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quinta-feira, março 31, 2016

GRANDEZAS DE PARTE E ARREGAÇAR AS MANGAS

“O país está mais pobre”. Adiantou o antigo Governador do BNA, Dr. José Pedro de Morais, numa abordagem sobre os rumos da nossa economia nacional, cujo desenrolar não deve ser alheio às famílias e aos funcionários públicos.
Num discurso bastante realista e quase inédito, José Pedro de Morais reconheceu queA desvalorização cambial e o aumento da inflação têm sido o resultado natural da queda, substancial na nossa principal fonte de rendimento. A dura realidade é que ficamos mais pobres e, por isso, temos de nos ajustar”.
Perante o quadro, só nos resta ter como cavalo de batalha uma frase: Trabalhar com afinco e racionalizar cada vez mais. Não temos, a meu ver, outro caminho que nao seja o da nossa entrega ao trabalho para produzirmos de forma eficiente e eficaz ali onde estivermos colovcados e poupar cada vez mais os recursos disponíveis, quer para o exercício da actividade profissional,quer atendendo a grelha de necessidades do orçamento doméstico.
 “A dura realidade é que ficamos mais pobres e, por isso, temos de nos ajustar”. Trata-se de um ajustamento que passará por fazer as coisas de modo diferente a fim de esperarmos por resultados diferentes. Já está provado que não adianta fingir que se trabalha ou evocar razões imponderáveis para justificar a falta de entrega. A resistência passiva é perniciosa ao crescimento individual e das orhanizaçoes, sendo combatida de acordo a Lei que regula a actividade laboral e demais instrumentos reguladores internos.
É tempo para mostrar o quanto valem as mulheres e homens desta casa. Espero que todos arregacemos as magas e nos entreguemos, de forma abnegada, ao compromisso que fizemos com o Serviço Público.

segunda-feira, março 21, 2016

AMORES DE MEL´AÇO

Sempre foi a menina dos olhos do pai, desde pequena. Nasceu linda e meiga, tal como Manuel pretendia. Deu-lhe, por isso, o nome de Mela, uma espécie de sua homónima. Para a esposa, dona Bela das Pernas Grossas, rapaz é que atenderia o seu ego. Mela também era benquista da mãe que se gabava de vizinha em vizinha por ter a menina mas trochudinha da Rua do Lodo, no bairro Karyangu, embora por atrás daquela alegria algo pedia o companheiro para a menina. Diante do marido, Bela reclamava do excesso de bonecas sem carros de brinquedo no quintal. E aconteceu três anos mais tarde, depois de uma interrupção oculta pelo meio, dado o facto de o segundo "conseguimento" ter surgido seis meses depois de Mela.

Do outro lado, Manuel sonhava com a filha doutora de qualquer coisa, moça prendada, alembada e casada no tempo certo que nem ele sabia, se aos dezoito, vinte e oito ou já no extra time para um produto a prazo quando se pretenda cliente embolsado e descomprometido.

Manuel andava de sorriso em sorriso e às contas. Mela era a sua alegria e o cavalo dianteiro para Bela das Pernas Grossas, quando o assunto fosse visitar a algibeira do marido. A formosura e a voz delicada da menina impedia o papy, como era carinhosamente tratado pela filha, exibir um NÃO aos seus desejos, muitas vezes projectados e inflacionados pela mãe. Assim foi desde que Mela entrou para a creche até que, já com duas luzinhas no peito a indicar o caminho para a mocidade, Manuel descobriu um teste médico com o nome completo da filha e uma observação do ginecólogo que apontava POSITIVO.

- Porra! Teste de gravi quê?! Quer dizer que essa vadia já quê e eu aqui nas cegas, não é? Para chegar até esse ponto a Bela sabe. Sim, sabe. Tem de saber alguma coisa. Sempre desconfiei as “conversas de mulheres”, afinal era pra essa merda? – Vociferou o homem possuído de ira. A voz que, quase sufocada, se fez morrer no quarto, não deixou de se fazer ecoar na rua traseira e não escapou aos ouvidos vasculhadores das vizinhas "caça-fofoca" que de imediato esticaram a conversa como elástico, com detalhes apimentados com suas férteis imaginações.

- A filha da Pernuda, então, já não tem a coisa no coiso. - Fofocavam as senhoras, de beco em beco, como se as suas princesas há muito assucatadas estivessem no castelo.

No intervalo da escola, onde a notícia a encontrou pela bisbilhotice de uma vizinha, amiga da mãe, Mela desfilava. O dia era seu. Apertada num vestido de boneca, mostrava a geografia de suas picadas, do alto da montanha à foz dos desejos, a todos quantos faziam do seu corpo uma Tundavala de encantos.

Estava preparada para e esperava pelo Mister J, um ardina que se fazia passar por filhinho de papá, com quem sairia para a discoteca Ouro Negro. Nascido no seio de uma família com pequenas posses herdadas do colono cafeicultor de quem o pai fora capataz, Mister J ou Januário, para os amigos de Nambwangongu, aportara na grande cidade empurrado pela busca do que nunca deixara perder ou guardara. Embalado pelas estórias de pessoas que do nada se tornaram gente de fundos e montes, Januário meteu-se num machimbombo, apenas com a roupa do corpo e uma carta do primo Nzuzi que dizia: “Primo estou na capital. Aqui a vida é diferente. Tua roupa, teus carros você consegue sem muito esforço. Basta chegar na praça do quilómetro trinta e procurar por Nzuzi. Todas a gente me conhece. Basta me achares o que é meu também é teu”.

Nzuzi era raboteiro (estivador de mercado) do quilómetro trinta, ao Ramiro e lá vivia numa casota de chapas de zinco, erguida por um pequeno lactifundiário, à beira-mar.

Jacinto desavisado e sem mais detalhes sobre a vida do primo, desfez-se do machimbombo que o trouxera de Nambwangongu ao atingir o mercado homónimo de Viana. Percorreu as bancadas uma a uma, perguntando pelo que se dizia “famigerado” Nzuzi Makyadi, debalde. Foi levado à polícia, aos bombeiros, à rádio e nada. A sua foto, talvez porque desfigurada pelo sofrimento que enfrentou nos primeiros sete dias de Luanda, foi exibida na televisão e colada às paredes do mercado do Trinta, mas debalde. Nem Nzuzi, nem alma qualquer que se prestasse recebê-lo. Teve de empregar-se na venda de jornais, na vila de Viana, dormitando debaixo da ponte amarela, tão logo as vendedeiras lhe cedessem o lugar.

Com o passar dos dias e dos meses, conheceu Ecs Pi. Xavito Pinheiro no bilhete dele, um rapaz de Kalomboloka, filho de um deputado, dezassete anos ainda por completar, que se anglofonou. Ecs Pi gostava de roubar o carro do pai para ir às garotas, mesmo não estando habilitado. Como Mister J tinha carta de condução, fizeram-se comparsas temporários. Durante o dia cada um deles tinha a sua vida. Januário ardinava e Xavito kabulava no colégio em que fingia estudar.

Às noites, hora de lavar o carro, Januário abeirava-se da casa de Ecs Pi que extraia os documentos e algumas folhas da carteira do progenitor e faziam-se à ngwenda. Januário servia de motorista de Xavito, o Ecs Pi, e este servia de pagador das conta do amigo. Era também Ecs Pi quem emprestava as roupas de marca actualizada com que Januário desfilava perante Mela e outras raparigas da Escola Grande. Para aquelas meninas, Mister J era um autêntico magnata. Oferecer recargas de telefone para ele não era problema, muito menos pagar cachorros quentes, hambúrgueres e caipirinhas para as mocitas já experimentadas na interpretação errônea de I Tim. 5:23 (Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho por causa das tuas frequentes enfermidades).
Foi nessas andanças que Mela engravidou de Mister J, com a cobertura de Bela das Pernas Grossas, sua mãe, quando contava apenas treze anos.

Desgostoso, Manuel cortou a mesada à filha e a matriculou na escola pública. Acto contínuo, retirou o pagamento do transporte para a escola e mandou-a a uma barbearia cortar o cabelo à moda Manu Dibangu (lâmina Zero). Não tendo morto o amor que nutria pela filha, apesar da desfeita, Manuel esperava, com a ajuda da mulher, que a filha se corrigisse. Que as conversas de mulheres não fossem para o extorquir e mandar a filha em libertinagem mas para que das privações que lhe impusera resultasse a correcção a tempo de realizar o seu sonho de sempre: uma filha doutora de qualquer coisa, prendada, respeitada, alembada e que dê frutos dignos de orgulho.
Longe de aliar-se às medidas impostas por Manuel, Bela das Pernas Grossas, também ela trambiqueira em  tempos que já lá se foram, merecendo estrofe numa canção carnavalesca de então, colocou-se contra o marido, insinuando que “a filha estava diante de um pai diabólico”.

- Se teu pai não te “quero”, vamos lhe sengar juntos. – Agitava Bela.

Para evitar que a dibala da filha brilhasse ao sol de Abril e as amigas se apercebessem da punição paternal, cedo Bela se prestou em acudir com as suas perucas, dividindo o orçamento mensal de casa com as extravagâncias  da infante.

Tão logo o couro cabeludo ganhou cor, as perucas da mamã foram substituídas por um afro looking que estava em voga.

Com os dilates de Mela em aumento e sempre acobertados pela mulher, Manuel começou a direccionar toda a sua atenção ao filho varão, Nelito de Castro, que na escola progredia e já ultrapassara a mana mais velha, embora houvesse uma diferença de três anos entre os dois. Nelito recebia ao dobro: a mesada, as viagens pelo interior com o pai, e a qualidade do colégio em que estava inscrito.
A faca que lhe trespassara o coração tinha refreado os seus elogios à rapariga perante os amigos. Já se tinha exposto em demasia e o tiro saira-lhe pela culatra. Apreciava o filho e dava-lhe todo o apoio moral e financeiro para se tornar num grande homem à sua dimensão e à dimensão dos seus sonhos, mas guardara, para depois de passar a fase pubertária, os elogios que decidira encofrar.
 
Nelito era um rapaz feliz, distinto entre os amigos e os primos. Era o explicador e solucionador das dúvidas matemáticas e bio-química dos primos. Mela, que se destacara na família até à sétima classe, por conta própria decidira passar-se ao vale dos ignorados.

Adepto convicto da psicologia behaviorista, Manuel dizia, vezes sem conta,  que, para ele, a cada estímulo havia sempre uma resposta que se traduziria em recompensa para os benfeitores e castigo para os mal-feitores. Eu, o narrador, também conservo réstias de dúvidas quanto ao que ele referia como mal-feitores. Se eram a mulher e a filha ou se pretendia atribuir-lhes outros epítetos menos mais urbanos e campestres. Mas eram as palavras de Castro Manuel que, desiludido com a filha, redobrara a atenção à mãe, já velhinha, que vivia os seus últimos dias em Vav`Ayela, na Nganda.

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- António, o marron, é veloz, automático, não muito dado a murmúrios. É pragmático, sem retórica, muito menos a conversas para encurtar caminhos. Para ele é o passo corrido que encurta a distância e não a conversa fiada do motor que ressona e geme, o engate, ou xaxatanso das intimidades.
O Tony difere-se muito da Maria que me canta e conta ao ouvido, e bem baixinho, todos os seus segredos e anseios. A Maria cochicha, sussura, geme de prazer... O António não. Ele alivia-se, despacha-se, enche a barriga e não degusta, nem mastiga. Não deixa ver, não deixa apreciar as conversas fora do seu mundo. Desfaz-se do verde dos campos. Deixa tudo para trás numa fracção de segundos. Gosto do António mas é a Maria que me leva ao cosmos! – Monologou Manuel chegado da viagem, acomodado na sua SUV automática.  

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Era dia de anos de Mela, o décimo quarto aniversário. Embora desatento ao calendário natalício da família, Manuel fez questão de precaver-se, perguntando ao Nelo, com semana de antecipação, tão logo chegou de uma incursão pelo interior do país aonde fora visitar a sua progenitora.

 - Quando é o aniversário da tua irmãs?

- Vinte e dois de Novembro, papá. – Respondeu o infante.

Marcou na agenda telefónica que lhe servia de alerta. No dia certo, comprou um livro sobre Reorientação de adolescentes em conflito socio-familiar e, aproveitando-se da saída da filha e da mulher, adentrou o quarto de Mela para colocar o livro em local visível, seguido de uma declaração em em que se dizia “estar preocupado com o rumo que ela tinha dado à sua vida, muito à esquerda do que ele, seu pai, preconisara para uma filha primogênita e muito amad”. Na missiva, Manuel comprometia-se também em “desagravar progressivamente os castigos (de que não se arrependia por tê-los imposto), à medida que fosse sentindo evolução na atitude comportamenta da filhal, agora que tinha conseguido e lido, ele também, o livro que a oferecia”.

Saída às pressas, Mela deixara a gaveta da banca entreaberta. Uma ponta de papel, com o símbolo médico, letras em alfabeto mandarim e data recente, prenunciava uma curiosidade. O coraçao de Manuel quase pulou da caixa. Teve de tomar um relaxante antes de voltar ao quarto da filha para matar a curiosidade que encerrava aquele documento.

Nem tempo teve para pensar e desconfiar ou, ao menos, puxar coragem para encarar de peito uma possível notícia desagradável. Era um termo de responsabilidade exigido pelo médico ginecologista Xen Gun Dan, assinado por Bela das Pernas Grossas, a sua esposa, que acusava responsabilizar-se por possíveis consequências imprevistas da coretagem a que a filha fora submetida.

Da gravitreze de Jacinto à gravitorze de Loló foi meio caminho. Mister J que já frequentava, à socapa, a casa de Mela sempre que o pai se fizesse ausente, custeava o taxi da moça e mantinha encontros amorosos com ela. Para o pagamento dos lanches e salões de estética, surgiu Loló, jovem pedreiro, dedicado no ofício de reparar fossas desabadas e remendos em casas inundadas, mas sem instrução nem direcçao. Era um simples biscateiro catingoso que fez desabar a fraca muralha de Mela. Na primeira cantada de Loló, Mela cedeu toda a guarda ao ponto de passar a cuspir nos quinze que se seguiram ao acto, desafiando as patas que no aviário da Quinta Avenida chocavam aos ovos. Era a segunda vez, desta feita mais grave do que aos treze...

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Como acha que deve terminar essa cena?

- O pai, ao se aperceber da segunda gravidez, interna a filha num convento?

- Casa-a com o pedreiro catingoso?

- Corre a filha de casa?

- Corre a filha juntamente com a mãe?

Em um ou dois parágrafos, dê uma pista.

segunda-feira, março 14, 2016

O SAPO E O SALALÉ

 
(A propósito de um post inspirador que acabei de ler no mural do confrade Gociante Patissa)
 
O sapo, borbulhento e nojento, e o salalé, que ao sair da terra húmida se sente muito gingonçoso e importante, sempre se desafiaram. O sapo sempre faminto e salalé ou térmita gordinho, fresquinho e proteico.
O sapo aguarda pelo salalé que sai do buraco. Tem-no no olho e com os dentes e saliva preparados. Lá dentro, na cavidade abdominal, ronca o estômago como moageira sem milho para moer. São as peças que se roçam barulhentas. Mas, o salalé, mesmo talhado para morrer, sai protegido pelos guerreiros soldados de sua brigada munidos de tesouras frontais e acaba voando.
No ar, espalha-se diante de majestosa beleza e grandiosidade do céu azul ou acinzentado do pôr-do-sol, quando não é dia e não é surpreendido pelos mochos de lâmpadas largas e redondas.
Mesmo escapando das aves,  acaba-se-lhe o combustível, ou melhor, caem-lhe as asas, sem muito tempo de desfrute no espaço em que se perde, caindo como objecto sem vida directinho a frente do sapo que o degusta com prazer.
Quanto mais sofrível for a caçada mais saborosa é a carne. Não será?
Cuidado senhor(a), não te importantes tanto por estares naquela posição. Não tenhas asas de salalé.

segunda-feira, março 07, 2016

BIFAGRANDO

BIFAGRANDO
É um novo termo, um pouco modista, do calão mediático dos últimos dias que os rapazes de três localidades de Luanda acabaram de inventar.
- Bifagrando tem a ver com bife+bagre+falando. - Explicaram.
Encontrei-os na praia do Km 27, ao Ramiro, e conversavam sobre um novo "invento gastronómico" o bife de bagre.
Dizia Halyeya que "o bagre, por ser um peixe predador e de sangue vermelho, era o mais adequado para ser "bifado" em vez dos outros peixes de carne branca.
- Eu, no Coelho, a minha vida, de sol em sol, é só mesmo pescar e tramankar. É só mesmo do bagre da lagoa que vivo. Uns como e outros vendo frescos ou fumados.- Reforçou, algo vaidoso.
O seu companheiro, Kamaka, residente nas margens da EN230, pelos lados do Kazenga, ripostou que o kakusu da sua lagoa sabia melhor do que os bagres todos que já havia provado ao longo dos seus vinte e seis anos de vida de pescador artesanal no Velho Kimbundu.
- Mas como assim, vida de pescador artesanal se nem uma canoa e redes tens? - Questionou Mbela Yanda que até ali se mantivera calado.
A conversa animada com sumo fermentado de uva libolense já ia longa. Os petiscos eram locais, ou seja, todos kalús: bagres e ikusu capturados das bacias do Coelho, do Táki da Vila Nova e da lagoa do Velho Kimbundu.
Mbela Yanda, Kamaka e Halyeya desfilavam argumentos.
- Quem tem a lagoa mais antiga e mais produtiva?
- Quem tem a lagoa menos suja ou mais bafejada de podridão?
- Quem desfruta de bagres mais colossos ou ikusu mais saborosos?
Eram perguntas cujas respostas voavam à velocidade do eco. Já com o vinho a trespassar-lhe o cérebro e com o bagre fumado nos olhos, Mbela Yanda gritou alto:
- A melhor lagoa não é a do Coelho nem a do Velho Kimbundu. É a do Táki de Viana que tem bagre com osso. Ainda é pouco frequentada e os garimpeiros de peixe alheio têm a cadeia à vista.
Os companheiros ainda contra arguiram puxando o bife para o seu bagrito mas Mbela Yanda foi mais adiante na defesa:
- É que a minha lagoa recebe água quer chova quer não. Para os deixar mesmo estatelados, Mbela retirou o telefone do bolso para mostrar as fotos das últimas fainas, da fonte de alimentação hídrica permanente (descarregadouro da drenagem urbana da cidade) e ainda as imagens da sua nova invenção gastronómica, um bife de bagre. Olhem!
 
Escrito a 16 de Fevereiro 2016.

terça-feira, março 01, 2016

A VALORIZAÇAO DO SERVIDOR PÚBLICO

Foi tema de palestra e depoimentos ocorridos na ENAD, dia 03 de Dezembro, assinalando o fecho do ano lectivo naquela instituiçao de formaçao vinculada ao Ministério da Administraçao Pública, Trabalho e Segurança Social. Perante casa cheia, o professor de Direito e decano da Faculdade Pública que forma juristas, Carlos Teixeira, fez uma revisita aos conceitos de Servidor Público (aquele agente administrativo vinculado ao Estado), Serviço Publico, sua classificação (serviços principais e auxiliatres),  e demais assuntos colaterais.
O Deputado António Cortêz, também conhecido nas lides literárias como Chico Adão, fez uma incursão ao funcionalismo público no tempo colonial e apontou temas como o aprumo, o conhecimento e  domininio da legislação (Diários da Republica de I e II séries ou seja, Leis e nomeaçoes e mobilidade), bem como o tratamento igual a todos os utentes do Serviço Público.
Sebastião de Sousa e Santos gestor do Instituto de Gestao de Participaçoes do Estado contou, de igual forma a sua trajectória no funcionalismo publico colonial e a sua vasta experiência na funçao pública de Angola independente, com passagem pelo Ministério das Finanças. Outro depoimento, não menos importante foi o da Dra Rosa Cruz que iniciou funçoes no Ministério do Comércio Externo, viveu a fusão com o Ministério do Comércio Interno, viveu outra fusão com o Ministério da Indústria e, depois da disjunçao daquele, viveu  uma outra fusão entre o Comério e a Hotelaria e Turismo, estando a gora à frente do GEPE do MINHOTUR. São experiências que reforçaram conhecimewntos e encorajam aqueles que ouviram os palestrantes.
Muitas outras façanhas e experiências foram transmitidas na palestra , mas vou destacar  algumas frases quee partilho:
Ø A Humildade é o segredo para o sucesso no Serviço Público. É lícito e esperado que as pessoas progridam horizontal e verticalemente, mas sem pisar ou prejudicar os outros.
Ø O cumprimento da Lei e das obrigações, a documentação permanente sobre a Administraçao Pública e a busca de auto-superação, são aspectos de elevada importância ao Servidor Público.
Ø A Lealdade e o Rigor devem estar presentes em todos os actos do Servidor Público.
Ø O Orgulho em pertencer a uma família restrita, a que muitos nacionais gostariam de pertencer, deve acompanhar a vida do Servidor Público que retibui a essa “dádiva” com o sua Entrega abnegada e Zelo pelo que faz.
Ø Empenhar-se no trabalho e gerir as mudanças (fusões, disjunções, mudança de líderes, etc.)  com inteligência e não com intrigas.
Ø Para além da Responsabilidade, ser Diligente, informando com antecipaçao e precisão, antecipando-se aos factos que possam prejudicar o Serviço Público foi outro tema levado à reflexão.
São recados que ficam. Novidades, eventualmente, para alguns e revisitação a conceitos há já muito tempo incorporados para boa gente.  Quanto a mim, a palestra e os depoimentos foram um reforço ao que a Escola da Prática me tem ensinado.