão Públicas, que caso fossem colocados na elevação maior, Kaliematuji, até dariam maior serventia em termos de alcance dos referidos sinais, a Fortaleza de Kalulu cai aos bocados, como facilmente observará quem para lá se desloca, não se observando movimentação no sentido do seu restauro e ou uma mera reposição dos blocos que se desprenderam do muro, fruto de continuada acção humana ao tempo das refregas e da acção do tempo.

Sabendo que o Palácio do Administrador municipal, que fica à sombra da escadaria da centenária fortaleza, beneficia de restauro, aproveito lançar um SNF (Salvem a Nossa Fortaleza) , procurando que seja lido e alguma alma com poder e apego à memória colectiva se lembre de exercitar a magistratura de influência positiva junto dos poderes político e económico ou mesmo leve mão ao bolso para que se  preserve a Fortaleza de Kalulu.

Já perdemos, com esse andar despreocupado, o Fortim da Kibala cujas pedras foram emprestar força aos alicerces das casas de adobe, não faltando muito para que o mesmo destino seja dado aos blocos que compões a Fortaleza de Kalulu.

Segundo o investigador Carlos Figueiredo, também ele um libolense a prestar docência em Universidades de Macau e Brasil,​ que se juntou a esse apelo, "...com a perda do Fortim da Kibala, infelizmente, apagou-se também uma página importante da História do Libolo. Na altura em que o fortim foi construído, a Kibala era parte integrante do Município do Libolo. No final do séc. XIX e princípio do séc. XX, a localização estratégica de Calulo foi importantíssima. Na Fortaleza de Calulo estava instalado o Posto Militar que funcionava como centro de todas as operações expedicionárias tanto na área do Libolo como nas circunscrições vizinhas da Kissama, do Seles e do Bailundo. O fortim da Kibala foi construído para dar apoio a essas expedições e servir como testa de ferro aos ataques dos nativos da região do Seles e do vale do Longa. O Município da Kibala só foi desanexado do Libolo em 1921, depois de concluída a pacificação da região".

Tornam-se, por isso, imperiosos a responsabilidade moral e o dever histórico-patriótico de todas as mulheres e homens conscientes de toda Angolas que devem unir esforços para a preservação do nosso passado comum, em Kalulu e em outros cantos do nosso país.

Nota: Parte do texto publicado na edição de 15 Jan 2016 do Semanário Angolense.

terça-feira, janeiro 12, 2016

NA ROTA DO PORTO PESQUEIRO DO AMBRIZ

Seis de Dezembro, dia de chuva fechada com pequenos intervalos de zonas ainda secas e por molhar em momentos que se seguiam.
O ponto de partida é Mbanza Kongo e o destino é Mbanza Ngola (Luanda, a capital de Angola).
Depois do Ambriz, em direcção à Barra do Dande, um letreiro indica para a direita "Porto Pesqueiro". Não há dúvida. Para os menos alfabetizados está também a representação gráfica de um peixe. A tabuleta indica que são 3 km de picada.
Entre o receio de ficar atolado, pois era dia de chuva farta e conduzia  um carro sem tracção a 04 rodas, o espírito  de aventura falou mais alto.
Entre curvas, lombas e algumas poças de água, transpondo também a relva que invade o eixo central da picada, lá chegamos ao "Porto". Na costa, nenhuma alma pescadora.
Buzino para despertar a atenção de quem podia estar por perto e surge um agente da polícia (calculo que da Guarda Fronteiriça ou Marítima) que me explica:
- É ainda um projecto de Porto Pesqueiro e nós estamos aqui para manter a inviolabilidade das nossas fronteiras. Sabes, como é a situação das entradas pela costa, né!
Agradeci sem mais perguntas. Ameaçava o bis da chuva que gotejava miúda. Fiz "QRF" de volta à EN100 e decido comprar o peixe na Barra do Dande, onde o seco estava à mostra mas o fresco extremamente escasso. Pelo caminho uma seixa e um braço de javali para contar a estória da viagem à mesa da sala de jantar.
O calulú fica para depois. Quem sabe uma busca pelos lados de Benguela Velha (Porto Amboim)!

quinta-feira, janeiro 07, 2016

À VOLTA DA LAGOA

Dizem que se pesca na lagoa pluvial que fica em Viana, entre a Avenida Deolinda Rodrigues e as traseiras da Comarca.
Contam-se estórias sobre "abundantes fainas" diurnas e nocturnas e capturas de jingwingi de quilos abastados.
Eu, o narrador, embora viva ao pé da lagoa, não vi ainda, não. É só mesmo conversa de ouvir dizer e ver os anandenge a andar de cima para baixo, ora com canas de pesca e minhoca, ora ximbikando, ora com as redes de apanhar peixinhos que vêm cá acima apanhar água com um pouco ainda de oxigênio, por causa do lixo e podridão que as vizinhas cavalonas põem, dias sem fim, no lago que lhes cerca as mabata.
Verdade verdadeira, peixe grande não vi ainda, não senhor. Mas peixe pequeno, piquinino, de pôr no aquário, que os brancos e os sô doutore "lhe chamam cuele" alevinos, esse, pessoa não precisa ter olho de águia. Vê sem precisar de mawanas.
Até mesmo a vizinha Rosa, uma cavelhota já de bengala, faz muitos anos e que diz não vê mais nem vulto, certo dia se abeirou da lagoa na companhia de um mona lá do quintal de Sá Josefa, sua filha do meio, e gritou:
- Buereré de "scapexinho ansim"?!
As filhas, amigas das filhas, as comadres do bairro, as vizinhas e tudo na estupefação.
- Ená! Cega de muito tempo já viu peixinho? Deve ser madiwanu!
- Madiwanu de quê, "vucês" num sabem que quando pessoa num vê o que sai nos olhos se acrescenta "nosovidos"? Stou ouvir bué de filho de peixe andar por cima da água, no meio das folhas daquela árvore de "tambarino" que vizinho Lúcio trouxe da Luanda.
As filhas, noras e tudo de novo bwamadas.
- Como é que mamã vê a árvore e as folhas na água se nem vizinho Lúcio a mamã conhece? - Perguntaram de novo, tipo já é coro na igreja metodista.
- "Intão" pessoa cega já não tem boca? Não tem ouvidos? Não tem contadores? - defendeu-se. Tenho môs netos "qui minformam" tudo que se passa no bairro. Abrem só rádio se todas as makas de Luanda eu não sei. Esses ouvidos é tipo gravador do tempo colonial. O que entra já não sai. Até as cor, os cheiros, tudo eu grava aqui na cabeça. Certos mizangala, aqueles que andam fumar kangonya ali na esquina do Dialó não assaram bagre grande que apanharam mesmo aqui na cacimba quando iam buscar lyamba que andam a guardar naquela ilhota da lagoa?
- Mas mamã então, uma kifofu alheia, quem anda te fwefwenhar essas makas todas do bairro? - Perguntou Mingota dya Kazela, filha mais velha que mora no Dondo e que veio "disminuir" na saudade.
- Dya Kazela (o mesmo que Branquinha em Kimbundu), eu sei tudo. Tudo mesmo passa de boca em boca na frente da ceguinha e se esquecem que "kaveia" tem mbora ouvido dela. Até se polícia desse tempo fosse educada e bem preparada não precisava se dar massada para apanhar os malandros. Os planos deles de "assarto", divisão de dinheiro, quem guarda as armas, os comparsas, as kangonya e tudo, falam mesmo na frente da velhota. Eu sei tudo. Me traz só a rádio e a televisão aqui para me perguntarem sobre as coisa que "ándamos" passar cuele, dia-a-dia na cidade, se Viana não vai pegar fogo? Pega fogo porque eu sei de tudo! - Concluiu a idosa, sem meias palavras. 

sexta-feira, janeiro 01, 2016

ESCREVENDO COM O TRABALHO A NOVA HISTÓRIA


A sorte e a virtude no Serviço Público
Tive de recorrer, desta vez, ao tratado de Nicolau Maquiavel, O Príncipe,  para extrair conceitos como sorte (fortuna) e Virtú (virtude) que, nas palavras do autor, "devem acompanhar o sucesso de um líder" (seja instituído para um posto de chefia ou um agente respeitado e com seguidores que o fazem por causa dos seus bons exemplos).
O autor de O Príncipe define como fortuna ou sorte o ambiente envolvente, antes e durante o seu mandato: qualidade das pessoas que governa e com quem governa (pessoas capacitadas e empenhadas, leais e disciplinadas ou não), a harmonia social e política, a qualidade das instalações e dos equipamentos, os recursos financeiros, o ambiente regulatório, as relações com utentes e fornecedores, entre outros quesitos, fazem parte deste pacote.
A Virtú (virtude) é definida pelo autor como o talento, a sagacidade, o bom mando, a ponderação, a análise cuidada e as respostas assertivas aos factos e fenómenos que surgem no caminho de um líder. É preciso ser virtuoso, diz ele.
Transportando para os nosso dias esse tratado centenário de Maquiavel, nascido em Maio de 1469, em Florença, Itália, se pode ainda dele retirar algumas bons exemplos.
Vivemos uma conjuntura política, social e económica que nos apela ao redobrar de esforços, coesão  e inteligência, no sentido de darmos mais respostas do que aquelas que aparentemente entendemos como demanda dos nossos utentes, apesar dos meios escassos e necessidades infinitas.

A moralização da Administração Pública requer o cumprimento de prazos e qualidade requerida nos serviços a prestar, lealdade dos Servidores ao Poder instituído pelo sufrágio directo e ao Serviço Público, parcimónia na utilização dos recursos, equidade no tratamento, equilíbrio nas relações, bem como o respeito mútuo e a solidariedade institucional e interpessoal. São virtudes que quando juntas à fortuna (aqui entendida como sorte ou ambiente envolvente) farão de nós líderes com direito a, pelo menos uma linha, na História que se há de redigir sobre a Reviravolta nas Instituições Públicas Angolanas.
A confiança e a lealdade devem ser cultivadas todos os dias. Todo o poder é uma cadeia, do mais alto ao mais baixo e vice-versa. É como as engrenagens que movem os ponteiros de um relógio. Basta quebrar um carrecto minúsculo para que todo o sistema fique afectado.

Cada um deve fazer o seu melhor, sem prejudicar o colega ou o seu superior. Juntos, olhando apenas para o bem e fazendo o recomendável, faremos a Nova História do Serviço Público.