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segunda-feira, maio 30, 2016

MPANGU OU PANGO

Mpangu ou Pango?
Só sei que o desvio é pelo Úkwa.
Fiquei a pensar em uma figura da nossa história que, à chegada dos primeiros portugueses às terras interiores do que é hoje o Bengo, se podia chamar Mpangu-a-Lukeni mas que na "pressa" e desvirtuação dos nossos antropónimos e topónimos entenderam os "enviados de Sua Majestade" trata-lo e designar as terras por ele governadas por Pango Aluquém.
Estes povos sabem que uma boa colheita depende de uma boa sementeira. Por isso constroem celeiros específicos onde guardam os cereais para a próxima campanha agrícola.

quarta-feira, maio 25, 2016

SURPREENDIDO NO DIA DE ÁFRIKA

O 25 de Maio, dia de África, deixou de ser feriado em Angola, faz tempo. Por isso, a minha manhã de trabalho foi pesada.
Sem secretária, fiz o meu e papel dela. Cansado, entre receber pessoas e ler minuciosamente documentos, decidi apanhar ar pelo corredor.
Nem tinha retirado dos pulmões a primeira, chegou a técnica de protocolo com ar cansado e preocupado.
"Chefe, é urgente. O Ministro chama por todos Directores".


Um susto. Peguei os dossiers mais "quentes" e pus-me à escada. Posto na sala onde se supunha acontecer a reunião, vi os meus colegas Directores e Consultores nos assentos habituais sobre a mesa de costume. Faltava o Ministro e os Secretários de Estado.
Pousei a minha agenda no espaço habitual e, aí todos começaram a cantar "happy birthday to you".
Julguei que fosse algo institucional. Fiquei por curtos instantes circunspecto, a rondar o ambiente, e procurar entender o que realmente se passava.
Quando me aproximei, já com lágrimas emocionais, a Secretária Geral do Ministério disse para mim:
"O Senhor tem uma rica mulher. Foi ela quem trouxe".
Fiquei tão emocionado que nem fotos consegui fazer. Senti o teu amor.
Que rica surpresa, Irlanda Salongue!

segunda-feira, maio 23, 2016

FOGO EM KAMBAMBI

Fogo, fogo, fogo!
Não era numa fazenda de "Quiculungo" (Kikulungu), conforme um texto do livro de leituras da terceira classe do "tempo de Agostinho Neto".
O fogo era num autocarro da transportadora Fretrans que fazia o trajecto Malanje-Luanda que ia com os calços já gastos e a travar ferro contra ferro.
01.05.2016
Chegado a uma descida, que se diz "lixada", dado o grande sinistralidade entre os incautos, próximo da ligação entre a Estrada da Trombeta e a EN230 que vai ao "Dondo" (município de Kambambi), os pneumáticos pegam fogo.
Eventualmente, sem poder suficiente de luta contra incêndio, o veículo ficou totalmente carbonizado mas os passageiros desceram são e salvos, a tempo ainda de recuperar as suas imbamba, sacos de macroeira incluídos.

segunda-feira, maio 16, 2016

OU MALAVU OU LUNGWILA!

O café é, sem dúvida, o ex-libris do Songo, Wiji. Mas não é tudo. No Songo também se vêem montanhas que desafiam os céus como na aldeia de Zulumongu (o céu é a montanha) e se bebe malavu ou lungwila (aturem-me) que é um fermentado a base de sumo de cana de açúcar.
- Então, vai uma bebida?
- Sim. Sirva Lungwila!
...
30 Abril 2016
Outra constatação foi a de que os topónimos emergem de hidropónimos, de antropónimos de fundadores das comunidades ou de eventos sociais, culturais ou naturais relevantes, uma característica que se pode dizer geral em Angola, sem muita margem de erro.
Exemplos:
Zulumongu (o céu é montanha), Wiji.
Kipala kya Samba (rosto de Samba), Kwanza-Sul.
Kambambi (friozinho), Baixo Longa (rio Longa) no KK
Ngonguembo (Ngonga yo wembu) K-Norte
Pedra Escrita (anúncio publicitário feito em pedra deu nome à aldeia) no Libolo), etc.
...
Outra marca do Wiji são os celeiros que conservam as sementeiras. Enquanto não chegar a nova época agrícola são intocáveis. Nem mesmo os jipuku e mabengu os atingem.
Nem tudo deve ir ao estômago!

segunda-feira, maio 09, 2016

FECHEI O PAÍS

Estou feliz, em "Carmona". Completei o périplo pelo país. Pelo menos conheço as 18 capitais de províncias.
Mais alegre me sinto por ter concluído, sem incidente, o trajecto desta pista que pode servir a "Fórmula 1", dada a quantidade de curvas curtas e apertadas.
Foram sete horas ao volante, descontadas as pequenas pausas nas "boxes".
Ambaca, Camabatela, Kwanza-Norte
Na ponte sobre o Dange, surgiu o "the police" pedindo as minhas "credibilidades" e as da viatura. À minha "comandante geral" que ia na "pendura" pediu apenas que formulasse a saudação vespertina.
- É para conferir se és langa. Adverti.
O homem desculpou-se depois de ter verificado "as credibilidades" e explicou que a região era propensa a roubos de viaturas de luxo e entrada ilegal de expatriados. Não deixou de se queixar de "sede", mesmo estando sobre um dos rios mais caudalosos da região.
Quanto à "água", ficou mesmo só pela vontade. Não lhe abri a torneira da algibeira.
Enquanto tripulava, de aldeia em aldeola, fiquei negativamente surpreendido pela quantidade de "primos" mortos e pendurados, aguardando por quem os compre para matar a fome. Será da crise?
Com esse "extermínio" um dia os nossos descendentes podem ver babuinos apenas pelas fotos e desenhos!
Estou no Uije, a capital provincial que me restava conhecer. E os jovens do Hotel Cuilo já lêem "Canções ao vento".

Texto publicado no jornal Nova Gazeta de 20/07/2017

segunda-feira, maio 02, 2016

OS REFORÇOS E OS PESOS MORTOS NAS ORGANIZAÇÕES

Numa dada formação que frequentei sobre Gestão de Capital Humano nas Organizações, o mestre falava, a dado momento, sobre os "pesos mortos", suscitando grande interesse dos estudantes.


E dizia ele que “pesos mortos” eram as pessoas que sempre se faziam presentes ao local de prestação de serviço mas que nada moviam para dinamizar as rotinas de trabalho e o crescimento das organizações. Pessoas que se constituíam em “peso” porque têm honorários e outras regalias, mas “mortas” porque não acrescentam valor à equipa e à organização.

O “peso morto” é alguém excessivamente burocrático, que nunca traz algo de novo, não faz o que dele se espera e está sempre resistente a novas ideias. É aquele que está sempre a escudar-se no jargão "aqui sempre fizemos assim", porém, nunca faz nem como "sempre se procedeu no passado" nem como se pretende inovar.

E lembrava o mestre, uma célebre passagem de Einstein que atesta que para se ter resultados diferentes é preciso fazer de forma diferente ou inovadora. "Tolo é quele que faz as coisas do mesmo jeito augurando por resultados distintos".

O “peso morto”, segundo o professor que venho citando, apesar da sua inércia, almeja sempre posições de conforto ou de comodismo. Alcançar a chefia é o seu mais alto desiderato. Uma vez indicado para um posto de liderança, o “peso morto” confia tudo à equipa, inventa reuniões (quando realmente existem nunca contribui com inovações, entrando calado e saindo mudo dos encontros em que participa). Junto dos seus colegas de equipa, o “peso morto” apresenta frequentemente um semblante cansado e carregado, como se estivesse muito atarefado e sem tempo para mergulhar nos desafios da equipa e com ela encontrar soluções.

Na verdade, “o peso morto” não sabe executar tarefas, nunca foi bom técnico e evita que os seus liderados se apercebam de suas fraquezas profissionais. É por isso que, quando nomeado, o peso morto se "tranca na chefia".

O “peso morto” é pernicioso às organizações pois distribui energia negativa à equipa. Contribui para a desmotivação dos colegas de jornada. Depaupera a organização a que está vinculado. É um esforço e nunca um reforço para a equipa e a organização.

Aí onde haja esse tipo de colaboradores ou quem se reveja nessa triste condição, deve seguir apenas um de três caminhos possíveis:

ou se regenera, pois ainda vai a tempo de seguir a caravana dos que realmente se empenham e preocupam com o trabalho;

ou se aposenta, cumprido o tempo de serviço ou idade para a reforma;

ou procura por uma organização em que não se peça trabalho, inovação e lealdade aos princípios corporativos.

 Felizmente, vejo que "aqui não há pesos mortos"!